Pedro Tomás subscreve:

«Uma geração que transforma a saúde de cada um na questão principal e obsessiva do dia-a-dia é uma geração sem causas e profundamente egoísta. É a mesma geração em que as mulheres não têm filhos para não estragarem a linha e a carreira, em que os políticos vivem deslumbrados com o que os fazedores de imagem lhes mandam fazer e se sentem obrigados a praticar desporto em público e fumarem às escondidas, em que os que se tomam por vedetas públicas correm a anunciar às ?revistas sociais? que têm um novo amor, com medo que a gente pense que estão sozinhos (como se não estivéssemos quase todos?), em que os ricos perderam qualquer vergonha e vivem nas «off-shores» e nas fundações para fugirem ao fisco e os banqueiros recebem fortunas para se irem embora e pararem de roubar os accionistas. Esta é a cultura que está no poder, agora. Não admira que grande parte do mundo seja governada por simples oportunistas.»
Miguel Sousa Tavares, Expresso

Realmente senhor Tavares, ou Pedro Tomás pois será mais provável que leia o que escrevo que o senhor Tavares, o que fazia falta era aquelas gerações antigas de grandes pensadores, de cara amarelada pelos anos, cabelo desgrenhado pelos anos, e cigarro na mão enquanto seguíam para mais uma discussão filosófica e melancólica da qual só saiam opiniões, e poucas acções. Mas estranhamente, fora a parte do café que onde nunca vi o senhor Tavares, todo o resto da descrição assenta-lhe que nem uma luva. O seu aspecto parece cada dia mais com um de um texto de Cesário Verde, e a sua decadência mais óbvia. Mas porque tudo isto? Porque todo este ressabianço de as pessoas cuidarem da saúde? Será por ter sido proibido de fumar o seu cigarro para cima das outras pessoas? É que nos dias a seguir à nova lei do tabaco ter entrado em vigor, muito o autor do Equador veio refilar com a intrusão do estado na saúde das pessoas, e agora vai mais longe, e critica as pessoas por acharem uma prioridade na sua vida a saúde. E sim, ele refere saúde, mas depois tenta apenas criticar o aspecto. Meter tudo no mesmo saco é um truque antigo de Miguel Sousa Tavares, e muitas vezes também feito aqui pelo senhor Pedro Tomás, em seu blog. Não que sejam parecidos, pois um é afirmativamente PS, e eternamente candidato a candidato a algo, e o Miguel Sousa Tavares é conhecido pelo seu direitismo CDS-PP, se bem que sempre contra toda e qualquer liderança, pois não têm exactamente a mesma ideia que ele. Claro que para mim o partido de Miguel Sousa Tavares é o Umbiguismo… mas isso são contas para outro rosário.

Mas porque não separar os argumentos todos, e tentar ver quais os bons, e os maus (segundo a minha opinião claro).

Uma geração que transforma a saúde de cada um na questão principal e obsessiva do dia-a-dia é uma geração sem causas e profundamente egoísta.

Ambíguo, mas acho que uma geração que transforma a saúde como sua prioridade, é uma geração que provavelmente dura mais anos e mais saudável. Não vejo mal nisso. E se viver mais tempo, tem mais tempo para se dedicar às causas que segue. E acho o tempo gasto no ginásio muito revigorante para a mente, pois quando lá estou na solidão do exercício, muito penso e reflicto. Ou só se pode reflectir na ponta de um cigarro?

É a mesma geração em que as mulheres não têm filhos para não estragarem a linha e a carreira

Pois é meu caro, as mulheres já não têm de ficar em casa a tomar conta dos filhos, e agora só os têm se quiserem, e não porque o marido assim deseja. Realmente, que mau…

em que os políticos vivem deslumbrados com o que os fazedores de imagem lhes mandam fazer e se sentem obrigados a praticar desporto em público e fumarem às escondidas,

Os fazedores de imagem acham que eles terem uma imagem saudável é aconselhável. Mais ainda, pensam que o público começa a achar que quem fuma, ou seja se auto-destrói com um prazer que normalmente começa apenas como uma forma de mostrar ao amigos que é fixe, é alguém com menos capacidade para gerir a vida de todos. Realmente, um tipo de suicida lento é o gajo ideal para nos governar. Os fazedores de imagem não repararam nisso. E pior, o público também prefere quem não o faz. Mas espera, não era o país que apoiava todo a “liberdade” dos fumadores? Parece que não…

em que os que se tomam por vedetas públicas correm a anunciar às ?revistas sociais? que têm um novo amor, com medo que a gente pense que estão sozinhos (como se não estivéssemos quase todos?), em que os ricos perderam qualquer vergonha e vivem nas «off-shores» e nas fundações para fugirem ao fisco e os banqueiros recebem fortunas para se irem embora e pararem de roubar os accionistas. Esta é a cultura que está no poder, agora. Não admira que grande parte do mundo seja governada por simples oportunistas.»

Esta parte concordo, quase na totalidade. Que raio, parece que o Sousa Tavares sabe mesmo escrever. Deixou para o fim os argumentos decentes, e com algum sentido, para depois ser isso que fica na memória, e o leitor mais rápido e desatento possa ficar com a ideia que tudo o que o senhor diz faz sentido, e que realmente a saúde é mau. Espera, isso não pode ser considerado oportunismo? Não deve ser. Pois não seria capaz uma pessoa que nunca usou a imagem e o nome de uma mãe que era escritora genial, nem usou um espaço de comentário numa televisão sensacionalista, para conseguir chegar ao público geral com um par de romances, que se tornam best sellers imediatos. Isso não é oportunismo, são coincidências.

Mas pronto, ter saúde é mau…

2 COMENTÁRIOS

  1. Que engraçado, ainda hoje também estive a dizer mal do Sr.MST.
    Na minha opinião este senhor está a tornar-se num velho do restelo. É um jornalista de secretária que se levanta da cadeira para se ir sentar noutra, mas esta à frente de uma câmara de televisão. E por estar nesse lugar, acha que qualquer que sejam as suas opiniões são levadas como sérias, sensatas e importantes, quando são tudo menos isso. Este senhor não tem o bem público como objectivo, mas sim o bem pessoal. Lembro-me muito vivamente de o ver e ouvir a dizer, acerca da proibição do tabaco, que ele nunca iria cumprir essa lei. É um pouco chocante ver um comentador de um telejornal com grande audiência incitar as pessoas a desrespeitar a lei do país em que vivem. De facto, não é um cidadão-modelo, e vou mais longe e dizer que não é exemplo para ninguém. Tal como a estação televisiva em que está incluído.

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