A21

Retalhos de uma vida entre Mafra e Lisboa

Às vezes a democracia custa…

A democracia, representativa no caso Português, é um principio de liberdade, e de colocar a responsabilidade para o cidadão na escolha de quem deve gerir o que é Público. Ontem fez-se democracia na Madeira, será correcto dizer isto?

Para mim, e ignorando as questões sobre a minha opinião pessoal sobre a figura de Alberto João Jardim  e os seus desvarios governativos,  tenho de admitir que se fez. As pessoas votaram, e escolheram. Como são os madeirenses os eleitores para aquele órgão de soberania, cabe a eles, e apenas a eles, decidirem, e foi o que fizeram.

Claro que vem logo a malta do costume queixar-se que as eleições foram negativas, e pouco representativa, devido ao facto da enorme abstenção. Meus caros, quem não vota, é porque não quis ser representado. Passo a frente.

Mas para mim, o ponto alto da noite, e um hino à falta de democracia, cabe mais uma vez ao PCP, na voz do seu líder Jerónimo de Sousa.

Um resultado explicado pelo sentimento de desânimo designadamente de apoiantes da CDU que, fustigados de forma mais particular pelo agravamento exponencial das injustiças, do desemprego e da pobreza, não acreditaram que com a sua decisão e o seu voto podiam contribuir para penalizar quem lhes agravou as condições de vida e reforçar aqueles com quem contam para construir uma vida melhor.

- Jerónimo de Sousa

Ou seja, este senhor acha que a culpa das pessoas não votarem CDU foi estarem desanimados, e que esse voto não iria mudar nada. Será que este senhor leu parcialmente bem a questão? É que na prática o que ele admite, e que eu concordo, é que a população acha que as suas ideias, e o seu partido não fazem, nem farão, nada para melhorar o País ou a Região. Estou plenamente de acordo. Se calhar o próprio Jerónimo é que não, mas só se dará conta disso quando entender o que realmente disse…

Mas também resultado da dispersão de votos em candidaturas inconsequentes e até provocatórias, que embora sem projecto nem valor próprio beneficiaram de uma generosa mediatização destinada não só a favorece-las mas a impedir o crescimento da força mais consequente e capaz de se opor e dar combate ao programa de exploração que atinge os madeirenses.

- Jerónimo de Sousa

Votos em candidaturas inconsequentes e até provocatórias? Quem é o senhor Jerónimo para dizer isso? O partido trabalhista, conhecido como partido do Coelhinho, tem um ridículo, e até mal educado, mas tem tanto direito como o PCP ou qualquer outro. Mais, na Madeira actual, até tem mais direito, pois teve mais votação. E quando o líder da bancada parlamentar do partido de Jerónimo de Sousa, Bernardino Machado, vem dizer que a Coreira do Norte e Cuba são democracias, não é isso mais inconsequente e até provocatório? Quando convidam lideres de organizações terroristas como as FARC, para a festa anual do seu partido, quando estas são perseguidas por governos democráticos de países com relações cordiais com Portugal? Isso não é muito mais inconsequente e provocatório que as palermices do líder do partido trabalhista?

Caro Jerónimo de Sousa, eu sei que o senhor não dá muito valor à democracia, senão não defendia os regimes actuais e históricos que defende, mas esta funciona assim: ganha quem tem mais votos colocados nas urnas. Os que ficaram em casa, não são seus para vir tomar posse deles, nem vitórias morais servem para alguma coisa. Felizmente graças ao 25 de Novembro de 1975, o povo é quem mais ordena. Mesmo quando coloca tipos que me parecem retirados de um conto de humor no poder.

Grandes Frases XI – O Problema do Socialismo

Socialist governments traditionally do make a financial mess. They [socialists] always run out of other people’s money. It’s quite a characteristic of them.

Governos socialistas normalmente fazem uma situação financeira caótica. Eles acabam sempre por gastar o dinheiro das outras pessoas. É uma característica tradicional deles.

Margaret Thatcher (em 1976)

Música de Intervenção II – A parvoíce de Sam the Kid

Este artigo vem no seguimento deste publicado em 15 de Março de 2008.

