EleiçõesMuito se em discutido nos últimos tempos sobre as autárquicas. Desde os casos dos dinossauros, aos casos das inaugurações de última hora ou adiadas para mais perto das eleições. Muita gente a mexer-se nas redes sociais, nas ruas, e pelos vistos em todo o sítio menos na televisão. Mas para mim as autárquicas são apesar de tudo um pequeno oásis neste nosso regime político, porque apesar de tudo, me parecem ser as mais democráticas entre as nossas eleições.

Nas eleições legislativas votamos num partido qualquer, que coloca depois um sem número de deputados no parlamento para decidir por nós. Não conhecemos a maioria deles, e provavelmente se os conhecêssemos, não votaríamos neles. Filhos de antigos políticos, jovens que nunca na vida fizeram nada que não fosse entrar nos quadros de uma jota aos quinze anos, e outros que tais. Amigos a quem se devem favores, e gente de credibilidade duvidosa. Junta-se a este grupo três ou quatro académicos bem-falantes, e uns ex-ocupantes de cargos governativos, e temos as únicas listas em quem podemos votar.

E quanto ao governo? Bem, é o partido mais votado nas legislativas, que acabei de descrever, com o pequeno extra que normalmente o líder desse partido é o novo Primeiro-Ministro. Podemos dizer que ao menos escolhemos o senhor, mas na realidade escolhemos sem saber nada sobre quem serão os seus ministros.

E a eleição do Presidente da Republica. Bem essa é uma escolha directa, claro que o sistema de assinaturas e de campanha que existe torna difícil qualquer independente, ou movimento, colocar lá alguém, mas apesar de tudo é muito mais viável de acontecer.

As eleições europeias? Penso que poucos portugueses se ralam sequer com elas, e vão votar apenas no partido que votariam se as legislativas fossem nesse dia, uma espécie de barómetro involuntário.

Mas porque digo que as autárquicas são as mais democráticas? Primeiro porque as assinaturas são menos, e quem as recolhe é conhecido normalmente das populações onde as pede. E com isto se vê o número de candidaturas independentes com hipótese de ganhar, em relação a todas as outras eleições. Como isto acontece, os aparelhos dos partidos, muitas vezes apesar de tentarem forçar um qualquer notável do partido, aceitam a decisão de quem a concelhia acha melhor para o seu concelho. O sistema de escolha do “governo” local é bem mais honesto. Os vereadores (correspondentes aos ministros) são eles também sufragados directamente, e vão nas listas como tais, e não apresentados como surpresa.

Isto leva a um muito maior grau de envolvimento, e no que ultima por ser votos em pessoas em vez de partidos, visto muita gente votar nas autárquicas em partidos que nunca votaria numa eleição legislativa. Porque conhecem quem são os reais candidatos, e é sobre eles que opinam.

Claro que nas eleições legislativas isto não acontece. Baixaria em muito o poder dos partidos os círculos uninominais, e as pessoas escolherem quem querem lá. Se isso acontecesse era muito mais difícil arranjar tachos de deputados para família e amigos, e isso, nós sabemos que não querem…

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