Sabores da Tapada Real 2014 – O retorno da gastronomia sustentável

1891089_10201436314779606_932247038_nDizem que as coisas boas são para manter, e a mostra gastronómica Sabores da Tapada Real são claramente um desses exemplos. Com a mesma força de sempre, e para quem gostar de provar comida diferente da do dia à dia, mas ao mesmo tempo tradicional e sustentável, tem aqui uma excelente hipótese. A aproveitar em  Mafra de 1 a 16 de Março.

Para quem não conhece (e já falei mais extensamente deste tema aqui), esta é uma mostra das carnes nobres da Tapada Real de Mafra, o Veado, o Gamo e o Javali, mas caçados de forma sustentável. Ou seja estes animais viveram e cresceram em liberdade, e tiveram de ser abatidos por motivos de controlo populacional.

Os restaurantes aderentes desta feita são:

  • Convento da Cerveja (Mafra)
  • João da Vila Velha (Mafra)
  • O Azeiteiro (Mafra)
  • O Brasão (Mafra)
  • Os Três Irmãos (Mafra)
  • Retiro do Volante (Mafra)
  • Sete Sóis (Mafra)
  • Restaurante Saloio (Malveira)
  • Casa dos Caracóis (Malveira)
  • Pingo na Brasa (Gradil)
  • Portal do Moinho (Ervideira)

Quanto a mim, lá estarei no Sete Sóis, a degustar umas belas costeletas de Gamo, ou caso já não haja a excelente alternativa sempre presente das costeletas de Javali.

 

Dora a trabalhar no McDonald’s e os Investigadores em Antropologia

DoraNos anos 80 a cantora Dora chegou ao estrelato com o super hit “Não sejas Mau para Mim”. Era provavelmente a cantora pop com mais mercado em Portugal na altura, mas tomou a decisão de parar uns anos para ser mãe a tempo inteiro. Uma decisão de louvar.

Recentemente, e provavelmente com o pé de meia ganho na sua altura de fama bem mais vazio, resolve voltar ao seu mercado de trabalho. Tentou fazer tudo aquilo que hoje os artistas tentam fazer para voltar à notoriedade, desde participações em músicas de outros até posar nua para revistas.

Não resultou. O público dela ou já não existia ou já não estava com hipótese de comprar a sua música.

E nestas coisas o mercado é soberano, e ela ficou com duas opções, ou mudar de ramo, ou emigrar. No entanto deve ter pensado que o mercado para a sua carreira de musical também não era famoso lá fora, e por isso tomou a opção lógica: mudar de ramo. Encontrou um emprego no McDonald’s, um trabalho honesto e que paga a tempo e horas. Nada de mais correcto.

Poderemos ver rapidamente as semelhanças com outro caso muito falado dos últimos tempos, o fim de algumas das bolsas de investigação. Especialmente nas áreas ciências sociais.Tentemos fazer uma comparação com o caso da Dora então:

  • O passado: Tinham um público fiel (o mercado no caso da Dora, e o governo a pagar estes estudos).
  • O problema: Fim do seu público alvo (no caso da Dora porque a sua paragem o motivou, no caso dos bolsistas porque o estado deixou de ter dinheiro para financiar estudos não rentáveis nem interessantes para a maioria do país).
  • A tentativa frustrada: tentar arranjar novos mercados (a Dora juntando-se a outros artistas, ou até despindo-se para revistas. Os bolsistas a sondar o mercado privado, que não tem mínimo interesse no que eles estudam).
  • A outra alternativa: Emigrar, mas também sem público. (No caso da Dora, a sua música tem pouco poder internacional. E os antropologistas especializaram-se em coisas que o mercado internacional também não quer).

A diferença foi no que fizeram. Enquanto que a Dora foi procurar outro trabalho honesto que pudesse e seguiu em frente. Os ex-bolseiros ficaram a protestar pelas redes sociais o mau que o estado é por não lhes pagar o que na realidade era apenas interessante para eles…

Posso dizer que da atitude da Dora, revela-se alguém de carácter e de valor. Dos outros… não.

Politica em Portugal é o clubismo do futebol

partidos_politicosUm dos maiores problemas que temos em Portugal são os partidos políticos. Isto é culpa da forma como estão organizados, e como o próprio sistema eleitoral os beneficia e permite que seja difícil mudar o status quo. O outro problema e grande, é a forma como as pessoas escolhem os partidos que apoiam ou integram.

Por muito ridículo que seja eu acredito piamente que uma grande fatia do nosso eleitorado escolhe um partido como quem escolhe um clube de futebol, e a partir daí fica o seu clube, nas boas e más horas.

Se alguém escolhe como seu partido o PS, neste momento como está na oposição, tenta por todos os meios denegrir o governo PSD+CDS que está em vigor, para o PS voltar ao poder. Depois, e caso se tenha um governo tão desastroso de José Sócrates, ficará bem calado, como no caso de um clube de futebol quando perde, enquanto este toma medidas obviamente erradas. E mal chegar a altura de votar claramente que irá, cegamente pois claro, votar no seu partido.

