Atrasado, Bruto e feio, eis 2013

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Como é tradição neste meu espaço, os textos vêm tarde, mas espero que não a más horas. Normalmente começasse o ano com um pequeno texto de preparação para o que aí vem, cheio de esperança num ano que vai ser em grande. Este ano infelizmente pouca gente neste caminho à beira mar plantado pensou dessa forma.

Somos um povo antigo, resiliente, mas normalmente esperançoso. É típico do português quando lhe acontece algo negativo descobrir que afinal podia ter sido bem pior. Desta vez não é isso que vejo acontecer. Estamos mais cinzentos que nunca, nem as festividades natalícias parecem ter trazido o mesmo calor habitual.

E nem foi o pior, pois esse veio com o fim de Janeiro, e o vencimento ser pago. Fazendo contas por alto a maioria das pessoas perdeu cerca de dez porcento do seu rendimento. Isto, aliado à taxa de desemprego histórica leva a um mau estar geral e palpável.

Podia estar aqui durante horas a escrever sobre o que considero ter levado a esta crise. E seriam horas mesmo, pois erros com desde à cinquenta anos, de governantes, empresários e população em geral, foram-se acumulando e parece que estoiraram todos de uma vez. Mas o que quero vir dizer é que ainda acredito neste pais e na sua magnifica gente. Por muito que me custe ver amigos a seguirem para o o estrangeiro, outros no desemprego ou com empregos precários, ainda consigo ver algumas coisas a mudarem para melhor.

Sejam os hábitos a serem corrigidos, os mercados a voltarem a ser um local onde muita comida fresca é transaccionada, até ao surgimento de algumas startups interessantes como a Padaria Portuguesa ou o Mercado Saloio.

Como disse Fernando Pessoa:

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
define com perfil e ser
este fulgor baço da terra
que é Portugal a entristecer –
brilho sem luz e sem arder,
como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,
nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ância distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…

É a Hora!