Muito se tem lido e escrito sobre o Magalhães. Desde a sua originalidade de conceito, fabrico e montagem de componentes, escolha de sistemas operativos, e todos os pormenores técnicos e políticos de que se lembraram. Mas para mim ainda ficaram muitas perguntas por fazer, ou simplesmente ainda não as vi colocadas em lado nenhum.

E para ser mais característico, vai em forma de lista.

  • Porque Magalhães? De tantos nomes sonantes e grandiosos na nossa história, alguns deles nomes reconhecidos pelo mundo inteiro, porque dar o nome de alguém que no seu tempo traíu a Pátria, mesmo que com isso tenha feito uma enorma façanha? Porque não Albuquerque, do grande Afonso, o Vice-Rei que fez mais pelo País que muitos Reis…
  • Não vou cair em hipocrisias, trazer a informática o mais cedo cedo possível aos mais novos, vai sem dúvida potencia-los. A questão para mim é outra, porque dar portáteis a baixíssimo custo a crianças de 6 anos de idade, quando alunos Universitários não os têm muitas vezes, e em certas faculdades (honra aqui ao Instituto Superior Técnico que sempre teve todos os recursos que pude querer) se vêm aflitos para poder comprar uma máquina que necessitam para se preparar, para a entrada eminente no mercado de trabalho?
  • Será que dar portáteis que são vendidos nas FNAC’s por mais de 250 euros, e que são excelentes máquinas para acesso ligeiro à Internet, a crianças de famílias com dificuldades, não irá trazer um mercado paralelo de revenda destas máquinas, oferecidas originalmente às crianças, e potencialmente revendidas pelos pais? Porque não colocar alguma forma de registo fisico nas máquinas que forem oferecidas, nem que seja com algo gravado?

Note-se que como amante das tecnologias, e profissional do ramo, me sinto lisonjiado por estar num país que investiu numa máquina feita cá, com componentes estrangeiros claro, mas até os automoveis Seat usam motores fabricados noutros países. Não posso é porém deixar de pensar que mesmo no ramo das novas tecnologias se calhar haviam passos mais urgentes, um deles como citei em cima, computadores a baixo custo para estudantes universitários.

E convenhamos, em breve vamos ter uma época alta no sector da reparação informática, porque tantas máquinas nas mãos de gente tão nova, e curiosa por natureza, vão dar muito lucro a muita loja por aí.

3 COMENTÁRIOS

  1. .1: good point.
    .2: better point. o tão badalado PTE só contempla em equipamentos os alunos do básico e secundário, professores e alunos do programa novas oportunidades. faria todo o sentido envolver também os alunos do ensino superior, que precisam de acesso à tecnologia com mais urgência do que os do básico e secundário, uma vez que nestes escalões a medida é mais de longo prazo do que curto prazo.
    .3: Não impossível, mas difícil. o acesso ao classmate/magalhães é gerido pelas secretarias e gabinetes de acção social das escolas, com a entrega do portátil interligada com a matrícula do aluno e escalão de ASE. mas os portugueses são muito espertos para a malandrice.

    Last but not least, o Classmate/Magalhães inclui imagens de disco – no caso do linux, sem que o restauro afecte documentos produzidos pelos donos do computador, e em pen (!) no caso do WinXP. Antes de dar um lucro às lojas de informática, vão dar dores de cabeça aos professores titulares de turma e, por extensão, aos coordenadores tic das escolas…

    A ver vamos, pessoalmente estou muito curioso para ver os efeitos a longo prazo desta medida. Será que McLuhan tinha razão e que as tecnologias que utilizamos modificam as nossas estruturas mentais?

  2. 1º Check.

    2º Bolas, estava a ver que ninguém pensava como eu em relação a este aspecto. Ai o jeito que me dava ter um portátil com um acesso porreiro à net para utilizar na faculdade e em casa, evitando assim as discussões todas que tenho com o meu pai acerca do horário de utilizaçãodo PC para pesquisas na net em casa.

    3º Antes de vir viver para Lisboa, ou seja, há cerca de um ano e 2 meses já se falava do PTE e dos portáteis a preço da chuva nas escolas. Numa das conversas que me calhou ter sobre isso, vários antigos colegas de escola que iam entrar para o 10º ano falavam em comprar o portátil ao preço da chuva e revendê-lo a um preço mais alto.
    Se o fizeram ou não, não o sei porque nunca mais estive com eles, mas a verdade é que já assim se pensava quando começou o PTE.
    Abraço, Bruno.

    Kerhex

  3. Tens razão nos primeiros dois pontos, embora não total quanto ao Magalhães, que foi o rei quem rejeitou. Seja como for, seria sem dúvida mais adequado um Gama (se bem que soar algo como termos a gama Gama fosse um pouco risível, lol), e eu sugeriria um Afonso, nome do nosso primeiro rei e primeiro nome do Albuquerque.

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