Em Portugal existe uma longa tradição em música de intervenção, mais de meio século sob a égide de regimes totalitários, sendo deles  quase quarenta e seis anos de estado novo, no século vinte, fizeram as pessoas tentarem encontrar meios de dizer o que realmente pensavam. Foi duro, e com risco que homens como José Carlos Ary dos Santos, José “Zeca” Afonso, José Mário Branco, entre outros, escreveram, e cantaram músicas com enorme carga política, numa época em que tal poderia acarretar pesadas consequências.

Cantaram em nome da liberdade de vivermos numa democracia, e de podermos expressar as nossas convicções pelas palavras, e pelos actos. E nada mais forte numa democracia que o acto do voto. Isto foi ganho por jovens militares, revoltando-se contra o poder opressor que existia, arriscando as suas carreiras, a subsistência das suas famílias e em última instância, a sua própria vida. Arriscaram, quem sabe inspirados por palavras cantadas como as que Ary dos Santos escrevera, e ganharam para todos nós o direito e dever de votar, e a liberdade de nos expressar-mos sobre quem nos deve governar.

E o que fazem pessoas somo o “Sam the Kid”, um suposto músico dos nossos dias? Pedem para mandar-mos para o lixo o direito que foi conseguido com suor e sangue dos nossos pais, e agora para muitos já avós. Passo a citar uma música deste senhor:

Yeah, não sou licenciado nem recenseado,
com paciência, há-de aparecer alguém credenciado, com
moral/
Que me faça votar, me faça lutar, me faça notar,
e faça esgotar a campanha eleitoral/

Primeira prova de ignorância, logo a abrir. Em Portugal não é necessário ter qualquer tipo de formação académica, fora o alfabetismo, para ser eleito. Mais, neste momento um líder de partido, com assento parlamentar,  deputado, e ex-candidato a ministro de Portugal, não tem formação académica superior. Se os portugueses quiserem votar e elege-lo, estão no seu direito, tal como qualquer outro. E se não existem políticos com a visão que este cidadão tem, sempre pode tentar formar um movimento, e depois partido com as suas ideias. É a beleza da democracia. Tem a liberdade para isso.

Por enquanto é só comédia, many manipula os média,
que se excedem a assustar o nosso povo com medo/
Eu não voto, eu boicoto, mas crio as horas nocturnas,
sei qu’é o meu futuro, mas não vou acordar cedo/
Pa pôr um voto nulo ao eleger um chulo ou um cherne,
ou quem governe só com charme mas num mês dá um
terno/
e tropeçam, mal começam quando quebram a promessa,
não me peçam interesse, vocês não se interessam/
Eu não preciso de reflexão eu já, tou decidido,
eu só voto na verdade e não a vejo em nenhum partido/

Realmente, para que acordar cedo para colocar um voto nulo… É bem mais prático ficar a dormir em casa a dormir. Agora se repararmos bem está aqui a segunda barbaridade por falta de conhecimento  do senhor “Sam”. Mas faço o favor de lhe rectificar isso. Em Portugal as urnas estão abertas até as 19:00. Logo, se acha que acordar as 18:30 é acordar tarde, tem aí o seu impedimento como verdade, senão, é apenas mais um acto de ignorância da sua pessoa. E depois, para que votar branco, é melhor ficar na inacção. É esta a visão de “Sam”.

Sim, porque quando no fim do dia eleitoral o que se conta são quem ficou em casa, esses são os preguiçosos para se levantarem e votar. Os que protestam? Protesto é ir às urnas, e votar em branco, é dizer que estás contra qualquer destes projectos de governo deste país. É ver falta de qualidade em cada um dos lideres que se apresentam à eleição. Não o fiz muitas vezes, mas já votei em branco. Se não concordo o suficiente com ninguém, voto em branco, e fica expresso para toda a gente ver no fim do dia, a percentagem de portugueses que não se sentiram retratados em nenhum dos candidatos.

Ficar em casa a dormir, significa que não se quer saber da liberdade que os nossos bravos nos deram, e essa meu caro “Sam”, é uma intervenção bem diferente de ser um miúdo armado em rebelde.

PS Mafra 2009 – Força Renovada e Crescente? Só na Ficção Cientifica

Depois de ler um texto de Pedro Tomás e um de Nuno Ferro sobre o PS de Mafra, não posso deixar de mandar o meu bitaite. Ambos os posts falavam do PS e da sua festa que comemorou o seu ataque às autárquicas, e o respectivo site inaugurado.

