A democracia, representativa no caso Português, é um principio de liberdade, e de colocar a responsabilidade para o cidadão na escolha de quem deve gerir o que é Público. Ontem fez-se democracia na Madeira, será correcto dizer isto?

Para mim, e ignorando as questões sobre a minha opinião pessoal sobre a figura de Alberto João Jardim  e os seus desvarios governativos,  tenho de admitir que se fez. As pessoas votaram, e escolheram. Como são os madeirenses os eleitores para aquele órgão de soberania, cabe a eles, e apenas a eles, decidirem, e foi o que fizeram.

Claro que vem logo a malta do costume queixar-se que as eleições foram negativas, e pouco representativa, devido ao facto da enorme abstenção. Meus caros, quem não vota, é porque não quis ser representado. Passo a frente.

Mas para mim, o ponto alto da noite, e um hino à falta de democracia, cabe mais uma vez ao PCP, na voz do seu líder Jerónimo de Sousa.

Um resultado explicado pelo sentimento de desânimo designadamente de apoiantes da CDU que, fustigados de forma mais particular pelo agravamento exponencial das injustiças, do desemprego e da pobreza, não acreditaram que com a sua decisão e o seu voto podiam contribuir para penalizar quem lhes agravou as condições de vida e reforçar aqueles com quem contam para construir uma vida melhor.

– Jerónimo de Sousa

Ou seja, este senhor acha que a culpa das pessoas não votarem CDU foi estarem desanimados, e que esse voto não iria mudar nada. Será que este senhor leu parcialmente bem a questão? É que na prática o que ele admite, e que eu concordo, é que a população acha que as suas ideias, e o seu partido não fazem, nem farão, nada para melhorar o País ou a Região. Estou plenamente de acordo. Se calhar o próprio Jerónimo é que não, mas só se dará conta disso quando entender o que realmente disse…

Mas também resultado da dispersão de votos em candidaturas inconsequentes e até provocatórias, que embora sem projecto nem valor próprio beneficiaram de uma generosa mediatização destinada não só a favorece-las mas a impedir o crescimento da força mais consequente e capaz de se opor e dar combate ao programa de exploração que atinge os madeirenses.

– Jerónimo de Sousa

Votos em candidaturas inconsequentes e até provocatórias? Quem é o senhor Jerónimo para dizer isso? O partido trabalhista, conhecido como partido do Coelhinho, tem um ridículo, e até mal educado, mas tem tanto direito como o PCP ou qualquer outro. Mais, na Madeira actual, até tem mais direito, pois teve mais votação. E quando o líder da bancada parlamentar do partido de Jerónimo de Sousa, Bernardino Machado, vem dizer que a Coreira do Norte e Cuba são democracias, não é isso mais inconsequente e até provocatório? Quando convidam lideres de organizações terroristas como as FARC, para a festa anual do seu partido, quando estas são perseguidas por governos democráticos de países com relações cordiais com Portugal? Isso não é muito mais inconsequente e provocatório que as palermices do líder do partido trabalhista?

Caro Jerónimo de Sousa, eu sei que o senhor não dá muito valor à democracia, senão não defendia os regimes actuais e históricos que defende, mas esta funciona assim: ganha quem tem mais votos colocados nas urnas. Os que ficaram em casa, não são seus para vir tomar posse deles, nem vitórias morais servem para alguma coisa. Felizmente graças ao 25 de Novembro de 1975, o povo é quem mais ordena. Mesmo quando coloca tipos que me parecem retirados de um conto de humor no poder.

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