Nunca mais me esqueço do que li quando se soube da doença grave de Robert Jordan, ele pela sua própria mão colocou um texto expondo toda a situação no seu blog, que terminou com: “I’ll keep on writing until they nail down my coffin.”. E foi assim que o fez. Ainda recentemente afirmou que já tinha enviado mais de metade do último volume da saga Wheel of Time para a editora para revisão, e que acreditava que conseguiria acabar o mesmo antes de ceder à doença. Não o conseguiu, mas foi um Homem por tentá-lo sempre até ao fim.

Queria escrever algo de bonito aqui, para que as pessoas lessem mais da sua obra. Mas por agora não consigo, e apenas falo por alto do que sinto. Eu por mim li 12 livros dele, cada um deles com mais de 600 páginas, e alguns com mais de 900, sempre na sua língua o Inglês, como gosto de fazer, e adorei. Muitas vezes lhe ouvi apontarem criticas por estar a extender demasiado a sua obra, ou de ter demasiadas personagens principais. Mas era isso que eu gostava nele também, pois se gosto tanto das personagens, e do seu desenvolvimento, eram apenas mais coisas para ler sobre elas. Sei que ele era um cristão crente, coisa que para muitos pode ser um defeito, e apesar disso não era algo muito visivel na sua obra. Considerei-o dezenas de vezes o meu escritor vivo favorito, suplantando mesmo George Martin (muito mais cotado entre o “Fandom”), mas agora chegou a altura de ir competir com a liga mais importante, onde na minha memória lutarás entre Tolkien, Queirós, Pessoa, Salgari e tantos outros. Que a tua alma, como acreditavas que existisse, descanse em paz.

Para quem não conhece o Homem ou a obra, fique sabendo que era um Homem que nunca desistiu nem desanimou com a grave doença que teve, e que se propôs a acabar tudo o que tinha ainda, mesmo sabendo pelos médicos que era quase impossível sobreviver para acabar nem 10% disso. Morre de pé e com as botas calçadas, como todos os grandes homens! E para terminar, aqui fica algo que aparece em todos os primeiros capitulos da sua saga, e que espero que seja real para ele também:

“The Wheel of Time turns, and Ages come and pass, leaving memories that become legend. Legend fades to myth, and even myth is long forgotten when the Age that gave it birth comes again. In one Age, called the Third Age by some, an Age yet to come, an Age long past, a wind rose. The wind was not the beginning. There are neither beginnings nor endings to the turning of the Wheel of Time. But it was a beginning.” The Wheel of Time series

3 COMENTÁRIOS

  1. Tenho de admitir que não sou fã deste senhor, mas reconheço-lhe um mérito ímpar entre os seus colegas. Após encontrar o 1º volume da sua obra Wheel of Time, decidi lê-la. Custou-me um bocado pois tinha partes enfadonhas e arrastadas, mas não me arrependo de o ter lido. Este mestre exemplificou como se faz um grande épico, com uma escala tão alargada, com um pormenor tão completo e detalhado, e com personagens tão humanas e tridimensionais. Verdadeiramente uma das melhores mentes do mundo, um génio literário excelente.

    O mundo vai sentir a sua falta, tanto fãs devotos como leitores ocasionais.
    Rest in Peace, Robert Jordan.

  2. para me lembrar que apesar dele escrever como se fosse uma entidade divina…era um ser de carne e osso, imprimi a noticia da sua morte e colei-a no placard de noticias do meu quarto e da minha faculdade. Mesmo que nunca ninguém leia, ou mesmo que nunca ninguém seja suficientemente curioso para procurar saber quem ele é (sim, imortalizou-se) eu nunca vou esquecer. Lamento que quem tente continuar com o seu trabalho vá ter a vida muito dificultada e tenha de encarar um público extremamente exigente, pudera, estamos habituados ao melhor, logo esperaremos o melhor…
    não sei que mais diga…é sempre dificil dizer adeus, especialmente a alguém que me permitiu viajar por mundos onde nunca imaginei poder pisar…
    desculpem as reticencias… mas fica apenas:

    “There are neither beginnings nor endings to the turning of the Wheel of Time”

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