Grandes frases XIII – John Adams – Factos

John Adams, 2º Presidente dos EUA
John Adams, 2º Presidente dos EUA
John Adams, 2º Presidente dos EUA

Os factos são coisas teimosas, e quaisquer que sejam os  nossos desejos, as nossas inclinações, ou os ditames da nossa paixão, eles não podem alterar o estado dos factos e das provas.

 

Facts are stubborn things; and whatever may be our wishes, our inclinations, or the dictates of our passion, they cannot alter the state of facts and evidence.

 

– John Adams, Dezembro 1770

Grandes Frases XII – Fernando Pessoa e o Comunismo

“Se o que há de lixo moral e mental em todos os cérebros pudesse ser varrido e reunido, e com ele se formar uma figura gigantesca, tal seria a figura do comunismo, inimigo supremo da liberdade e da humanidade, como o é tudo quanto dorme nos baixos instintos que se escondem em cada um de nós.
O comunismo não é uma doutrina porque é uma anti-doutrina, ou uma contra-doutrina. Tudo quanto o Homem tem conquistado, até hoje, de espiritualidade moral e mental — isto é, de civilização e de cultura — tudo isso ele inverte para formar a doutrina que não tem. »
Fernando Pessoa, “Ideias Filosóficas”

Gasolina ou Gasóleo – O que comprar para poupar

Cada vez as pessoas fazem mais contas à vida para tentar poupar dinheiro onde for possível. Uma das coisas que muita gente sempre disse que gostaria de ter, para poupar mais um pouco, era um veículo movido a Gasóleo, em vez de Gasolina. Será que compensa realmente este tipo de troca? Será que é realmente uma forma de poupança?

Para partir um pouco para uma análise mais factual e analítica, resolvi fazer umas contas. Peguei em dois carros iguais, novos, um com um motor a diesel, o outro com motor a gasolina. O carro escolhido foi o Opel Corsa, visto ser um dos carros mais comuns em Portugal. A versão a Gasolina custa 14.100 €, enquanto que a versão Gasóleo custa 17.900 €. Ambas com o mesmo nível de equipamento, e motorizações entrada de gama.

O consumo anunciado da versão a Gasolina é de 4.9 litros/100km, enquanto que a versão a Gasóleo fica em 3.6 litros/100km.

Para preços referência segui os valores do dia 21 de Março da Galp, sendo estes 1,754 €/litro para a Gasolina e 1,539 €/litro para o Gasóleo.

Aqui fica uma tabela com as contas todas feitas, ao consumo de combustível apenas, visto que no caso dos carros a Gasóleo, o óleo de motor é mais caro, e tendencialmente todas as manutenções também o são.

Km Custo Gasolina Custo Gasóleo Poupança
10.000 859,46 € 554,04 € -3.494,58 €
40.000 3.437,84 € 2.216,16 € -2.578,32 €
70.000 6.016,22 € 3.878,28 € -1.662,06 €
100.000 8.594,60 € 5.540,40 € -745,80 €
130.000 11.172,98 € 7.202,52 € 170,46 €

O carro começa poupar um pouco a partir dos cento e trinta mil quilómetros, o que tendo em conta a média de deslocações diárias da maioria dos portugueses, é bastante. Se uma pessoa que viva em Mafra e trabalhe em Lisboa, se deslocar sempre de carro para o trabalho, e que repete esse percurso ao fim de semana, são cerca de 90km por dia. Ao fim de um ano são cerca de 32 mil quilómetros. Ou seja, uma pessoa que todos os dias, sem excepção faça este circuito, e que não prefira poupar usando transportes públicos, ao fim de quatro anos começa a poupar em combustível. Se viver na zona de Sintra (o maior subúrbio do país), este valor baixa para pouco mais de 20 mil quilómetros ao ano, o que significa uma poupança apenas a partir dos seis anos.

Sendo que a maioria dos Portugueses, pelo menos antes desta crise, raramente mantinha um carro quatro anos ou mais, e que muito menos faz tantos quilómetros como nestes exemplos, a opção popular de dizer que um carro a Gasóleo é mais barato, é claramente um erro.

Outra coisa que se começa a dizer muito é que com os aumentos do preço do Gasóleo, se calhar deixa de ser boa opção a nível de poupança comprar Gasóleo em vez de Gasolina. Nada como refazer as contas, desta vez com os preços de 2000: 0,91€/l para Gasolina, e 0,68 €/l para Gasóleo.

Km Custo Gasolina Custo Gasóleo Poupança
10.000 445,90 € 244,80 € -3.598,90 €
40.000 1.783,60 € 979,20 € -2.995,60 €
70.000 3.121,30 € 1.713,60 € -2.392,30 €
100.000 4.459,00 € 2.448,00 € -1.789,00 €
130.000 5.796,70 € 3.182,40 € -1.185,70 €
160.000 7.134,40 € 3.916,80 € -582,40 €
190.000 8.472,10 € 4.651,20 € 20,90 €

Pelos vistos, nada mais falso. Apesar de tudo, hoje em dia consegue-se muito mais rápido poupar com um carro a Gasóleo que quando os combustíveis estavam baratos.

Às vezes os factos, e os números ajudam a explicar, e a destruir muitos mitos… Mas o que custa mesmo é olhar para a diferença de preços da gasolina nos últimos anos.

