The_Children_of_Hurin_cover Sempre fui um pouco critico de Silmarillion, que muitos fãs de Tolkien veneram como a obra suprema do mesmo. Mesmo me considerando fã deste grande senhor, considero que nessa obra falta a sua voz, o que na realidade não é estranho, visto ser uma colectânea de apontamentos dele, revistos, reescritos e editados, pelo seu filho Christopher e Guy Gavriel Kay, este último mais tarde viria a tornar-se um autor, que eu particularmente aprecio no género. Apesar disso das duas vezes que li essa obra, uma em português e uma na língua original, gostei, mas faltou sempre a tal voz de Tolkien, que eu adorei tanto na trilogia Senhor dos Aneis, como no Hobbit, a minha obra favorita do grande mestre.

Para juntar ao facto de Os Filhos de Húrin ser também uma obra de edição, e reescrita em parte, de Christopher, baseado nos textos do seu pai, esta estória está também contida no Silmarillion, mas como um dos muitos contos alinhavados por alto. Todos estes factos me afastaram um pouco da compra do livro, mas sempre mantive a curiosidade, e fui dizendo que se algum dia mo emprestassem, acabaria por ler. Isso não veio a acontecer, mas melhor ainda, foi-me oferecido no Natal, ainda por cima inesperadamente, e por uma pessoa especial.

Andava numa estranha sabática literária desde o Verão de 2007, e cada livro que começava dificilmente acabava, tal como a minha vida bloguistica, andava meio em baixa. No início de 2008 peguei neste livro então, e para me ajudar nas viagens diárias entre Mafra e Lisboa, foi eleito para me acompanhar. Em três dias foi lido de uma ponta à outra.

A história é negra, isso já sabia, mas de uma beleza rara. A luta de um homem amaldiçoado aquando do seu desafio a um grande poder levou a uma maldição sobre a sua casa, na qual dizia em que tudo o que os seus filhos fizessem, seria condenado ao fracasso. As suas boas decisões encontrariam sempre um azar para as minar, os seus bons companheiros pereceriam, e nunca conseguiriam ser felizes em lado nenhum. E que apesar da sua grande força seriam sempre perseguidos sobre a sombra negra que cairia sobre o seu destino.

E é assim que seguímos toda a vida dos seus dois filhos, muito especialmente de Turín Tarambar. Grande entre as raças amadas pelos Valar, forte, astuto e corajoso, Turín vive a sua vida sempre com a sombra negra do seu destino. Mais não quero revelar, até porque vale a pena lerem por vocês. Mas o dialogo entre Morgoth e Hurin, é algo de genial, e que tem todos os traços de um verdadeiro diálogo de J.R.R. Tolkien, coisa que senti muita falta no Silmarillion.

Para quem gosta de boa fantasia, e mesmo para quem apenas gosta de desfrutar um bom livro, é algo a ler.

2 COMENTÁRIOS

  1. Fico feliz de teres gostado do livro e mais ainda por ter contribuído, de alguma forma, para o fim desse período sabático de leitura.

    E espero um dia poder entender e reconhecer essa “voz” de Tolkien de que falas.

  2. Tu és é um granda menino pá!
    Silmarillion rulla pa caraças ó seu Principe de Mafra desnaturado!
    Mas sim, é uma estória gira, de facto. Mas gostava mais de ver publicado um livro que contasse em pormenor a balada de Beren, o Maneta e Lúthien, Filha de Melian e Thingol, isso sim, seria grande de valor.
    Abraço, dos não ronronantes.
    XD

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