E isto é válido para o PSD+CDS, que tinham muitos apoiantes a trazer a lume cada nova caldeirada em que José Sócrates se metia, cada parceria publico-privada criada para ajudar os seus amigos. E que agora quando o governo toma alguma decisão errada, ou se fazem de mortos, ou apenas sabem dizer que a culpa é dos que vieram antes, porque o clube deles “só perde quando o árbitro rouba”.

Apoiantes do Bloco e do PCP não têm mudado em Portugal conforme estão ou não no governo. Isto porque nunca estes partidos foram delegados pelos portugueses para tal. Mas continuam a protestar de forma o mais ruidosa que conhecem, seguindo a sua já antiga cassete gravada, sem pensar se o que propõe poderia ser algum dia feito no mundo real.

É isto que me chateia, e chateia muito. Muitas pessoas em Portugal olham para os partidos como algo que se escolhe, e se mantém assim. Diz-se bem do que o seu partido se propõe, e mal das coisas dos outros partidos. E se estiverem no arco governativo, tentar chegar ao governo, fazendo sempre os possíveis para o governo actual falhar.

E são estas pessoas que votam recorrentemente sem pensar, porque estão a votar no seu partido. Como o adepto do clube de futebol que quer este jogue bem ou mal, vai continuar a torcer pelas suas cores. E não acho isto mal, mas apenas no futebol…

A Azeitona e o Azeite estão a ajudar Portugal a sair da crise?

azeitonaNas alturas de crise, que em Portugal têm sido recorrentes e cíclicas, um assunto que se fala que se tem de mudar algo, mas muitas vezes nada é feito. Uma das coisas que se refere nestas alturas é que Portugal devia produzir mais, e que se tem perdido a capacidade produtiva, mas desta vez parece que uma boa noticia surge, estamos a produzir mais azeitona.

Quem me conhece sabe que a azeitona é dos poucos alimentos que não gosto, e de todos os que desgosto, o que desgosto com mais força. No entanto sou obrigado a reconhecer o seu valor.

Apenas é produzida em quantidade na bacia do mediterrâneo, e o seu valor comercial, muito devido ao seu uso na produção do Azeite, a gordura da moda a nível mundial, não para de aumentar. Desde à uns anos que se tem investido com alguma intensidade para poder aumentar a produção deste bem, e parece que agora trouxe dividendos.

Segundo a noticia de hoje do INE (podem ler a mesma aqui ) a produção de azeitona para azeite em Portugal irá ser a maior desde a década de 70.

Ou seja desde que a reforma agrária, e as loucuras dos anos 80-90 em que se pensou que agora Portugal seria apenas empregos de colarinho branco e turismo, nunca se tinha produzido tanta azeite, um produto valioso e útil tanto para o nosso consumo, como para a venda ao exterior.

Boas notícias são sempre de valorizar, e de divulgar!

Gonçalo – Um Saloio à conquista do Oriente

DSCN1440Muita gente viaja para descansar, muitos outros viajam para crescer como pessoas e experimentar o que o mundo tem de diferente. Pessoalmente gosto mais da segunda hipótese, mas até agora tenho-me mantido sempre por percursos mais ou menos conhecidos e turísticos. Num entanto um amigo meu, Gonçalo França de seu nome, Mafrense e Saloio de gema, resolveu sair da sua zona de conforto, e tentar uma viagem digna de registo.

Depois de analisar vários possíveis destinos, optou pelo extremo Oriente, desde Hong Kong até à Malásia, passando por inúmeros lugares desde o Cambodja ao Vietname, e uniu-se ao seu primo, e partiram em viagem.

Para relatar a sua viagem, o Gonçalo resolveu fazer um blog, onde tenta actualizar a cada dia as aventuras, e desventuras dos seus dias. Fazendo disto uma opção tanto para guardar as suas recordações para mais tarde, como também para ir mostrando à família e amigos como está e o que está a experienciar.

Com uma boa qualidade dos seus textos, e uma leitura fluída e coesa, já era um motivo para ir lendo o Blog. Junte-se a isto uma boa quantidade de fotografias, e o que ele fala nem sempre ser semelhante ao que se encontra em qualquer guia turístico, aguça ainda mais o gosto em seguir esta jornada.

Mas não se fica por aqui. Muita gente não viaja por falta de dinheiro, mas também não fazem por colocar os valores que pensa em gastar muito acima do que na realidade podem ser. Alguns dos textos mais lidos e comentados do Gonçalo são sobre esse tema. Usando planeamento, e inteligência, ele descreve os seus gastos com a viagem, cuidadosamente anotados, e mostra que se podem fazer viagens exóticas e longínquas, por valores muito inferiores aqueles que se supõe.

Noutra vertente da organização que demonstra, temos a escolha minuciosa do que levar, e o que é realmente necessário para fazer uma super viagem destas. Mesmo que perdendo algum conforto como é claro. Tudo isto ele detalha com pormenor, e deixa muito conhecimento para quem sonhar um dia fazer uma viagem destas.

