joanmiro1O estado Português tentou vender em leilão, via a gigante leiloeira Christies em Londres, as obras de Juan Miró que detém em seu poder. Estala de imediato a polémica, e entre petições e pedidos de intervenção judicial, a venda foi suspensa, e a polémica aumenta de tom. Mas ao certo que obras são estas, porque é que o estado as tem, e porque as quer vender?

Estas para mim são as grandes questões, e para as analisar, vamos ter em conta algumas questões.

Quem foi Juan Miró, e quem relevância tem ele para Portugal?

Miró foi um grande artista plástico, provavelmente um dos maiores do século XX, catalão de nascimento, viveu quase toda a sua vida entre Espanha e França. Não tem ascendentes nem descendentes Portugueses conhecidos e/ou relevantes.

A sua obra também não aborda temas Portugueses, nem é influenciada por Portugal.

Se não é um autor Português, nem com relevância para Portugal, como é que o estado adquiriu estas obras?

O estado Português, governado pelo governo do Socialista José Sócrates, resolveu nacionalizar um banco que deveria ter falido para ajudar amigos e conhecidos. Entre o espólio desse banco estavam, entre outras coisas, uma colecção de pintura de Joan Miró, artista apreciado pelo antigo Presidente desse banco.

Ok, então esta obra apenas está em posse do Estado por mero acaso, mas tem sido útil para a divulgação da arte em Portugal, e traz prestigio para o país, certo?

Errado. Estas obras nunca estiveram expostas ao público, e até à noticia de que iriam ser vendidas nem sequer tinham sido faladas. Tendo em conta que não estão expostas, nem são faladas, não servem para divulgação, nem trazem qualquer tipo de prestigio.

Mas podiam ser rentabilizadas, fazendo com que os 36 Milhões de euros (a base de licitação, poderia atingir valores mais altos) fossem números demasiado baixos.

Talvez não. O museu do país com mais visibilidade para este tipo de obras, o Museu Berardo no CCB, é uma fonte de despesa gigantesca, pagando o estado valores elevados pelo seu aluguer, e tendo visitas razoáveis visto ser gratuito. Colocar isto nesse museu, teria retorno financeiro zero, visto ser uma exposição que não trás receitas directas.

O Joe Berardo indignou-se contra esta venda, dizendo que até que seria preferível ser ele a comprá-la, para a colocar na sua exposição.

Num leilão qualquer pessoa que tenha os fundos para tal, pode comprar. Se o Joe Berardo os tem, ao contrário dos rumores que correm, é livre de o fazer, e comprar. Mais, acho que o estado num caso destes até lhe pode vender directamente pelo preço presumível da venda em hasta, desde que ele pague a pronto e não com acções do BCP claro.

E o que fazer ao dinheiro desta venda? Para que serviria?

Atenuar o dinheiro que o estado gastou, dos contribuintes, para a nacionalização do BNP patrocinada pelo PS seria sempre uma hipótese, até porque foi dinheiro que veio de um orçamento que não o da cultura. Outra hipótese, e considerando que seria para gastar dinheiro para a cultura, seria um reinvestimento inteligente, algumas hipóteses:

  • Compra de obras de autores Portugueses relevantes;
  • Compra de obras de autores influenciados fortemente pela cultura Portuguesa;
  • Criação de estruturas de apoio físicas a um roteiro cultural (passando pelo Museu Nacional de Arte Antiga, Baixa Pombalina, e até Museu Berardo) a partir do porto de cruzeiros de Lisboa;
  • Finalização do Museu dos Coches;

Mas muitas outras hipóteses podiam ser dadas a este dinheiro, por exemplo uma que deve ser chocante para muita gente por cá: poupá-lo.

Em suma, a arte pode e deve ser um investimento, mas um investimento é planeado. Tentar ficar com tudo aquilo que nos caiu nas mãos, e de forma bastante cara, e tentar fazer disso um investimento real, é apenas pateta.

2 COMENTÁRIOS

  1. Ó Bruno, eu já te sabia como aceso defensor deste e de outros governos, mas assim? Então vender ao desbarato e às escondidas (fazendo as obras saírem de PT em malas diplomáticas) é algo que nos orgulhe? Qual é a pressa em vender?
    Não se trata apenas de uma questão cultural, trata-se primeiro de perceber afinal a quem pertence este tesouro, se ele vem do BPN, então deixai o povo (afinal fomos nós que pagamos a todos os que tinham acções do BPN, incluindo o nosso Presidente, os valores exorbitantes dessas acções) ver essas famosas obras durante algum tempo até todos estarmos fartos dos “Mirónes” e depois vendíamos daqui a uns anos ao nosso amigo Madeirense.
    Eu acho é que temos gato escondido com rabo de fora…
    Abraço

Deixar uma resposta