Existe uma coisa que me faz confusão nos discursos de muita gente de esquerda, e dos protestantes, a maioria deles da minha geração, nos últimos dias. Ambos dizem que não devemos pagar nada, e que tudo se resolve sem problemas. O mesmo para milhares de funcionários públicos chocados com os cortes terem recaído sobre os seus ombros.

Meus amigos, vou dizer algo que pensava que todos já deviam saber. O estado não tem dinheiro. Esta é a mais dura das realidades. Políticas criminosas, e práticas igualmente criminosas de compadrios e afins,  conduziram-nos a esta situação, e estou cem por cento de acordo que os responsáveis deviam ser entregues à justiça. Mas o problema agora é o que fazer, como meter o estado a carburar bem, e a pagar as obrigações do dia a dia, já hoje.

O estado português é gordo, pesado e excessivo. Não tem um verdadeiro controlo de qualidade nos recursos humanos que alberga, ao contrário do sector privado onde se tem realmente de trabalhar, e apenas é bom profissional quem tem brio, e gostem ou não, são poucos. Para piorar isto, até agora o estado em média pagava melhor que o sector privado. Tudo isto não faz sentido nenhum. Passos Coelho vai mexer aqui, vai perder milhares de votos no processo, mas teve de o fazer, pois dinheiro não existe, e chega de politicas Guterristas de enfiar a cabeça na areia, ou de mentiras Socráticas.

Outro ponto necessário era ajudar as empresas privadas em altura de crise. Falou-se em baixar a Taxa Social Única sobre as empresas. Era uma medida que claramente agradava às empresas, mas que gastaria dinheiro ao estado. Como o estado não tem dinheiro, teria de ser feita alguma ginástica, aumentando outros impostos, para poder fazer isto. Inventivamente o governo resolveu aumentar, também temporariamente, o número máximo de horas de trabalho diárias, dando algo às empresas, não gastando dinheiro do estado. Vai-me custar obviamente no pelo isto, se bem que ao contrário do funcionalismo público, já é raro o trabalhador do privado que cumpra o horário à risca, e não fique lá mais um bocado a acabar coisas. Mais uma medida que vai fazer perder votos a Pedro Passos Coelho, mas que infelizmente, devido à situação do país, tem todo o meu apoio.

Agora fala-se que o próximo sector a afectar fortemente será o sector de transportes públicos do estado. Mais uma vaca sagrada do estado que dá um prejuízo gigantesco, e que não se percebe. Todas as empresas transportadoras do estado dão prejuízo forte, no entanto as mesmas do sector privado, lembro-me aqui logo do Grupo Barraqueiro, dão lucros constantes e sólidos. Será por medidas como os motoristas da Carris trabalharem apenas 4 horas por dia, com ordenados acima da média, e que os filhos, genros, enteados e primos terem viagens à borla em toda a rede? Como este exemplo há tantos outros, e que têm de ser cortados.

Tenho muitos amigos, familiares e conhecidos que são funcionários públicos, em todas as áreas, mas têm de admitir que isto não podia continuar assim.

Sei que com tudo isto vai provavelmente fazer Passos Coelho perder as próximas eleições, a não ser que daqui a quatro anos isto já estivesse num nível muito melhor. Mas penso que esta atitude de coragem do nosso Primeiro-Ministro, ao contrário do último que oferecia computadores à custa do dinheiro dos contribuintes, parece-me ser o caminho a seguir. Força, e viva Portugal.

3 COMENTÁRIOS

  1. E que tal pedir justificações a quem nos andou a roubar estes anos todos? A classe política e os gestores públicos que embolsam rios e rios de dinheiro, mas que saem sempre impunes? O problema é que é sempre o povo a pagar os buracos, enquanto eles se ficam a rir. Claro que a média dos salários públicos é maior, quando qualquer gestorzeco ganha mais que o presidente da republica.

    Quando começam a tirar liberdades e direitos, já não os devolvem. Isto só aumenta a disparidade social cada vez mais, e tirar o poder de compra às pessoas vai acelerar o colapso da economia.

  2. Oh Bruno, essa de o estado pagar mais do que o sector privado já foi mais que desmontada… basta percorrer a blogosfera…
    Paga mais nos salários mais baixos… e paga menos nos salários mais altos!

  3. Para acabar o raciocinio do Joao Ventura; Os dirigentes do sector sao portanto de inferior qualidade porque qualquer dirigente capaz acaba por ir para o privado, enquanto os burros de carga, por sinal bem pagos e mal dirigidos, exercem as suas funcoes muito abaixo dos niveis razoaveis e exigiveis perante tal remuneracao.

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