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	<title>A21 &#187; Hip-Hop</title>
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	<description>Retalhos de uma vida entre Mafra e Lisboa</description>
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		<title>Música de Intervenção II –  A parvoíce de Sam the Kid</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Mar 2010 19:45:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Este artigo vem no seguimento </em><a href="http://www.brunojacinto.com/a21/2008/03/15/msica-de-interveno-i-jos-carlos-ary-dos-santos/" target="_blank"><em>deste</em></a><em> publicado em 15 de Março de 2008.</em></p>
<p>Em Portugal existe uma longa tradição em música de intervenção, mais de meio século sob a égide de regimes totalitários, sendo deles  quase quarenta e seis anos de estado novo, no século vinte, fizeram as pessoas tentarem encontrar meios de dizer o que realmente pensavam. Foi duro, e com risco que homens como José Carlos Ary dos Santos, José &#8220;Zeca&#8221; Afonso, José Mário Branco, entre outros, escreveram, e cantaram músicas com enorme carga política, numa época em que tal poderia acarretar pesadas consequências.</p>
<p>Cantaram em nome da liberdade de vivermos numa democracia, e de podermos expressar as nossas convicções pelas palavras, e pelos actos. E nada mais forte numa democracia que o acto do voto. Isto foi ganho por jovens militares, revoltando-se contra o poder opressor que existia, arriscando as suas carreiras, a subsistência das suas famílias e em última instância, a sua própria vida. Arriscaram, quem sabe inspirados por palavras cantadas como as que Ary dos Santos escrevera, e ganharam para todos nós o direito e dever de votar, e a liberdade de nos expressar-mos sobre quem nos deve governar.</p>
<p>E o que fazem pessoas somo o &#8220;Sam the Kid&#8221;, um suposto músico dos nossos dias? Pedem para mandar-mos para o lixo o direito que foi conseguido com suor e sangue dos nossos pais, e agora para muitos já avós. Passo a citar uma <em>música</em> deste senhor:</p>
<blockquote><p>Yeah, não sou licenciado nem recenseado,<br />
com paciência, há-de aparecer alguém credenciado, com<br />
moral/<br />
Que me faça votar, me faça lutar, me faça notar,<br />
e faça esgotar a campanha eleitoral/</p></blockquote>
<p>Primeira prova de ignorância, logo a abrir. Em Portugal não é necessário ter qualquer tipo de formação académica, fora o alfabetismo, para ser eleito. Mais, neste momento um líder de partido, com assento parlamentar,  deputado, e ex-candidato a ministro de Portugal, não tem formação académica superior. Se os portugueses quiserem votar e elege-lo, estão no seu direito, tal como qualquer outro. E se não existem políticos com a visão que este cidadão tem, sempre pode tentar formar um movimento, e depois partido com as suas ideias. É a beleza da democracia. Tem a liberdade para isso.</p>
<blockquote><p>Por enquanto é só comédia, many manipula os média,<br />
que se excedem a assustar o nosso povo com medo/<br />
Eu não voto, eu boicoto, mas crio as horas nocturnas,<br />
sei qu&#8217;é o meu futuro, mas não vou acordar cedo/<br />
Pa pôr um voto nulo ao eleger um chulo ou um cherne,<br />
ou quem governe só com charme mas num mês dá um<br />
terno/<br />
e tropeçam, mal começam quando quebram a promessa,<br />
não me peçam interesse, vocês não se interessam/<br />
Eu não preciso de reflexão eu já, tou decidido,<br />
eu só voto na verdade e não a vejo em nenhum partido/</p></blockquote>
<p>Realmente, para que acordar cedo para colocar um voto nulo&#8230; É bem mais prático ficar a dormir em casa a dormir. Agora se repararmos bem está aqui a segunda barbaridade por falta de conhecimento  do senhor &#8220;Sam&#8221;. Mas faço o favor de lhe rectificar isso. Em Portugal as urnas estão abertas até as 19:00. Logo, se acha que acordar as 18:30 é acordar tarde, tem aí o seu impedimento como verdade, senão, é apenas mais um acto de ignorância da sua pessoa. E depois, para que votar branco, é melhor ficar na inacção. É esta a visão de &#8220;Sam&#8221;.</p>
<p>Sim, porque quando no fim do dia eleitoral o que se conta são quem ficou em casa, esses são os preguiçosos para se levantarem e votar. Os que protestam? Protesto é ir às urnas, e votar em branco, é dizer que estás contra qualquer destes projectos de governo deste país. É ver falta de qualidade em cada um dos lideres que se apresentam à eleição. Não o fiz muitas vezes, mas já votei em branco. Se não concordo o suficiente com ninguém, voto em branco, e fica expresso para toda a gente ver no fim do dia, a percentagem de portugueses que não se sentiram retratados em nenhum dos candidatos.</p>
<p>Ficar em casa a dormir, significa que não se quer saber da liberdade que os nossos bravos nos deram, e essa meu caro &#8220;Sam&#8221;, é uma intervenção bem diferente de ser um miúdo armado em rebelde.</p>
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