Um ano, ou deverei dizer novecentos e oitenta anos?

Faz hoje um ano que inaugurei este blog, escolhendo uma data que me diz muito, o dia em que a nossa nação passou a existir de facto, o dia da Batalha de São Mamede, onde as tropas do condado Portucalense chefiadas pelo então jovem D. Afonso Henriques repeliram as forças de Leão, vindas da Galiza. Mas dessa data falarei noutra altura.

Quando iniciei este blog não sabia bem o que esperar dele. Sabia que desde à muitos anos andava demasiado ligado a Lisboa, e menos a Mafra, e às terras que a rodeiam, e neste ano tudo mudou. Criei isto numa altura complicada da minha vida pessoal, com muitas mudanças, e hoje considero que estou melhor, mais forte, mais vivo. A regularidade deste blog foi tudo menos impressionante, mas as estatísticas deixam-me satisfeito. As pessoas chegam muito aqui via motores de busca, o que mostra que privilegiar os artigos mais longos não é uma aposta totalmente errada, mesmo que isso seja pior para fixar leitores. Ao fim de um ano quase três mil pessoas diferentes passaram aqui, o que me deixa feliz, se bem que não é nem de perto nem de longe o site que fiz com mais visitas. No entanto a estatística tempo de permanência por visita me deixa agradado, pois em média quem aqui chega raramente fica menos de um minuto, e muitos deles passam bem mais, o que prova, pelo menos em teoria, que acabam por ler. E ver que os textos sobre Ary dos Santos e sobre o Hino da Maria da Fonte são dos mais visitados, e que atraem muita gente via google, deixa-me feliz, e a pensar que mesmo que pouco, por vezes fiz algum serviço público.

Polémicas tive poucas, fora um caso com o Pedro Tomás, a quem deixo desde já um convite renovado para o tal café, que por calendário apertado nos últimos meses para mim tem sido impossível. Mas que conto ter em breve algum, até porque posso demorar, mas não esqueço, e uma conversa para falar de ideias sobre a vila, e o futuro sabem sempre bem.

Espero continuar por muito tempo a escrever neste cantinho, do qual hoje já conheço a voz. Obrigado a todos os que me leram, concordando ou não comigo.

10 de Junho – Dia de Portugal? Será realmente correcto?

Hoje é dia 10 de Junho. Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Em suma o nosso dia nacional. E porquê? Porque a certa altura algum iluminado resolveu dizer que este era o dia da morte, ou nascimento, do poeta Luís Vaz de Camões. E por isso, numa vaga de recriação de feriados, com o intuito de retirar os feriados religiosos e substituir por outros, logo após a revolução de 5 de Outubro de 1910, Lisboa, para manter uma festa não religiosa perto da data do Santo António, decretou esta data como feriado Municipal. Anos mais tarde durante o estado novo resolveram tornar a data mais forte ainda, associando-lhe o “Dia da Raça”, termo que foi usado de novo este ano por Aníbal Cavaco Silva, com polémica de pronto criada. Ninguém dúvida da importância deste poeta, mas é esta tanta ao ponto de fazer esquecer o dia da nossa independência?

Se perguntarem a qualquer pessoa de outra nação, eles provavelmente sabem o seu dia da independência, até porque é feriado, no entanto em Portugal não. O mais curioso é existirem feriados de revolução. Temos a revolução de 25 de Abril de 1974 marcada como feriado, temos a revolução republicana de 5 de Outubro de 1910 como feriado, e a restauração da independência como feriado do 1º de Dezembro. Ou seja temos a troca de regime duas vezes, e até a restauração da independência como feriados de estado, mas a data da independência deste rectângulo à beira mar plantado não.

Mas que data é esta a da nossa independência? Aí temos um pequeno problema, é que existem no mínimo duas. A data de declaração de independência, e a que mais me agradaria ter como feriado, é 24 de Junho de 1128 (e data em que abri este blog o ano passado, propositadamente para celebrar). Ou seja a data da Batalha de S. Mamede, onde D. Afonso Henriques defrontou as hostes galegas de sua mãe e venceu. A partir daí declarou independência e passou a assinar como Principe de Portugal. A questão é essa, ele não se declarou Rei logo aí, e só o viria a fazer em 1143, e à outra data que poderia ser tornada feriado.

A data é a do Tratado de Zamora, que põe fim à guerra da independencia portuguesa, e em que o Rei de Leão e Castela reconhece a nossa independencia, e D. Afonso Henriques como Rei de Portugal. E esta é a data que mais me choca, visto já ser na realidade feriado, mas não por este motivo. A data é 5 de Outubro, e porque não passarem a dar mais importancia a esta data que à implantação da Républica? Será que o regime é mais importante que a nação?

