Opiniões fortes, e chamar as coisas pelo seu nome

Gosto de opiniões fortes, que me desafiam a pensar, que dizem o que pensam, e mais que tudo, que tenham uma  força intrínseca apoiada em factos. Gosto de quando alguém chama outro de idiota, com os argumentos certos. Ou quando elogia mostrando o porque. Gosto especialmente quando alguém defende algo de que gosta, contra a idiotice de terceiros. Um exemplo recente disso foi uma discussão levantada entre David Soares e Fábio Ventura, mais concretamente nos seus blogs.

O que se passou? O primeiro chamou o segundo de idiota, com toda a razão e mérito, de forma argumentada, coerente e correcta, quando este disse uma real barbaridade. Mas vejamos o caso.

Quando questionado, por um jornal local, sobre o que escreve, e se sobre espera um dia escrever sobre outros géneros, a resposta do Fábio Ventura foi:

Fico feliz por ter começado pelo Fantástico, uma vez que é o meu género preferido, mas também porque é um género adequado a alguém da minha idade que ainda não tem muita experiência de vida

Algo que o David Soares destruiu e bem, não tendo papas na língua expondo a barbaridade da afirmação como o deveria ter feito. Mais ao expor o caso da forma que expôs, o David mostrou a falta de maturidade, e de conhecimento que o Fábio apresenta.

Claro que por essa Internet fora, seja em blogs seja em fóruns, os amigos do Fábio ficaram muito chocados, e disseram cobras e lagartos do que o David escreveu. As pessoas que aspiram a um dia serem autores publicados, custa-me chamar escritores a estes casos, com nível de talento e conhecimento do Fábio, logo vieram em sua defesa também. Em certos sítios foram até feitas acusações graves e pessoais contra o David Soares. E porque? Porque tem uma opinião forte, argumenta em seu favor, e como corolário não tem problemas em chamar alguém que diz uma idiotice de idiota.

E foi brando a meu ver, pois sitios por onde pegar não faltavam, ao ponto mais genial, a meu ver, ter chegado noutra parte da referida entrevista onde o Fábio Ventura diz:

(…) o género fantástico carecia de personagens femininas fortes. Essa é uma tendência que está a mudar agora, mas na altura em que escrevi o livro, a norma era encontrar uma maioria de protagonistas masculinos, o tal arquétipo de um herói.

Esta é de génio, mas o Fábio pode até no fantástico mainstream, para não arranjar algo de muito difícil ou escondido, uma autora, provavelmente das que mais vendeu livros deste género em Portugal, chamada Marion Zimmer Bradley. Esta senhora já escrevia antes do Fábio provavelmente saber sequer alinhar letras, visto ter-nos deixado já no milénio passado, e personagens femininas fortes é coisa que não lhe falta. Mais, um dos motivos que me faz desgostar da sua escrita é a quase ausência de personagens masculinas com força para ser mais que um joguete. Isto para ir buscar apenas um caso de uma best-seller, e não falar de tantos outros autores e autoras que circulam já desde o milénio passado.

Voltando ao tema. Neste mundinho do fantástico na Internet, abundam ataques velados de uns aos outros, com níveis de sarcasmo elevado, e guerrilhas pessoais nada trazem de novo a discussão nenhuma. E foi nisso que tornaram contra o David nesta discussão, quando na verdade, o que o David fez, e que deveria ser louvado, analisar um tema, e tirar as conclusões certas. Claro que essa opinião é dura, e num mundo em que se confunde qualidade com amizade, e opiniões com palmadinhas nas costas, muita gente ficou ofendida.

Que fique a ressalva, não sou amigo do David Soares, apesar de termos amigos comuns penso, e por acaso, apesar de possuir um par das duas obras, ainda não li nenhum livro dele. E nunca encontrei pessoalmente o Fábio Ventura, penso que também terei pelo menos uma amizade em comum, e nunca li nenhum livro dele. Logo em termos de relações pessoais, penso que sou equidistante.

 

Assim se mata um filho por um ideal

Por ideais e ideias se mata e morre desde o inicio da humanidade. Chegamos ao ponto onde estamos, e não estou a falar da crise, muito por causa disso. Mas por vezes muita gente morre por causa de ideais de outros, que lhe são impostos sem terem grande alternativa. Poderia estar a falar dos soldados Portugueses que morreram na Guerra Colonial, ou de tantos outros casos, mas não. Neste caso estou a falar de pessoas vegetarianas, mais especificamente Vegans.

Para ter uma base para o resto, fica a definição do que é um Vegan, no que toca a alimentação. Um adepto desta filosofia de vida, recusa-se a comer todo e qualquer produto de origem animal, seja ele carne, peixe, e produtos produzidos pelos mesmos, ou seja, ovos, lacticínios e afins.

O que tem a ver isto com matar pessoas por ideais? À primeira vista pouco, mas infelizmente não é assim. Têm ocorridos vários casos de morte de crianças, por subalimentação, devido a alimentar recém nascidos exclusivamente a base de produtos Vegan, entre eles o caso documentado aqui em Atlanta, nos Estados Unidos da América. Uma criança alimentada desta forma, e mesmo que usando alternativas como leite de soja, sofrem em parte de existência em forma utilizável de vitaminas A, B12 e D, entre muitas outras coisas, como alguns tipos de gordura útil para o organismo, e proteínas de forma mais consistente.

Vegan
Se for Vegan e o seu filho estiver a morrer vai amamentá-lo?

Agora o que não deixa de ser interessante, é a forma como os tribunais norte americanos, tantas vezes ridículos noutras matérias, tratam o caso. Homicídio por negligência. Ou seja, vão ao ponto de considerar, como referi inicialmente, que estes pais, e a seu ver no melhor interesse dos seus filhos, foram negligentes ao ponto de provocarem a morte ao seu filho. Será isto um exagero de interpretação do que é um homicídio negligente? A meu ver não, acho perfeitamente justificável este tipo de constatação, e até a mais correcta.

O que trás tudo de volta à questão inicial: até que ponto devemos forçar os nossos ideais a terceiros, mesmo quando isso lhes implica risco de Morte?

 

Grandes Frases IX – O Problema do Socialismo

Socialist governments traditionally do make a financial mess. They [socialists] always run out of other people’s money. It’s quite a characteristic of them.

Governos socialistas normalmente fazem uma situação financeira caótica. Eles acabam sempre por gastar o dinheiro das outras pessoas. É uma característica tradicional deles.

Margaret Thatcher (em 1976)