Algumas notas sobre o imbróglio dos resultados eleitorais…

Já não escrevia aqui à algum tempo, mas as eleições deixaram isto de tal forma baralhado que tenho vontade de passar a escrito aquilo que muito tenho falado. Até para de futuro poder voltar atrás e olhar para o que estava a pensar agora.

As eleições foram ganhas pelo PaF (PSD + CDS). E até agora sempre em Portugal o partido que ganhou foi quem formou governo.

O fundador e símbolo Socialista Mário Soares recusou aquando a queda do governo minoritário de Cavaco Silva uma iniciativa semelhante à que PS+BE+CDU estão a tentar fazer. Uma grande mostra de respeito democrático por parte de Mário Soares.

António Costa está apenas a tentar arranjar maneira de ficar no poleiro, já tendo mostrado que apenas quer manter o cargo de líder do PSD, e que a única forma de o manter é chegar a primeiro ministro.

A forma correcta e tradicional para formar governo em Portugal é convidar o líder do Partido mais votado a formar governo. Depois se na Assembleia da Republica resolver fazer passar uma moção de rejeição, e fazer cair esse governo, estará no seu direito democrático. Aí serão convocadas eleições a curto prazo (cerca de seis meses neste caso) e os Portugueses serão chamados a decidir.

E caso façam isso, espero que o PS+CDU+BE concorram coligados. E se forem os mais votados, que governem.

Agora ver a CDU (Estalinistas, que devotamente ainda hoje elogiam a URSS, Cuba e Coreia do Norte) a ter comportamentos antidemocráticos, não é de estranhar.

O PS, que apesar de ter algumas diferenças de opinião das minhas, sempre primou pela Democracia. Que foi fundamental na liberdade de expressão e de voto aquando do 25 de Novembro, ter posições destas… Isso sim deixa-me desiludido, triste e chocado.

1 comentário sobre “Algumas notas sobre o imbróglio dos resultados eleitorais…

  1. O PS, se conseguir entendimento à esquerda, fá-lo à sob forma de coligação. Por mais que digam “não será assim”, a verdade é que será assim, mesmo que não seja oficialmente. Qualquer acordo que o PS faça com a CDU e o BE terá de ser cumprido à risca pelo PS, sob risco de o seu governo cair. Isto é governar como coligação.
    E um governo sob forma de coligação, não é anti-democrático. Nunca o foi, nunca o será. Podes achar que “por não ser o partido mais votado não é ele que tem de formar governo” mas enganas-te. Porque se formarem coligação, tal como o PSD e CDS formaram só após se saber os resultados das últimas eleições (e apenas com objectivo de conseguir maioria absoluta), então estão no seu direito pois todos juntos coligados conseguiram mais votos que o restantes. Logo, democraticamente, ganham o direito de governar.

    E cabe ao PR avaliar o que é melhor para a estabilidade do país: convocar o PSD para governar, mas sem qualquer hipótese de durar mais de 6 meses, o que levaria a mais eleições e o processo podia voltar a repetir-se mais e mais vezes, criando mais dificuldades para o país que está agora a começar a recuperação económica; ou aceitar qualquer coligação à esquerda desde que esta realmente seja estável e maioritária. Honestamente, a segunda é melhor, mas ambas as opções são democraticamente e constitucionalmente válidas.

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