Ainda pensei colocar esta citação apenas como uma Grande Frase, mas depois reconsiderei e aproveito-a para tecer algumas considerações. O Homem citado é Douglas Adams, pioneiro do melhor Nonsense, e logo virado para a ficção cientifica, de sempre, na minha pobre e humilde opinião.

Qualquer pessoa com a capacidade conseguir fazer-se eleito presidente não deveria ser autorizado a exercer esse cargo.

Anyone who is capable of getting themselves made President should on no account be allowed to do the job.
  – Douglas Adams

Existem politicos que pela sua personalidade, força ou juventude conseguem com alguma facilidade assumir o poder, e de forma muito mediatica, sem precisarem sequer de realmente explicar as suas medidas e como as tencionam cumprir. Tenho presentes três exemplos bem recentes de casos desses. Primeiro José Socrates em Portugal, jovem desportista, sorridente e com discurso de mudança.

Muita fala, muito palavreado, mudança, mudança mudança. Abolir o código de trabalho da maioria anterior, baixar os impostos, corrigir as injustiças sociais, modernizar e investir na educação. Na prática disto viu-se pouco, fora tentativas de parcerias com empresas estrangeiras e nacionais para tentar desenvolver o nosso plano tecnológico. Além de ter para mim a maior cara de pau da politica portuguesa, pois se nos últimos dez anos só não esteve com lugar no governo durante dois, dizer que tudo o que está de mal no país é herança de outros é… hipócrita no minimo.

Depois temos Nicolas Sarkozy. Jovem, desportista, e mais um sorridente. Mais uma vez mudança, dignificar a politica francesa, restaurar a confiança na europa, e recuperar a economia francesa. Pois… dignificar a politica francesa com a quantidade de casos de jornais cor de rosa, onde ele se meteu, não é lá muito a meu ver. A economia francesa não melhorou, com culpas da crise mundial sem dúvida, mas esta já estava em curso quando ele fez as suas promessas. Nota de destaque contudo para as suas posições durante a crise da Ossétia do Sul, onde acho que foi o lider mundial com melhor atitude, e onde liderou a Europa para uma posição bem pensada e calculista.

Agora temos Barak Obama. Jovem, sorridente e desportista. Mais um para as contas. Prometeu a mudança. Prometeu mundos e fundos, mas sem conseguir explicar bem com factos como conseguira levá-los a bom termo. Meteu metade dos politicos da Europa a seu favor, desde a mais radical extrema esquerda Portuguesa, Bloquista pois claro, a muito do PSD, partido de centro direita que será o mais parecido em Portugal ao Partido Democrata Norte Americano. Meteu Chavez e Fidel a falarem bem de si, tal como lideres de todos os quadrantes do mundo. Será que quando começar a agir, metade do mundo não ficará a pensar que não era isto que queria. Sim, porque fazer politicas para agradar a toda a gente, ou seja aos dois lados da barricada, é virtualmente impossivel. A não ser que adopte a lógica Guterrista de simplesmente não fazer nada, para não chatear ninguém. Mas ai seria pior a emenda que o soneto.

Eu como alguém que gostaria de ter visto Giulianni ou Hilary Clinton na presidencia, senti-me logo derrotado após as primárias norte americanas, mas espero sinceramente que este presidente seja bom para os Estados Unidos, e egoistamente que as suas politicas tenham bom impacto na economia Portuguesa em particular e europeia no geral. Boa sorte, e que seja uma mudança pela positiva e não apenas cosmética.

2 COMENTÁRIOS

  1. Mensagem de S.A.R. Dom Duarte de Bragança, de 1 de Dezembro de 2008

    Portugueses:

    No 1º de Dezembro de 1640, os nossos antepassados devolveram Portugal aos Portugueses. Souberam responder à crise do seu tempo, lutando pela nossa independência. Hoje, olhamos para o nosso país, e vemos que se acentua a dependência externa e a obediência a directivas quantas vezes alheias à nossa própria vontade.

    Anunciam-se dias difíceis. Parece evidente que 2009 será pior que os já duros anos recentes, particularmente para os mais desfavorecidos. É nos momentos de provação que se testa a alma de um povo. Para enfrentar a crise e manter a coesão social devemos invocar os valores espirituais da nossa cultura e vivermos em coerência com a nossa identidade e tradição. O reforço dos laços familiares, o sentido de comunidade e de povo são atitudes urgentes e decisivas em alturas como esta.

