Nestes dias que correm volta a surgir com frequência a questão dos cortes salariais, e do fim do subsídio de férias e natal para a função pública. Mas para mim a questão mais importante é mesmo o porque destes subsídios, e para que servem. Primeiro gostaria de salientar que não acho legítimo, nem viável, qualquer tipo de redução salarial por esta via, o que quero focar mesmo é a forma de pagamento.

Vamos pensar, uma pessoa que receba o salário médio em Portugal, 700 €/mês, recebe catorze parcelas deste valor, e é assim que cá se negoceia o ordenado. Na maioria dos países negoceia-se logo o valor anual, o que é bem mais visível, ou deveria ser. Ou seja uma pessoa em média em Portugal aufere 9800 €/ano. Perderia dinheiro se recebesse em prestações mensais como na maioria do mundo? Todos os meses seriam-lhe entregues 816€, contra os 700€ que lhe entregam agora, sempre certo, e sem complicações acrescidas. Se formos mais longe ainda para o caso do Reino Unido, em que pagam à semana, seria entregue todas as semanas um valor de 188€, que seria o seu orçamento semanal.

Um dos argumentos que me dão logo mal refiro estes dados é que assim os Portugueses deixariam de gozar férias ou comprar prendas no Natal. Isto até pode ser verdade para muita gente, mas é no entanto passar um atestado de incompetência na gestão das suas contas aos Portugueses. Se uma pessoa quiser pode tirar a parte que seria do subsídio de férias/natal para um plano qualquer de poupança (os bancos até o fazem de forma automática, no meu caso tenho um no Montepio), e que até ganham alguns juros. Se pensarem bem, este dinheiro, junto de todos os funcionários de uma empresa/estado, que fica acumulado no lado do empregador, e que é libertado duas vezes por ano, é colocado por eles em poupanças, recebendo eles o juro. Ou seja, aquilo que as pessoas pensam que está feito para as proteger, está sim a favorecer o empregador.

Mais, este tipo de sistema de pagamento também favorece o consumo, visto ser colocado estrategicamente em alturas do ano que facilitam o gasto, em vez da poupança.

Será que estes subsídios, que são considerados quase sagrados pela nossa sociedade, ao contrário do resto do mundo, são mesmo bons para quem recebe? Será que não ficaríamos melhor em receber ao mês (em 12 prestações maiores que as 14 actuais), ou mesmo à semana?

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