Falando sobre o post do Pedro Tomás, e sobre o PS Mafra, algo me parece ressoa a situação nacional, mas no campo do PSD e legislativas, mas de uma forma ainda mais exagerada. Faz-se querer que vão mesmo à luta, e que vão ter uma hipótese, que formam uma nova equipa jovem e forte, mas na prática são os mesmos de sempre, mais um ou outro, e a falta de alguma pessoa forte e cheia de pujança, pois se as existem, não se querem queimar numa eleição perdida à partida. Quem foi a última pessoa do PS a dar realmente alguma luta eleitoral ao José Ministro? Para mim, foi o pai de Pedro Tomás, e já foi à algum tempo…

Quanto ao post de Nuno Ferro sobre o site, não podia estar mais de acordo. Um site de qualidade no mínimo duvidosa, segundo os parâmetros de 1998 da web, o que o torna nos parâmetros actuais muito mau mesmo. Desde imagens mal cortadas, e alinhadas ao canto superior direito, à má visualização em browsers que não o Internet Explorer, e ao conteúdo 100% estático. Tudo muito fraquinho. Mais ainda, o fórum, alojado em servidor estrangeiro e gratuito, com todo o amadorismo associado, e uma série de links para blogs no blogspot, onde o post que existe apenas diz “Comentem aqui”. Dá quase vontade de colocar lá um comentário a dizer: “Nada a comentar.”.

Este site leva uma pessoa a pensar na velha máxima, para fazer algo assim, mais valia estar quieto. Quase dá vontade de uma pessoa oferecer-se para fazer melhor, mas visto a minha afinidade politica, apesar de não estar militante de nenhum partido nos dias de correm, não ser para o partido socialista, esta esfuma-se depressa.

Parece que vamos ter uma campanha eleitoral muito animada por Mafra. Isto se os brindes que as campanhas derem forem de teor alcoólico, pois caso contrário nada existirá para animar a mesma.

Coitadinho do aluno…

Um dos alunos alegadamente agredidos, Carlos Sousa, de 17 anos, conta que houve violência da parte da Polícia e também dos alunos. “A Polícia bateu-nos e nós reagimos. Mas a acção deles foi excessiva”, relata o estudante do 8.º ano que pretende ainda apresentar queixa entre hoje e amanhã na esquadra de Alfragide.
-in Expresso

Coitadinho do aluno, que foi provavelmente provocado pelo policia mauzão. Muito podia dizer sobre estes casos, mas reparem só na idade e ano de frequencia da “vitima”. Tendo em conta que aos 17 anos se deverá andar pelo 11º ou 12º ano de escolaridade, ainda para mais no ensino ultra facilitista actual onde só se reprova, e por vezes, até ao 9º ano por faltas ou comportamentos incorrectos, muito bem comportado deve ser esta “vitima”…

 

Mário Machado – Criminoso comum ou preso politico?

Pensei muito antes de escrever este texto, porque não tinha a certeza se o devia publicar ou não. Ultra-Nacionalismo, extrema direita e emigração são temas que em Portugal são como gelo fino, e se caminhamos com as nossas opiniões sobre eles, podemos deixar uma imagem quebrada e que nos pode ser muito negativa. No entanto quero acreditar que neste país ainda todos podemos falar livremente, e exprimir a nossa opinião, se alguém não perceber um argumento, isto é válido sempre, mas neste artigo em especial mais ainda, pergunte antes de fazer um juízo de valor, pois é um caso complexo.

Mário Machado, morador do nosso concelho, mais concretamente Ericeira, foi condenado a mais de quatro anos de Prisão Efectiva. Crime cometido? Ter armas, que segundo o que percebi pelas reportagens da RTP na altura seriam legais, mas que ao exprimir que em caso de necessidade as usaria na rua, para se proteger e aos “portugueses”.  Mais, durante essa reportagem, ele disse que acreditava em algumas ideologias de supremacia racial, e que grande parte dos problemas de Portugal, eram causados pela emigração ilegal. Para explicitar isso ainda com mais força, declarou-se contra a imigração em si. Passados uns dias, é preso, e segundo as conferencias de imprensa da PJ, por causa dessa reportagem, e por posse de arma com intuito ilegal, entre crimes de racismo, xenofobia entre outros.

