E eis que o tiro ressoa agora na Internet apenas

Posso dizer que muito do que sei hoje do fantástico, e do que conheço, foi fruto de amizade e de contacto pessoal com algumas pessoas muito especiais para mim, especialmente a partir de 2002. Para quem me conhece minimamente, sabe que a pessoa que mais me acompanhou nesse percurso, onde ambos crescemos, se bem que ela esteja num patamar muito mais alto que eu, foi a Safaa Dib, companheira de tantos projectos. Num desses projectos, apareceu um tal de Dragão Quântico, homem de palavra fácil, simpatia e sorriso marcante, e um projecto amador de grande qualidade, uma Fanzine. Nessa fanzine apareciam textos de amadores de todo o estilo, e num dos projectos que eu tinha com a Safaa, foi muito publicitado, e aí recolheu muitos novos autores. Essa colaboração deu alas a outras, e sempre com este Dragão na vanguarda.

Rogério Ribeiro de seu nome, Biólogo de profissão, é das pessoas que mais respeito no meio, provavelmente a que mais gosto mesmo, excluindo a Safaa, e acho-o um trabalhador genial. E por isso conseguiu erguer a Fanzine a um ponto muito alto, até que teve de a abandonar um pouco para ter tempo para outros projectos, mais concretamente o Fórum Fantástico (na altura Encontros Literários, na faculdade de Letras), e a Épica. Posso dizer que é das coisas que mais me orgulho neste meio foi ter sido convidado por ele para a fundação da, Épica, Associação Portuguesa do Fantástico nas Artes, e de ter podido ajudar, se bem que muito esparsamente, na organização de alguns destes eventos. Mas com o tempo passado, algo do género da antiga fanzine fazia falta, e a convite da Editora Saída de Emergência, foi lançada a revista Bang!.

Com edição impressa, e um profissionalismo maior, era o passo em frente seguro da antiga fanzine, e com uma qualidade invejavel. Porém hoje tive a triste noticia que a revista acabou a sua versão impressa, mas nem por isso parou. Continuará, agora de forma gratuita e em formato digital. E desenganem-se aqueles que pensam que tudo o que se faz em Portugal de borla é mau, pois este trabalho é profissional, de qualidade, e com um intuito forte de divulgar o género ao publico em geral. Continuarei sempre a seguir, até acabei de enviar o ficheiro para o PDA para o ler nos próximos dias por inteiro, e aconselho todos a fazerem download desta revista em formato digital. Acreditem, tudo o que vi até hoje com a assinatura Rogério “Dragão Quântico ” Ribeiro, é de alta qualidade.

Podem aceder à mesma, carregando aqui.

E do limbo, surgem guitarras em 2007

“The best rock and roll band left on the planet.” -Sammy Hagar, vocalista dos Van Halen

Depois do concerto dos Metallica, no Super Bock Super Rock, tive uma súbita vontade de voltar mais ao ambiente rico em guitarra que cresci a ouvir. Bandas como AC/DC, Metallica, Megadeth, Anthrax, Stone Temple Pilots, e claro Guns’n’Roses voltaram a ser a minha companhia, depois de alguns anos ligado a power/epic/afins metal. E posso dizer que me reencontrei musicalmente.

A zona que vai desde o hard rock até ao thrash metal é sem dúvida o meu lar musical. Mas em parte achei-o velho e vazio de novidades.
Muitas bandas extintas, outras que mais valiam estar extintas, outras a experimentar outros géneros, mas coisas novas nesta linha, com ideias e qualidade, não conhecia nada. E foi neste clima que meio do nada oiço uma noticia que uns tais de Velvet Revolver, citados como Hard-Rock, iam lançar o segundo álbum, e em anexo à noticia vinha um comentário do seu guitarrista, Slash. Mal li quem era o guitarrista, nada mais nada mesmo que o guitarra solo da época de ouro dos Guns, fui em busca de mais informação.

A banda é formada não por um, mas por três membros da época de ouro dos Guns, guitarra solo, baixo e bateria, e para melhorar ainda mais o cenário, o vocalista é o Scott Weiland, ex-voz dos Stone Temple Pilots. Logo tratei de arranjar o album, se bem que com muito medo que fosse algo típico de uma junção de reformados dos 80/90’s só para fazer dinheiro.

Felizmente estava enganado, e Libertad é para mim o melhor álbum de 2007, que é juntamente com o outro álbum da banda, Contraband de 2003, uma lufada de ar fresco no Hard-Rock. E conseguíram evitar o risco de colagem ao passado. A sonoridade não é a de Guns, nem a de STP, nem uma mistura rasca de ambas, é mesmo algo novo, é Velvet Revolver!

