E em Portugal quando fazemos isto?

Um tribunal francês declarou esta manhã o antigo Presidente Jacques Chirac como culpado dos crimes de desvio de fundos públicos e abuso da confiança pública.

in Público

Existe um certo estudante em Paris que se calhar fazia falta também levar a tribunal…

O Euro e o Escudo

Nestes últimos tempos muita gente tem vindo a dizer que devíamos sair do Euro, que é a fonte de todos os males da nossa economia. Além disso, muita gente afirma que sendo bom ou não, é uma situação que será muito provável vir a acontecer. Mas o que significa isto de sair do Euro para as economias de cada pessoa, e para a sua situação do dia a dia?

Primeiro que tudo, o que sucederia era uma cisão do escudo com o Euro e a provável emissão inicial de Novo Escudo (aqui representado por $) com a taxa de conversão de 1$ para 1€. Ou seja se uma pessoa receber 500€ por mês, passa a receber 500$, ou seja o mesmo valor. Mais ou menos…

Na verdade o mais provável era o Novo Escudo ter uma queda abrupta no mercado internacional, e apesar da taxa de lançamento ser essa, e os ordenados terem sido recalculados nessa taxa, estes teriam uma queda imediata. Um estudo recente aponta que a queda provável rondaria os 40%, e será esse valor que para o resto deste pensamento vai ser tomado em conta.

Isto significa que no momento zero da vida do Novo Escudo, o ordenado dessa pessoa, seriam 500$ iguais aos 500€ que recebia. Mais, os 10000€ que tinha no banco, a pensar em comprar um carro novo (sim estou a ser otimista), seriam 10000$. Problema zero porque todos os preços seriam convertidos da mesma forma, tal como impostos e afins.

O problema está na altura de comprar ao estrangeiro. Visto a nossa moeda estar desvalorizada, imagine que precisa de abastecer gasolina. Como Portugal não é produtor, teríamos de comprar ao estrangeiro, como a moeda está desvalorizada, em vez de pagar os 1.5€/litro que paga hoje em dia, teria de pagar esse valor, acrescido de 40%, que na prática é o valor que a nossa moeda perderia para o mercado internacional. Ou seja, 2.1$/litro.  Aqueles 10 mil euros que o nosso sujeito de teste tinha de lado para comprar um carro novo? Como é comprado ao estrangeiro, teria de se contentar com um carro de 6 mil… Agora aplique isto a energia,  tecnologia, muita da roupa,  automóveis. Seria o descalabro nas nossas compras.

O Português teria uma queda real de nível de vida na casa dos 25-30%. E o porque dos 25-30%, e não os 40%? Basicamente porque os nossos produtos internos seriam mais baratos para nós, e tudo aquilo que se consome localmente, ficaria mais barato. Outro ponto favorável, seria as nossas exportações. Ao termos uma moeda mais fraca, venderíamos mais barato a nossa produção, logo teoricamente venderíamos mais. Certas áreas também teriam uma queda no desemprego, visto a nossa mão de obra ser mais barata para as empresas estrangeiras, logo facilitando a sua vinda. Não pela qualidade do nosso trabalho, mas por ser barato.

Com este cenário total, até parece que os aspetos positivos são muitos, e suficientes para cobrir os negativos, mas olhando um pouco à nossa realidade, e à nossa balança comercial, desde logo se vê que que não seria bem assim. Somos altamente dependentes do estrangeiro a nível tecnológico, energético e até a nível alimentar. Espero seriamente não ver o dia em que Portugal saia do Euro, mas se isso acontecer, e eu souber algum tempo antes, todo o dinheiro que tiver será convertido em Ienes mal o banco me permitir…