Passados uns meses, é quase libertado, ao abrigo da lei de Setembro de 2007, que colocou, relembrem-se, centenas de assaltantes nas ruas; contudo uma manobra de bastidores repentina, Mário Machado, é mantido em prisão preventiva, enquanto que centenas de pessoas que realmente cometeram crimes efectivamente, e não apenas foram apanhados com armas, e que disseram que as usariam de modo ilegal, foram libertados. Mais, depois desse facto, o clima de insegurança em Portugal, e os assaltos, subiram de modo muito significativo.

Posteriormente, por ter chegado ao limite máximo de treze meses de prisão preventiva, foi colocado em liberdade, aguardando julgamento. Foi agora punido com mais de quatro anos de prisão efectiva. Relembro que em Portugal, assaltos à mão armada raramente passam de um ano de prisão efectiva, e homicídios, excepto os qualificados, só em casos muito pouco comuns passam os quatro anos efectivamente na prisão. Esta decisão do tribunal, coloca logo, e a hipótese de saída só após quatro anos e meio.

Ou seja num país que tem problemas de criminalidade crescente, em que a imigração ilegal é tratada com recurso a constantes legalizações extraordinárias, prender efectivamente um homem porque tem uma arma, que diz não ter medo de usar. Ah, e por ter opiniões e pensamentos anti-imigração e de teor até racista e xenófobo? A nossa justiça está a tentar substituir-se ao debate politico, que penso que facilmente pode meter a claro a fragilidade do tipo de discurso do PNR, se bem que nunca conseguiu combater eficazmente o também populista e perigoso discurso do BE? Será que no clima actual que vivemos, a prisão efectiva de Mário Machado, por um delito que mais me parece até agora ser de opinião, não será um prémio, e dos grandes, ao PNR, criando-lhes um mártir?

É que estupidamente, e por muito que discorde das linhas politicas do PNR na quase generalidade dos seus projectos, estão a tornar o Mário Machado um mártir e um preso politico pela causa que este partido de extrema direita. Estamos a brincar com o fogo…

Magalhães – As perguntas que ainda não li

Muito se tem lido e escrito sobre o Magalhães. Desde a sua originalidade de conceito, fabrico e montagem de componentes, escolha de sistemas operativos, e todos os pormenores técnicos e políticos de que se lembraram. Mas para mim ainda ficaram muitas perguntas por fazer, ou simplesmente ainda não as vi colocadas em lado nenhum.

E para ser mais característico, vai em forma de lista.

  • Porque Magalhães? De tantos nomes sonantes e grandiosos na nossa história, alguns deles nomes reconhecidos pelo mundo inteiro, porque dar o nome de alguém que no seu tempo traíu a Pátria, mesmo que com isso tenha feito uma enorma façanha? Porque não Albuquerque, do grande Afonso, o Vice-Rei que fez mais pelo País que muitos Reis…
  • Não vou cair em hipocrisias, trazer a informática o mais cedo cedo possível aos mais novos, vai sem dúvida potencia-los. A questão para mim é outra, porque dar portáteis a baixíssimo custo a crianças de 6 anos de idade, quando alunos Universitários não os têm muitas vezes, e em certas faculdades (honra aqui ao Instituto Superior Técnico que sempre teve todos os recursos que pude querer) se vêm aflitos para poder comprar uma máquina que necessitam para se preparar, para a entrada eminente no mercado de trabalho?
  • Será que dar portáteis que são vendidos nas FNAC’s por mais de 250 euros, e que são excelentes máquinas para acesso ligeiro à Internet, a crianças de famílias com dificuldades, não irá trazer um mercado paralelo de revenda destas máquinas, oferecidas originalmente às crianças, e potencialmente revendidas pelos pais? Porque não colocar alguma forma de registo fisico nas máquinas que forem oferecidas, nem que seja com algo gravado?

Note-se que como amante das tecnologias, e profissional do ramo, me sinto lisonjiado por estar num país que investiu numa máquina feita cá, com componentes estrangeiros claro, mas até os automoveis Seat usam motores fabricados noutros países. Não posso é porém deixar de pensar que mesmo no ramo das novas tecnologias se calhar haviam passos mais urgentes, um deles como citei em cima, computadores a baixo custo para estudantes universitários.