Metallica continuam vivos, Machine Head a surpresa

Nada bate a energia e a qualidade de uma banda como os Metallica, a levarem ao rubro dezenas de milhares de pessoas, e na passada quinta-feira, no parque da Bela Vista em Lisboa, eu fui um dos privilegiados que sentiu de novo isso na pele. Um dia de Rock in Rio ao mais alto nivel, mas que nem por isso começou genialmente.

Consegui mais um amigo chegar bem à frente, cerca de 15 metros do palco, para o primeiro concerto, já perto das 19 horas. Os portugueses Moonspell eram a banda alinhada para começar a festa, e tentou firmar ali os seus créditos reconhecidos nacional, e internacionalmente. E falharam. Cada vez que tocavam bem uma música, e animavam o público, vinham logo de seguida com “mambo jambo” gótico, e estragavam o ambiente todo. Será que eles não percebem que frases como “Para os seres da noite, nunca é dia mesmo quando o sol vai alto”, ou “E agora para os amantes da noite e da lua, verdadeiros adoradores da musica eterna que é o metal”, são do mais puro ridículo? Talvez nos círculos góticos as pessoas achem piada a isso, mas quem tem alguns neurónios funcionais, duvido. Claro que se fosse dito com uma voz de gozo teria piada, mas assim… Como algumas músicas medianas, colmatadas com uma ou outra boa, perdem totalmente o seu valor pela patetice das palavras. Mas pronto, foi só para começar.

Quando a noite se preparava para aparecer, chegaram os Apocalyptica. Estes finlandeses surpreenderam o mundo à uns anos atrás quando lançaram o seu primeiro álbum, onde tocavam Metallica mas num quarteto de violoncelos. O virtuosismo da banda é inegável, mas tinha muito medo em relação à prestação ao vivo, especialmente num ambiente de festival de verão desta dimensão. Mas não tinham razão de ser estes medos, a banda finlandesa não desiludiu, e cumpriu, apesar de ter levado o publico ao rubro apenas quando tocaram covers de Metallica. Mas num dia que era dedicado aos Metallica, não seria estranho.

E a noite começa a avançar, e o público cada vez mais ansioso por Metallica, mas quem surge são os Machine Head. E que recepção eles tiveram. Assobios, gritos por Metallica, e muita gente a cantarolar a música com  que os Metallica abrem os concertos. O vocalista sorri, não dá parte fraca, e começa a sua actuação, com muita força e espírito. Entre a primeira e a segunda música, os gritos por Metallica e os assobios voltam ainda mais fortes. Muita gente poderia esperar uma má reacção da banda em palco, mas com um sorriso na cara apenas dizem que também são fãs de Metallica, e que é a maior honra que têm poderem estar com eles em palco. Na passagem de músicas seguintes o nivel de contestação sob os Machine Head, e pedidos de Metallica, baixaram, e a banda a pulso ia ganhando o público. Até ao ponto em que o vocalista já estava quase em lágrimas, e a dizer que nunca tinha visto um público como o nosso, e que voltaria em breve, mesmo que não fosse para tocar, estaria no meio com todos nós. Eu que não gostava de Machine Head, saí dali com uma simpatia pela banda, a qual até estou a ouvir neste momento. A quantidade de energia despendida pelo publico, foi altíssima, mesmo ao nível do magnifico concerto de Metallica no Super Bock Super Rock o ano passado, e isso veio a verificar-se depois.

Ao entrar no palco os Metallica mostraram que vinham de novo para incendiar Lisboa, começando por uma sequência de músicas rápidas e agressivas para levar logo tudo ao extremo logo de inicio. Resolveram pegar em algumas músicas não tão do agrado dos fãs, sempre mantendo a alternância com as mais conhecidas, para evitar repetir a genial set list do ano passado. E aprovo isso, porque a variedade também é importância. Mas isso em conjunto com o cansaço de largos sectores do público pela actuação muito forte de Machine Head, notaram-se e o público não puxou tanto como no ano passado. Adorei o concerto este ano, foi uma noite magnifica. No geral acho que foi um concerto melhor ainda que o do ano passado, pelo todo, mas infelizmente tenho de reconhecer que no ano passado os Metallica foram mais longe. Não que os culpe a eles só, porque claramente que ainda estão em forma, e com muito a dar. Mas a força do público, numa quinta a noite, ressentiu-se.

Uma grande noite! Quem nunca foi a algo como isto, e especialmente quem nunca viu Metallica ao vivo, tente fazê-lo o mais cedo possível. Vale a pena!