Margaret Thatcher – Mais que uma grande mulher, uma grande pessoa

ThatcherProfileMuita gente tem escrito muita coisa após a morte de Margaret Thatcher ocorrida ontem. Mensagens de pesar são expressas, mas ,por mais incrível que pareça, muitas mensagens de ódio à senhora e de regozijo com a sua morte são expressas.

Não foi uma personalidade fácil, foi conflituosa apenas e só porque tinha ideias, ideais e sempre lutou para os conseguir. Tentou sempre impor a sua opinião, e seguir o seu caminho, e isso irrita muita gente. Soube levar um país numa ruptura económica a uma situação de crescimento, ganhando respeito de muita gente, e o ódio de muitos que a confrontaram.

Foi eleita democraticamente, e democraticamente teve de deixar o seu cargo.

E sem dúvida que foi uma grande mulher, a qual muito admiro, mas mais ainda, foi uma grande pessoa. Foi uma mulher poderosa, provavelmente a primeira mulher realmente poderosa na modernidade, mas sem usar o seu sexo como parte do seu poder. O seu sexo foi indiferente, foi apenas e só uma grande pessoa, e isso é a maior conquista que poderia querer.

Que descanse em paz.

Sair da Crise – As Freguesias podem ajudar

Muita gente fala que o poder local pode e muito ajudar o país. Muita gente chorou com a fusão de umas quantas freguesias, mas se calhar não olhámos bem o suficiente para o quão estas podem ajudar o país.

Depois do chumbo das medidas do Orçamento de Estado, poderíamos voltar a olhar para elas, e se calhar encontrar a solução para parte desta crise. E como? Extinguindo as freguesias como entidades políticas independentes.
A proposta: acabar com vereadores e presidentes da junta, mantendo a assembleia de freguesia como órgão consultivo da câmara municipal.

Na realidade todas as funções de apoio à população local seriam mantidas, e a opinião democrática dos munícipes continuaria a escalar via assembleia de freguesia.
A pergunta chave? E quanto se ganharia com esta medida? Ora, Portugal tem 4026 freguesias, e o ordenado mensal do presidente da junta, dependendo da população, oscila entre um mínimo de 1.220,85 € a 1.907,58 €. Caso seja parcial recebe metade deste valor.

Indo para o mínimo dos mínimos, e contando que todos os presidentes da junta exerçam o cargo a tempo parcial, teremos uma poupança de 34.405.938,34 €! Líquida. Fora menos custos com secretárias, carros, e outros serviços.
Tendo em conta que a maioria dos presidentes é a tempo inteiro, e que usei para o cálculo os valores mínimos sempre, este valor facilmente é superior a 50 milhões de euros/ano!

Claro que nunca será feito nada neste campo, pois as juntas de freguesias, enquanto órgãos políticos, são sítios onde os partidos metem os amigos a ganhar uns trocos, de forma extremamente bem paga, a tomar opções políticas que poderiam ser feitas pelos outros serviços já existentes.
Existem muitas coisas onde cortar, e esta claramente seria uma que seria cortada antes de cortar na saúde ou educação. Mas nenhum partido aceitaria reduzir a sua base de apoio, ou os “tachinhos” que dão aos seus militantes de carreira. É pena…

Serviço Militar Obrigatório (Conscrição) – Uma solução para a crise?

exercitoNuma altura de crise como a actual muito se discute, e muitas soluções ou paradigmas são reapresentados. Recentemente foi falado por alguns militares que o Serviço Militar Obrigatório (a conscrição) deveria ser reintroduzido, como uma das formas de reestruturar as nossas forças armadas. Devemos pensar sobre isso?

Primeiro que tudo, e ponto de real importância: para que queremos as forças armadas? Deveria existir uma larga discussão sobre isto, e perceber realmente para que se quer. Neste momento temos uma estrutura demasiado desequilibrada. Com muito treino é certo, mas cada vez com uma proporção de oficiais para cada operacional demasiado inflacionada. E depois saber que funções podem desempenhar para a sociedade, especialmente a nível do exército, que poderia dar um impulso ao controlo e limpeza florestal, e mesmo apoio a nível de salvação pública, em cooperação com os bombeiros. Ambas estas funções são feitas hoje em dia, mas poderiam ser alargadas, e institucionalizadas de forma mais segura.

Mas depois existe outra função que por vezes pouco se fala: o ensino de valores. Vivemos em tempos complicados, ninguém já duvida disso. A crise de valores, juntamente com o desemprego, é um dos grandes responsáveis por isso. Nos idos anos oitenta e noventa, ao chegar aos dezoito anos a maioria das pessoas ou ia trabalhar, ou continuava os estudos. Hoje em dia cada vez mais existe um limbo, em que nem uma coisa nem outra, apenas andam por aí. E este andar por aí tem custos gravíssimos a nível do estado.

Tanto não ajuda ninguém, como gera cada vez mais pessoas que não gostam especialmente de fazer nenhum. Sim, bem sei que o desemprego actual não ajuda, e que muitos destes gostariam de trabalhar, mas a maioria se lhes propuserem algum trabalho real, simples mas honesto, não vai gostar.

Seria de todo estúpido pensar que pessoas entre os 18 e os 23 anos, desempregados, ficassem sujeitos a um regime de serviço militar obrigatório? Onde teriam trabalho honesto, uma formação cívica e nos valores da nossa gente? Muitas vezes ouvi dizerem que se fizeram Homens na tropa, será que numa altura em que atravessamos uma crise de desemprego, falta de valores e falta de pessoas operacionais nas forças militares, esta não seja uma opção óbvia para parte do problema? Ou é melhor continuar a financiar pessoas, que ficam paradas, sem pedir nada em troca?