E convenhamos, em breve vamos ter uma época alta no sector da reparação informática, porque tantas máquinas nas mãos de gente tão nova, e curiosa por natureza, vão dar muito lucro a muita loja por aí.

tarei a inzajerar?

 

Eu axo q os alunos n devem d xumbar qd n vam á escola. Pq o aluno tb tem direitos e se n vai á escola latrá os seus motivos pq isto tb é perciso ver q á razões qd um aluno não vai á escola. primeiros a peçoa n se sente motivada pq axa q a escola e a iducação estam uma beca sobre alurizadas.

Valáver, o q é q intereça a um bacano se o quelima de trásosmontes é munto montanhoso? ou se a ecuação é exdruxula ou alcalina? ou cuantas estrofes tem um cuadrado? ou se um angulo é paleolitico ou espongiforme? Hã?

E ópois os setores ainda xutam preguntas parvas tipo cuantos cantos tem ‘os lesiades’, q é um livro xato e q n foi escrevido c/ palavras normais mas q no aspequeto é como outro qq e só pode ter 4 cantos comós outros, daaaah.

Ás veses o pipol ainda tenta tar cos abanos em on, mas os bitaites dos profes até dam gomitos e a malta re-sentesse, outro dia um arrotou q os jovens n tem abitos de leitura e q a malta n sabemos ler nem escrever e a sorte do gimbras foi q ele h-xoce bué da rapido e só o ‘garra de lin-chao’ é q conceguiu assertar lhe com um sapato. Atão agora aviamos de ler tudo qt é livro desde oes até á idade média e por aí fora, qués ver???

O pipol tem é q aprender cenas q intressam como na minha escola q á um curço de otelaria e a malta aprendemos a faser lã pereias e ovos mois e merdas de xicolate q são assim tipo as pecialidades da rejião e ópois pudemos ganhar um gravetame do camandro. Ah poizé. tarei a inzajerar?

Isto e algo que me chegou por email, como sendo de um adolescente do nono ano de escolaridade, de uma escola nacional. Penso que seja apenas uma ficcao, mas de qualquer forma bastante realista, pois como isto esta hoje em dia, pode perfeitamente acontecer.

E em vez de fazer um post grande sobre o facilitismo das escolas, que pensei em fazer, depois do anuncio da taxa de reprovacao mais baixa dos ultimos anos em PT, deixo-vos com um blog novo e interessante, que falou sobre o tema, o Eufemismos

PS: Post em acentos nem c cedilhado por problemas com o teclado

 

Assaltos a chegar à nossa terra

Durante algum tempo, o «gang das almofadas» – nome de guerra por que ficou conhecido um grupo que assaltou vários estabelecimentos, colectividades e residências – utilizando um «pé de cabra», partindo as almofadas das portas, penetrando no interior e roubando pequenos objectos mas de muito valor, fez o pavor em Mafra. Um pouco adormecido ou utilizando outras tácticas, este grupo deixou de fazer das suas em grande escala para se dedicar a pequenos furtos de tabaco, bebidas e alguns trocos que os comerciantes deixavam nas caixas propositadamente abertas para evitar o vandalismo nas mesmas.

Mas agora o mesmo ou outro com as mesmas características volta à carga, e os assaltos a residências, estabelecimentos e colectividades estão na ordem do dia em Mafra.

Neste domingo, último dia de Agosto, a casa de um tio meu foi assaltada em plena vila de Mafra, (Avenida 1.º de Maio) ao fim da tarde. Juntamente com mais algumas casas do mesmo prédio onde vivem, perto do largo do Pelourinho, uma zona densamente povoada. As perdas monetárias são pesadas, mas as psicológicas ainda são maiores. Saber que uma criança de quatro anos está neste momento agarrada a uma almofada num sofá, a dizer apenas “Os maus entraram cá”, dói. Saber que durante muito tempo a casa que aquela família possui, a pagar com o suor do trabalho, e que é deles, não lhes vai parecer um santuário, como qualquer lar deve ser, dói. Um grupo, ou apenas uma pessoa, mas pronto, de animais que não sabem viver em sociedade roubaram o fruto do trabalho da vida de pessoas honestas, e assustaram durante muito tempo a vida dessa gente. Se não fosse minha família ficaria indignado, sendo da minha família, além de me indignar doi-me. Cada vez que a imagem mental do meu primo pequenino, agarrado à almofada a pensar nos «maus» que foram à casa dele, cerrasse-me os dentes em raiva. E depois começo a pensar na onda de violência que neste último ano tem crescido de forma imparável. Azar diz o Governo. Falta de integração social diz o Bloco de Esquerda. Eu por outro lado digo outra coisa.