Lyani Viiktória – A vitória da parvoice dos pais no nome de uma criança

Yannick Djaló e Luciana Abreu tiveram um novo rebento. Antes demais tenho de dar os parabéns aos dois, pois o nascimento de uma criança é sempre algo de parabenizar, e algo que traz felicidade a uma casa. A uma casa pode trazer, mas à coitada da criança, a longo prazo duvido que o traga…

Nomes deste tipo, puramente inventados, conjugações de nomes dos pais com ideias parvas, ou induzidas por consumo de substancias de legalidade duvidosa são proibidos segundo a lei portuguesa, até para defesa das crianças quando crescerem. Conheço vários casos de cidadãos que quiseram dar nomes fora do comum, ou de origem estrangeira, e que se viram impossibilitados de o fazer. A lei tem esta proteção, nalguns casos exagerada, noutros, como este, bem justa, para proteger primariamente a criança.

O que muita gente se pergunta é o porque deste casal conseguir registar o nome da criança assim, e da anterior Lyonce Viiktória. A razão é simples, o Yannick não é Português de nascimento, mas sim naturalizado. Como mantém a sua dupla nacionalidade, tendo nascido na Guiné Bissau, logo pode ignorar estas restrições, que só se aplicam a filhos de pais Portugueses sem segunda nacionalidade.

Infelizmente para a criança, a dupla nacionalidade do seu pai é, inspirando-me no célebre titulo de James Bond, Licença para Aparvalhar!

Grandes frases XI – Eça de Queiroz

Eça de Queiroz
Eça de Queiroz
Eça de Queiroz

“Ordinariamente todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o Estadista. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?”

Eça de Queiroz (em 1867)

Luta de gigantes de café – Delta Q ou Nespresso, qual a melhor?

Delta Q vs Nespresso

Delta Q vs NespressoSe há bebida não alcoólica consensual entre os Portugueses, é o café. De norte a sul passando pelas ilhas, a grande maioria dos portugueses bebe e aprecia a sua Bica, ou Cimbalino. O consumo que inicialmente era mais focado em bares, esplanadas e restaurantes, foi desde muito cedo passado para dentro das próprias casas, tanto por facilidade e comodidade, como por poupança.

Na geração das nossas avós, muito “café de saco” foi feito nas suas suas casas, mas sempre diferente da bica, o tradicional expresso, que só se conseguia com as máquinas industriais. Nos anos noventa isto começou a mudar, com o surgimento de máquinas a preços aceitáveis em Portugal, de manipulo pois claro, mas a maior revolução do consumo do café em casa dá-se já neste milénio novo: o café de cápsula.

As máquinas de café de cápsula, mesmo que não tenham o melhor resultado em termos de poupança, visto que o café em pó ou grão continua a ser mais barato, vieram revolucionar o mercado. Com preços bastante baixos, facilidade de limpeza e manutenção, e uma hipótese de poder variar a intensidade de bebida do café, ou mesmo descafeinado, a cada tiragem, tornam-as um belíssimo eletrodoméstico para possuir. Os dos mais fortes concorrentes do mercado neste momento são a Delta Q, e a Nespresso. Por contingências do destino sou um possuidor de ambas, e um aficionado de Café,  e por isso tentarei dispor aqui a meu ponto de vista sobre ambas as máquinas, e as vantagens de uma em relação à outra.

Mais antiga no mercado, criada nos anos 70 por Éric Favre ao serviço da Nestlé para o mercado empresarial, a Nespresso tem como uma das suas maiores vantagens o seu design exclusivo. Tudo o que gira em volta do sistema, desde máquinas, até às chávenas e lojas, tem um design cuidado, e bastante atractivo.

O café tem muitas intensidades, numa escala de 1 a 10, e ainda anualmente promovem novos sabores, em edições exclusivas. Outro dos pontos fortes da máquina, pelo menos a meu ver, é a espuma. A sua quantidade, e consistência é bem superior à das vulgares máquinas de café, e mesmo das industriais. Mas a máquina tem um defeito, que pelo menos para o público português, o sabor pouco intenso do café, comparativamente ao “café de rua”, e a sua temperatura, também muito mais baixa que a destes cafés. Um truque usado por muita gente é aquecer previamente as chávenas a usar, mas mesmo assim, a temperatura não atinge os valores habituais, e quanto à intensidade, nada a fazer.

É aí que brilha a Delta Q. O que melhor descreve esta máquina é mesmo a sua capacidade de tirar um café que em tudo parece o café do restaurante do Ti Manel. Quando se quer a tão amada bica, a Delta Q está lá para alegrar o dia. Funcional, rápida, prática, e consistente no que faz. Mas por incrível que pareça, a máquina da marca de Campo Maior consegue esticar a corda, e dar o passo em frente. Não tento a regular presença de edições com sabores especiais que a Nespresso tem, conseguiu entrar noutro mercado contando agora com três séries de chás, utilizando a mesma máquina.

Outro ponto em que a Delta Q brilha em relação à Nespresso é na disponibilidade de cápsulas. Na Nespresso temos apenas meia dúzia de lojas em duas ou três cidades nacionais a venderem cápsulas, enquanto que a Delta Q existem em todos os supermercados das cadeias de comércio nacionais. Claro que temos a hipótese de comprar pela internet, mas quando se quer café para a mesma tarde, torna as coisas complicadas. Para as populações de Lisboa e Porto, especialmente as mais jovens, isto pode não ser problema, mas para o Interior desquecido ostracizado certamente o é.

No preço, a Delta volta a ter vantagem, mas desta feita ligeira, na casa dos 4 cêntimos por cápsula, o que apesar de ser significativo, não seria a pedra de toque para o caso.

Tomando em resumo, a Nespresso tem mais estilo, tem uma espuma melhor, mas em tudo o resto, e especialmente se se quer mesmo café, é comprar o produto nacional, directamente de Campo Maior, a Delta Q.