exercitoNuma altura de crise como a actual muito se discute, e muitas soluções ou paradigmas são reapresentados. Recentemente foi falado por alguns militares que o Serviço Militar Obrigatório (a conscrição) deveria ser reintroduzido, como uma das formas de reestruturar as nossas forças armadas. Devemos pensar sobre isso?

Primeiro que tudo, e ponto de real importância: para que queremos as forças armadas? Deveria existir uma larga discussão sobre isto, e perceber realmente para que se quer. Neste momento temos uma estrutura demasiado desequilibrada. Com muito treino é certo, mas cada vez com uma proporção de oficiais para cada operacional demasiado inflacionada. E depois saber que funções podem desempenhar para a sociedade, especialmente a nível do exército, que poderia dar um impulso ao controlo e limpeza florestal, e mesmo apoio a nível de salvação pública, em cooperação com os bombeiros. Ambas estas funções são feitas hoje em dia, mas poderiam ser alargadas, e institucionalizadas de forma mais segura.

Mas depois existe outra função que por vezes pouco se fala: o ensino de valores. Vivemos em tempos complicados, ninguém já duvida disso. A crise de valores, juntamente com o desemprego, é um dos grandes responsáveis por isso. Nos idos anos oitenta e noventa, ao chegar aos dezoito anos a maioria das pessoas ou ia trabalhar, ou continuava os estudos. Hoje em dia cada vez mais existe um limbo, em que nem uma coisa nem outra, apenas andam por aí. E este andar por aí tem custos gravíssimos a nível do estado.

Tanto não ajuda ninguém, como gera cada vez mais pessoas que não gostam especialmente de fazer nenhum. Sim, bem sei que o desemprego actual não ajuda, e que muitos destes gostariam de trabalhar, mas a maioria se lhes propuserem algum trabalho real, simples mas honesto, não vai gostar.

Seria de todo estúpido pensar que pessoas entre os 18 e os 23 anos, desempregados, ficassem sujeitos a um regime de serviço militar obrigatório? Onde teriam trabalho honesto, uma formação cívica e nos valores da nossa gente? Muitas vezes ouvi dizerem que se fizeram Homens na tropa, será que numa altura em que atravessamos uma crise de desemprego, falta de valores e falta de pessoas operacionais nas forças militares, esta não seja uma opção óbvia para parte do problema? Ou é melhor continuar a financiar pessoas, que ficam paradas, sem pedir nada em troca?

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