Faz dia 15 de Setembro um ano da aplicação das medidas do novo código de processo penal, encaradas pelo nosso Primeiro-Ministro, o senhor José Sócrates, como de grande evolução humanista. Com isto mais de metade dos presos em prisão preventiva tiveram uma hipótese de sair em liberdade até serem julgados. Esta oportunidade foi concedida e, coincidência ou não, estranhamente aconteceu a grande vaga de crimes, especialmente assaltos, que apareceu neste ano. Lembrem-se que a oportunidade foi dada a alguns pedófilos, alguns outros casos mais ou menos mediáticos, mas na maioria dos casos foi dada a assaltantes, crime considerado menor. É menor roubar o pão da vida de quem trabalha? É menor meter as pessoas trabalhadoras deste País com medo de chegar a sua casa, paga com o suor do seu corpo, e a encontrarem vazia? Ou pior, correr o risco de ser assaltado com uma arma apontada à cabeça como aconteceu numa papelaria a semana passada em frente à escola Secundária José Saramago? É justo dar uma oportunidade de esperar em liberdade pelo julgamento, a pessoas que são apanhadas em flagrante delito, ou com provas fortes?

Achava mais justo tentar maximizar as oportunidades de crianças pequenas não terem de chorar ao ver o sítio que consideram lar e santuário violado. Aos pais que não têm de pensar em como recuperar, com o fruto do seu trabalho, aquilo que já tinham conseguido e lhes foi retirado por animais que ignoram todas as regras que nos permitem viver em sociedade.

10 de Junho – Dia de Portugal? Será realmente correcto?

Hoje é dia 10 de Junho. Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Em suma o nosso dia nacional. E porquê? Porque a certa altura algum iluminado resolveu dizer que este era o dia da morte, ou nascimento, do poeta Luís Vaz de Camões. E por isso, numa vaga de recriação de feriados, com o intuito de retirar os feriados religiosos e substituir por outros, logo após a revolução de 5 de Outubro de 1910, Lisboa, para manter uma festa não religiosa perto da data do Santo António, decretou esta data como feriado Municipal. Anos mais tarde durante o estado novo resolveram tornar a data mais forte ainda, associando-lhe o “Dia da Raça”, termo que foi usado de novo este ano por Aníbal Cavaco Silva, com polémica de pronto criada. Ninguém dúvida da importância deste poeta, mas é esta tanta ao ponto de fazer esquecer o dia da nossa independência?

Se perguntarem a qualquer pessoa de outra nação, eles provavelmente sabem o seu dia da independência, até porque é feriado, no entanto em Portugal não. O mais curioso é existirem feriados de revolução. Temos a revolução de 25 de Abril de 1974 marcada como feriado, temos a revolução republicana de 5 de Outubro de 1910 como feriado, e a restauração da independência como feriado do 1º de Dezembro. Ou seja temos a troca de regime duas vezes, e até a restauração da independência como feriados de estado, mas a data da independência deste rectângulo à beira mar plantado não.

Mas que data é esta a da nossa independência? Aí temos um pequeno problema, é que existem no mínimo duas. A data de declaração de independência, e a que mais me agradaria ter como feriado, é 24 de Junho de 1128 (e data em que abri este blog o ano passado, propositadamente para celebrar). Ou seja a data da Batalha de S. Mamede, onde D. Afonso Henriques defrontou as hostes galegas de sua mãe e venceu. A partir daí declarou independência e passou a assinar como Principe de Portugal. A questão é essa, ele não se declarou Rei logo aí, e só o viria a fazer em 1143, e à outra data que poderia ser tornada feriado.

A data é a do Tratado de Zamora, que põe fim à guerra da independencia portuguesa, e em que o Rei de Leão e Castela reconhece a nossa independencia, e D. Afonso Henriques como Rei de Portugal. E esta é a data que mais me choca, visto já ser na realidade feriado, mas não por este motivo. A data é 5 de Outubro, e porque não passarem a dar mais importancia a esta data que à implantação da Républica? Será que o regime é mais importante que a nação?