Invenção da união das televisões acaba em bronca eleitoral

Quando as televisões preparavam a cobertura das eleições presidenciais de 2011, descobriram que falando podem fazer uma concertação de forma a melhorar o seu serviço. Juntaram todos os candidatos, definiram a data para confrontos cara a cara entre cada um deles, e tiraram a sorte quem ia emitir qual.

Tudo isto feito com grande grau de profissionalismo, chegando mesmo ao ponto de fazer cenários de fundo semelhantes, para tudo parecer integrado. Tudo feito às mil maravilhas. Bem, tudo menos um pequeno pormenor, a definição de quem são os candidatos…

Poderiam ter partido de uma pressuposto semelhante ao que fazem nas eleições legislativas, onde colocam todos os partidos que tenham assento parlamentar. Como isto excluiria Fernando Nobre e Defensor Moura, provavelmente mais por causa do primeiro, não faria muito sentido. Claro que poderiam escolher um qualquer critério que funcionasse de acordo com o que queriam. Mas não o fizeram. Sempre anunciaram que seriam todos os candidatos.

Qual o grande problema disto? É que quem define quem é ou não candidato, é a Comissão Nacional de Eleições, e não os directores de programação das televisões. E a lista final só foi apresentada esta semana. Tudo isto poderia ter corrido bem, caso não fosse o pormenor de um dos candidatos finais ser um que não estava na previsão das televisões. E para ajudar a festa, ele imediatamente, se bem que com pouca cobertura mediática, exigiu os seus debates, contra cada um dos outros adversários.

Quem é este senhor? Será alguém low profile o suficiente que não levante muitas ondas sobre isto?

José Manuel Coelho, Madeirense de gema, comunista de convicção, e neste momento deputado pelo PND (aquele partido criado por Manuel Monteiro) à Assembleia Regional da Madeira. E é gente tão calma, e não populista, que nunca ninguém ouviu falar dele. Ou esperem, se calhar até já ouviram.

Lembram-se de em Novembro de 2008 um deputado à Assembleia Regional da Madeira ter tido a calma atitude de desdobrar e oferecer ao presidente da Assembleia Regional da Madeira uma bandeira? Foi este gentil senhor. O que não caiu bem foi a bandeira em si. Uma bandeira do Partido Nacional Socialista (Nazi) da Alemanha, celebrizado pelo seu líder Adolf Hitler. Ofertar e exibir simbolos ligados a esse senhor,e  partido, tendem a ter uma reacção adversa nas pessoas, por se lembrarem do que eles fizeram nos anos 30 e 40 do século passado.

Ou seja resumindo, as televisões jogaram ao totobola para escolher os candidados para debate, e esqueceram-se de um. O mais giro é que o que foi esquecido é precisamente aquele que mais facilmente pode “armar uma barraca” do tamanho do mundo como se costuma dizer.

Bem jogado senhores!

Grandes Frases X

Coragem é o que é necessário para se levantar e falar. Coragem é também o que é preciso para se sentar e ouvir.

Courage is what it takes to stand up and speak; courage is also what it takes to sit down and listen.

Winston Churchill

Piquetes de Greve – O expoente máximo da anti-democracia

Existem muitas coisas que me chateiam, atrevo-me a dizer centenas delas. Mais, posso dizer que sou picuinhas, e algumas vezes se calhar sem sequer ter razão para isso, mas em alguns casos, estou plenamente convencido da racionalidade do meu desagrado. Um dos casos em que acho que isso é mais evidente, são os piquetes de greve.

O que é um piquete de greve, para que serve e quais as suas origens?

Originalmente os piquetes de greve foram criados como comissões de grevistas que ficavam às portas da empresa, em greve, e também informar os restantes trabalhadores. Mais tarde, foram promovidos todos os grevistas ao piquete, já que no exercício do seu direito à greve o trabalhador deverá manter-se junto ao local de trabalho, ou à entradas das suas instalações. Sim, eu sei que isto pode surpreender muita gente, mas greve não é dia de férias não pagas, em que se vai para o centro comercial, ou para a praia se for verão. Pode parecer estranho, mas é assim a regulação da greve. Bem sei que isso estraga tudo a nível de lazer, mas pronto.

Mas isto eram as origens, hoje em dia é bem diferente. Hoje em dia o piquete greve é um grupo de pessoas, normalmente ligadas ao Partido Comunista ou Bloco de Esquerda, e que apenas tem como profissão ser sindicalista, que vai para a porta das empresas durante as greves, impedir que as pessoas que querem trabalhar o façam. Seja qual for a forma de coação usada, sendo que normalmente, e felizmente, é apenas verbal, tentam dissuadir quem não está disponível para a greve, ou até discorda dela (sim senhores do PCP, há pessoas que discordam das greves que vocês convocam), a aderir à mesma.

Acham que isto é liberdade? Acham que isto é democracia? Segundo os parâmetros do deputado Bernardino Soares, o mesmo do “Tenho dúvidas que a Coreia do Norte não seja uma democracia”, é bem capaz de ser… Mas isto é bem normal num partido em que o PCP se diz o partido do povo, e em trinta e seis anos de democracia nunca teve o povo a votar em si ao ponto de o levar ao governo.

Viva a liberdade e a democracia, mas toda e qualquer forma de coação da mesma, mesmo quando mascarada de luta dos operários, deve ser fortemente castigada. Isto sem nunca por em causa o direito que todos temos à greve e ao protesto.