    Enfrentámos muitos problemas terríveis ao longo da nossa História, que o nosso ânimo conseguiu ultrapassar. E daqui apelo aos instintos de iniciativa e solidariedade, de generosidade e de engenho.

    É preciso ampliar a visão, ensaiar ousadia, e confiar a nós mesmos a garantia de desenvolvimento sustentado.

    Vivemos uma ocasião propícia para rever as nossas prioridades. Devemos aprender a viver melhor consumindo menos, poupando os recursos limitados do nosso planeta. Para isso é importante apoiar a acção pedagógica de cientistas e organizações ambientalistas. Somos o país europeu com a menor percentagem de filiados nestes movimentos, que mereciam mais representação parlamentar.

    A hora é de investir no povo português. As grandes opções para o nosso desenvolvimento têm agora uma oportunidade única para alterarem o rumo. Em vez de se deixar bloquear por falta de critérios técnicos ou por pressões de interesses, o Estado, o sector privado e as associações devem dar as mãos para ultrapassarmos as dificuldades. Queremos medidas mais justas e mais equitativas, e não apenas declarações que chegam tantas vezes tarde demais…

    Como disse, a hora é de investir no povo português. É o que têm feito as famílias portuguesas que, com muito sacrifício, apostam na educação dos seus filhos. A qualificação dos jovens é indispensável e os movimentos de professores e de pais clamam por melhor Escola, em programas de ensino adequados, e pela dignificação e respeito pela missão dos professores.

    A hora é de investir na terra portuguesa. É o que têm feito os agricultores que se recusam a abandonar a terra, contrariando as directivas desencontradas e a concorrência desleal por parte de outros países onde são muito mais apoiados. Portugal não precisa apenas de uma política de comércio livre; precisa sobretudo de uma política de comércio inteligente e justo.

    Os nossos agricultores sabem produzir. Falta que saibam melhor associar-se e cooperar para distribuir os seus produtos directamente aos consumidores. Nos últimos dez anos perdemos 180 mil hectares de boas terras agrícolas comprometendo gravemente a nossa capacidade de produção de alimentos, acentuando a nossa vulnerabilidade. Ainda recentemente experimentamos os perigos que daí podem advir.

    A hora é de investir no território português apoiando empresas inovadoras que recorram a energias alternativas.
    Simultaneamente devemos combater os desperdícios energéticos e dar prioridade a transportes ferroviários e marítimos, como alternativas competitivas. A capacidade de auto-sustentação no plano energético é cada vez mais necessária. Por exemplo, modernizando as barragens hidroeléctricas já existentes, aumentaríamos a produção de energia em 20%.

    O Estado deve promover e praticar uma política de gestão rigorosa dos seus recursos de modo a promover a nossa competitividade; deve ter um orçamento equilibrado para poder baixar os impostos de modo selectivo.

    O Estado deve desistir das obras faraónicas, aumentar a produtividade da função pública, encorajar os investimentos privados que produzam riqueza, preferindo sempre bens e serviços produzidos em Portugal. Por exemplo, o facto dos fundos da Segurança Social não serem investidos exclusivamente em empresas portuguesas, contribui para a descapitalização nacional e para o desemprego.

    Apelo aos partidos políticos para que não se deixem tornar em meros mecanismos de conquista do poder; que se lembrem que têm um papel decisivo nos debates sobre as doutrinas e as práticas políticas. Mas para isso, devem ser uma escola da cidadania, dialogando com as organizações não governamentais.

    Este sentimento geral de que a democracia deve ser melhorada entre nós, levou-me a apoiar o recém-criado Instituto da Democracia Portuguesa, que tem já desenvolvido múltiplas e úteis actividades em várias regiões do país, em colaboração com diversas organizações e com as autarquias locais.

    Em 1975 recuperámos as liberdades de expressão e de participação política que já existiam antes da revolução de 1910. Mas cada vez mais ouço especialistas e pessoas de bom senso a dizer: Portugal atrasou-se no séc. XX porque prescindiu do poder moderador do seu Rei, ao contrário de Espanha, Inglaterra e Bélgica, e outros países europeus, que prosseguiram na vanguarda do desenvolvimento.

