Death Magnetic – O retormo dos pais do Thrash

Death MagneticExiste muita discussão sobre qual a melhor banda disto, e daquilo. Qual a melhor banda deste e daquele estilo de Metal, mas na realidade, e por muito que custe aos fãs das outras bandas, a mais conhecida por todo o mundo, e a que mexe são os Metallica. Foram a primeira banda de Metal a atingir o top de vendas geral, e entrou a todo o gas, tanto no circuito comercial como no dos grandes concertos. Claro que os puristas de Maiden dizem que estes são mais antigos no Metal, os amantes de Slayer que estes são melhores que Metallica, mas isso são apenas dados subjectivos, os factos são os anteriores. Mas chega de falar do que os Metallica atingiram no passado, porque esse foi um dos grandes problemas deles desde que assinaram com o produtor Bob Rock.

Bob Rock tinha chegado aos Metallica após o grande êxito do album …And Justice for All, que tinha chegado ao numero 6 do top da Billboard de vendas, record para Metal na altura, e preparou com eles o album Metallica, muitas vezes conhecido como Black Album. Esse algum foi o maior sucesso de uma banda de Metal até à altura, atingindo pela primeira vez o primeiro lugar de vendas nos estados unidos, para uma banda deste género musica, e abrindo definitivamente o mercado para o género. Mas nem tudo são rosas. O estilo dos Metallica ainda estava lá, alguma músicas eram puramente geniais, mas algo estava a mudar. Muita gente considera este um dos maiores albuns de sempre de Metallica, não eu, mas ao mesmo tempo era o inicio da mudança.

Isto foi em 1991, e nunca mais a banda conseguiu reconciliar-se a cem por cento com os fãs. Continuavam os mesmos animais de palco ao vivo, continuaram a encher plateias, estádios e festivais, mas os trabalhos lançados, por muita qualidade que tivessem, não eram bem aquilo que eles tinham sido. Tome-mos os exemplos de Load e Re-Load, álbuns que aprecio bastante, mas que me parecem Hard Rock, não aquele estilo novo que tinha aparecido com os Metallica, o Thrash. Algumas outras experiências, muitas brincadeiras, e para acabar a festa, em 2003 sai o St. Anger. Como qualquer álbum de Metallica desde o Black, conseguiu abrir logo em primeiro lugar as vendas, o nome deles faz isso, mas os fãs chegaram ao limite com Bob Rock, o produtor. Muita gente dizia que ele era a influência que fazia a banda andar às voltas, e sem voltar a fazer daquele tipo de material que os tinha feito grandes, e no cumulo, apareceu uma petição online a pedir a demissão de Bob Rock. Mais de vinte mil pessoas assinaram a petição, a pedir a saída do produtor, que também tocou baixo durante St. Anger, e este acabou por sair. Para o novo album foi contratado Rick Rubin, que tinha produzido coisas tão dispares como o Reign in Blood dos Slayer, ao Californication dos Red Hot Chili Peppers, e disse desde logo que ia tentar que os Metallica fossem livres para voltar às bases.

No outro dia quando tive acesso ao álbum, e o meti no carro para ir até ao trabalho, o sorriso crescia a cada nova música que passava. Uma sonoridade mais aguda, mais rápida, que me fazia lembrar tanto o bom velho Ride the Lighting, que já tinha passado à uns anos os vinte anos de produção. Refrescante ao mesmo tempo, musicas realmente novas, mas nas matrizes antigas. Longas, sem preocupações para ficarem bem para passar em rádios, com extensos solos de guitarra, e com bateria a acompanhar desinibida agressiva, forte. Letras duras, criativas, estranhas e ao mesmo tempo acertadas. Liberdade e alegria a transparecer na voz do James enquanto cavalga até ao culminar do album numa brutal My Apocalypse, ao bom velho estilo de Seek and Destroy e Whiplash. Isto é Metallica meus amigos, não é cá algo feito para vender bem, e parecer bonito. São eles, ao seu melhor e mais puro nivel. Um album que os fãs pediam desde 1989, e que nunca tinham tido, e que nunca esperavam que fosse possivel eles voltarem a fazer. Eu ficaria satisfeito com um novo album de Metallica, de qualidade média como tinham feito nos últimos tempos. Agora percebo o quão errado estava, e quero mais e melhor, porque eles ainda são capazes. Black album, recua lá mais uns pontinhos, porque este é claramente melhor, um dos melhores albuns que já ouvi, e melhor álbum novo que oiço desde o Nevermind dos Nirvana, que já conta 17 anos de ediçao, visto ter sido publicado em 1991.

Só tenho a dizer, obrigado Rick Rubin, obrigado Metallica!

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