D. Afonso IV de Portugal - O Bravo
D. Afonso IV de Portugal - O Bravo
D. Afonso IV

É-nos ensinado na escola que Portugal teve grandes reis e governantes. D. Afonso Henriques, D. Dinis, D.João I, e tantos outros.

Depois temos personagens românticos, e o maior de todos eles, é sem dúvida D. Pedro I fruto da sua paixão por D. Inês de Castro. Nessa história o vilão é o pai de D. Pedro, D Afonso IV, o bravo. É um homem duro, e que manda assassinar D. Inês, a amante de seu filho.

Analisando a frio, e tendo em conta as mentalidades da época, até podemos perceber o que levou D. Afonso IV a ordenar este assassinato. D. Inês era uma estrangeira, e desde o início da sua relação com o na altura Príncipe D. Pedro, este começou a dar cada vez mais poder aos amigos de D. Inês em detrimento de nobres Portugueses. E isto estava a levar alguma contestação entre a nobreza do reino. Também estaria a preparar-se para legitimar a sua união com D. Inês, levando os filhos dela a terem lugar na sucessão, logo a seguir ao infante D. Fernando, que era o único filho do primeiro casamento de D. Pedro.

Mas na história que é contada e ensinada nas escolas pouco mais se fala de D. Afonso IV que isto, o que num reinado de quase quarenta anos, é claramente pouco. Especialmente porque foi bem mais que isso. A maior injustiça é feita quando se fala nos descobrimentos, e se refere D. João I, também ele filho de D. Pedro e neto de D. Afonso IV, como o homem que lançou as primeiras descobertas. Refere-se também que D. Dinis, pai de D. Afonso IV, foi outro Rei que fez muito pelos descobrimentos iniciais, ao mandar plantar o pinhal de Leiria, que seria fonte de madeira para as embarcações.

Nada disto deixa de ser verdade, fora o facto das primeiras descobertas terem sido lançadas realmente por D. Afonso IV. Como a reconquista estava terminada, desde o reinado de seu avô, e o seu pai D. Dinis tinha feito um trabalho notável na reestruturação do reino, e sua estabilidade interna, D. Afonso teve de procurar um novo rumo de expansão e desenvolvimento, e encontrou-o no mar.

Foi no seu reinado que foram descobertas e reclamadas por Portugal as Ilhas Canárias, e foram concedidos fundos públicos para a construção naval, tanto mercante como exploratória. Mais ainda foi ele que percebendo que o mar era um bem importante negociou com os Ingleses a abertura dos mares britânicos à pesca por parte dos Portugueses, e que levou os primeiros barcos lusos a irem pescar no mar do Norte. Provavelmente aqui começou também a  nossa pesca ao bacalhau, que não existe na nossa costa, e que ainda hoje nos marca culturalmente.

Ou seja, foi acima de tudo um Rei que aquando o fecho de novas oportunidades na sua zona de conforto soube procurar novas alternativas, e tentar descobrir novas oportunidades e mercados. Neste caso um exemplo para os Portugueses em geral, e para os políticos em particular.

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