    Tenho percorrido o país de lés a lés. Sou sempre cordialmente acolhido pelos autarcas e pelas populações às quais agradeço o carinho que me dispensam. Nessas ocasiões, apercebo-me da grandeza do nosso património cultural, erudito e popular. Basta apreciar as nossas tradições culturais para me dar conta de como se formou a gente portuguesa, nas várias regiões em que se expressa a alma nacional. É este “produto interno bruto” que mantém em alta a bolsa de valores humanos em que nós devemos investir.

    Quero aqui lembrar as numerosas homenagens a D. Carlos promovidas por várias Câmaras Municipais, com destaque para a ocasião em que o Chefe do Estado inaugurou a magnífica estátua erigida em Cascais.

    Durante todo este ano tiveram lugar inúmeros eventos de carácter cultural em homenagem ao Rei e ao Príncipe Dom Luís Filipe, organizados pela Comissão D. Carlos 100 Anos, integrada na Fundação D. Manuel II. Salientou-se o congresso “Os Mares da Lusofonia” que reuniu representantes de todos os países que falam português. Pelo interesse suscitado, foi lançado o desafio de a realizar cada dois anos, em países diferentes.

    Continuei este ano a colaborar com vários dos países nossos irmãos, especialmente a Guiné-Bissau, Angola e Timor, mediante programas de desenvolvimento rural e protecção ambiental.

    Aproveito para saudar o Primeiro Ministro Xanana Gusmão, actualmente de visita a Portugal, como líder que soube conduzir o heróico Povo timorense na luta pela liberdade e agora o serve com seriedade e competência no caminho do progresso material e espiritual.

    . Saúdo o alargamento da CPLP esperando que em breve, Marrocos, o Senegal, as Ilhas Maurícias, a Guiné Equatorial e os nossos irmãos galegos possam fazer parte dessa comunidade. A Galiza procura afirmar a sua identidade cultural através da sua “fala”, que está na origem do português moderno.

    Tive a alegria de levar a minha Família ao país de minha Mãe, trineta do primeiro Imperador, Dom Pedro, para participar nas celebrações dos 200 anos da transferência do Governo e do Rei para o Brasil. Finalmente foi feita justiça ao tão caluniado D. João VI!

    A crescente importância económica e política do Brasil no Mundo é um motivo de orgulho e de oportunidade histórica para Portugal. Felicito os nossos governantes por a saberem aproveitar.

    Deixo para o fim a instituição militar que, desde a fundação de Portugal tem estado intimamente ligada ao nosso percurso colectivo. Hoje, defendendo Portugal “lá fora”, tem contribuído de forma impar para o prestígio e afirmação nacionais e para a paz e a segurança da população portuguesa e das regiões em que tem operado.

    A canonização, em 2009, de D. Nuno Álvares Pereira, patrono das Forças Armadas, será uma providencial ocasião para aprendermos com os seus exemplos de valentia e caridade, inteligência militar e política, e defesa intransigente da nossa liberdade e independência. Saibamos aproveitar essa oportunidade!

    Do fundo da história vem uma certeza que os monges de Alcobaça redigiram numa das mais belas frases da monarquia portuguesa: “O rei é livre e nós somos livres!”.

    Neste convento do Beato, situado na Lisboa Oriental onde se começou a conspirar para o 1º de Dezembro, deixai-me hoje proclamar: “Eu sou livre e vós sois livres!”. “Eu sou livre” e “Vós sois livres” porque ser monárquico é também defender Portugal acima de todos os interesses. Juntos poderemos renovar a democracia portuguesa pela Instituição Real que só poderá vigorar por vontade do povo, com o povo e enquanto o povo o entender.

    A minha Mulher, eu, e os nossos filhos Afonso, Maria Francisca e Dinis, a isso nos comprometemos porque Portugal pode, Portugal deve, e Portugal quer continuar democrático e independente!

    Todos os que pensarem que o sonho dos fundadores e dos restauradores ainda está vivo, venham ter connosco; e se alguém questionar este crescente sentir do poder do povo, a resposta é hoje, como o foi no primeiro 1º de Dezembro: “O rei é livre e nós somos livres!”

    Convento do Beato, 30 de Novembro de 2008

    in caixa de e-mail; inspiracaodoautor@sapo.pt

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