Dia de 1 Janeiro de 2008 – O Dia da Liberdade de Opção

Dia 1 de Janeiro este rectângulo à beira mar plantado foi alvo de uma lei que mudou drasticamente a vivência dos seus habitantes. Para muitos a liberdade de poderem finalmente estar num café sem levar com o tabaco dos outros, para outros uma restrição à sua liberdade, digna de um governo totalitário. No último texto que tinha colocado aqui já tinha referido que muitos portugueses sentiam que este governo estava a tomar medidas de alguma repressão, e totalitárias, será este mais um caso.

Por toda a rua, Internet e qualquer outro sítio onde possam expressar a opinião, fumadores de todas as idades e credos juram a pés juntos o seu civismo durante a todo o tempo que fumaram com a anterior lei. Sempre que fumaram, dizem, que pediram se podiam fumar a quem estava com eles. Eu muito raramente vi isso acontecer, mas pronto a questão é outra. Uma pessoa entra num bar, e como se sente afectada pela quantidade de fumo, os fumadores reparam e param de fumar. Sim, isto é apenas hipoteticamente, porque nunca vi algo deste género a acontecer, mesmo quando alguém tossia ferozmente. Mas pronto, os fumadores dizem que paravam de fumar, e voilá, tudo resolvido. Claro, porque toda a gente sabe que não existem nuvens enormes de fumo em qualquer bar/discoteca, ou mesmo muitas vezes restaurantes e pastelarias. Para eles é só parar de fumar naquele momento, e tudo está limpo. Claro que o bom samaritano fumador vem logo dizer que nas discotecas e bares nocturnos isto não faz sentido, porque as pessoas que frequentas estes meios ou estão habituadas ao tabaco, ou fumam. Será que eles nunca se lembraram que muita gente saía menos à noite por causa da suposta liberdade deles? Para mim liberdade sempre me foi ensinado que era ter os meus direitos, até ao ponto em que não afectava os direitos dos outros.

Mas esta lei peca especialmente por tardia, visto haverem hábitos muito enraizados na sociedade Portuguesa. Muitos fumadores, que apesar de tudo se encontram a cumprir positivamente a lei, queixam-se de tudo e de todos, até porque podem fumar menos. Um caso giro que vi foi um empregado na televisão a dizer que agora com isto, o governo vai-lhe baixar a produtividade no emprego, visto agora ter de fazer pausas de hora a hora, para fumar o seu cigarro. Será que o patrão dele apoia isso? Agora além do tempo que temos para ir à casa de banho e lanchar, justos na minha opinião, tem de se dar tempo para o cigarro? E quem não fuma, para compensar pode ter 5 minutos de hora a hora, para ir assobiar uma cantiga, se quiser? Facto positivo é a quantidade de pessoas que conheço que tomaram a decisão de deixar de fumar com a saída desta lei, e isso é uma grande vitória. Sim, porque em parte a lei também era para cortar o ciclo vicioso de que ir a um café era socializar e fumar, levando pessoas ao vicio do tabaco para poderem socializar.

E acima de tudo foi o dia em que a maioria silenciosa de portugueses perdeu a vergonha. Agora com esta lei, parece que finalmente acordaram e viram que não têm de tomar por medida com os vícios dos outros, e podem em sítios públicos viver na sua forma de vida, sem serem prejudicados pelas formas de vida de outros.

O ano de 2007

Hah, what luck
Fascism you can vote for

– Stone Sour

Bem, muito se pode dizer sobre o ano que passou, mas o que me fica mais na ideia, é algo que esta frase de um poema entoado pelos Stone Sour no seu álbum de abertura me faz pensar. Neste ano que passou muito se falou dos direitos e das liberdades, e pela primeira vez desde que me conheço, vejo quase diariamente pessoas em Portugal a queixarem-se do estado fascista em que foi parar Portugal. Isto apesar de ter sido um governo eleito democráticamente.

Obviamente não concordo que isto seja um regime fascista, até porque já por dezenas de vezes me insurgi pela forma como o termo fascismo é usado para qualificar toda e qualquer ditadura, e agora para qualquer forma totalitária de poder. Mas uma coisa é certa, no ano de 2007 muitas ocorrencias meteram as pessoas a pensar, desde as medidas impopulares do Governo em relação a tudo e mais alguma coisa, a sempre presente ASAE, e ao extremo de Jornalistas da RTP a receberem processos por expressarem opiniões contrárias ao governo, e até sindicatos a serem alvo de buscas da PSP em vespera de manifestações. Isto para não falar do professor que foi afastado por dizer mal do governo.

Será que em 2008 o clima de semi-totalitarismo irá mudar, ou será mesmo este governo de José Sócrates um Fascismo no qual se pode votar, como diz a citação com que iniciei este texto?

Espero que seja um bom ano, e é isso que desejo para todos, os que se deram ao trabalho de ler estas linhas, e aos que nem sequer alguma vez ouviram falar deste cantinho.