Outro dado curioso é que o Gonçalo profissionalmente está ligado à culinária, e além de falar muito das experiências gastronómicas que vai tendo, tem feito questão de tentar ao máximo fazer pequenos cursos sobre a culinária local de diversos países. Um excelente exemplo de quem aproveita as férias não só para viajar, mas também para conseguir evoluir profissionalmente.

Pode não ser um roteiro daqueles que se vêm nas revistas cor de rosa, apenas com praias de areia branca e cocktails na piscina, mas é uma viagem magnifica, e uma experiência de vida única que podem ir acompanhando a par e passo. Sigam o meu conselho, e vão a http://viajometro.blogspot.pt/ vale mesmo a pena.

Um grande abraço Gonçalo, e primo, e boa sorte para o resto da viagem!

 

Retorno do Mercado Mensal de Mafra – Uma noticia boa ou nem por isso?

FeiraMafraQuando por ordem da autarquia foi suspenso o mercado mensal em Mafra, muita gente publicamente protestou, e muita gente ficou em surdina satisfeito. É um exercício interessante pensar em quais seriam as reacções a uma suspensão destas num momento como o actual, em que as redes sociais agregam muitos mais sectores da população, e em que tudo parece servir para organizar um protesto.

Muita gente na altura era frequentadora deste mercado (comummente designado de feira), e podemos dizer que continuava a ser um caso de sucesso. Vinham pessoas de várias localidades limítrofes, e nunca deixou de atrair uma grande quantidade de comerciantes, e de compradores.

As críticas, de alguns sectores da população, e mais fortemente de Comerciantes locais, existiam variando na sua forma e motivo.

Muitas vezes ouvíamos pessoas ligadas a associações de comerciantes a queixarem-se dos vendedores ambulantes. Estas queixas iam desde as suspeitas de que estes fugiriam aos seus impostos, até coisas bem mais graves e perigosas como a xenofobia contra os indivíduos de etnia cigana.

Sobre estas tenho obviamente duas posições distintas. No que toca a qualquer tipo de xenofobia, repudio-a de imediato sobre toda e qualquer pessoa. Quanto à legalidade e à falta de tributação, só peço num mercado aquilo que peço em todo o lado, que as autoridades fiscalizem.

Outra crítica que este grupo de pessoas recorrentemente fazia, e que acho alguma graça, de tal forma a entendo pateta, é a que estas pessoas retiravam clientes às lojas da vila, mormente de vestuário e calçado. Claramente que as lojas tradicionais da vila nada tinham a temer sobre isto, visto as gamas de preços praticadas por estas e a feira eram completamente díspares. Claro que se agora colocarmos na equação as lojas  chinesas aí poderemos estar a encontrar conflitos, mas não eram estas que se queixavam.

De uma coisa no entanto também se ouviam queixas, sendo eu um dos que as propagava: a localização e a limpeza do espaço. A lateral e a frente de um edifício Património da Humanidade (seja reconhecido ou não pela UNESCO ainda), com um valor histórico incalculável, não deve estar ocupada por um arraial de compras destes, ainda para mais num dia turístico por excelência como o Domingo.

Para juntar a isso, a quantidade de detritos que ficavam espalhados no chão durante pelo menos um dia, era inqualificável por vezes, sendo um espectáculo que nada trazia de positivo ao centro histórico de Mafra.

Recebi, e recebemos todos porventura, a notícia que o Mercado iria voltar a 16 de Março e o local definido. Deixou de ser um rumor, e agora é um facto, e sobre factos pode e deve opinar-se!

Primeiro que tudo o retorno de algo a que a população adere, frequenta em massa e tem até um certo afecto, é sempre algo de salutar.

Depois o sítio escolhido para mim parece ser uma excelente escolha. Fora do centro histórico, mas no entanto junto a bons acessos, tanto públicos como privados, e perto de uma zona residencial, sem ser colado a esta. O espaço em si também me parece mais fácil de limpar, e esperemos que isso aconteça de forma célere sempre.

A feira será nos moldes do mercado mensal anterior com vestuário, calçado, animais  vivos, frutas e legumes, flores, etc…

No entanto, se conseguirem atrair os vendedores de roupa ambulantes do passado, com preços muito competitivos, penso que os velhos hábitos  de muita gente voltem. E a crise actual pode até ser um factor relevante para isso. As feiras e mercados pelo país fora não têm perdido a força, e esta voltando agora, caso consiga atrair quem já teve, é possível que seja um verdadeiro sucesso.

Vamos é ver se os cafés da zona envolvente se irão adaptar bem, e retirar dividendos desta aposta.

Miró – A arte como um investimento, um gasto ou uma necessidade

joanmiro1O estado Português tentou vender em leilão, via a gigante leiloeira Christies em Londres, as obras de Juan Miró que detém em seu poder. Estala de imediato a polémica, e entre petições e pedidos de intervenção judicial, a venda foi suspensa, e a polémica aumenta de tom. Mas ao certo que obras são estas, porque é que o estado as tem, e porque as quer vender?

Estas para mim são as grandes questões, e para as analisar, vamos ter em conta algumas questões.

Quem foi Juan Miró, e quem relevância tem ele para Portugal?

Miró foi um grande artista plástico, provavelmente um dos maiores do século XX, catalão de nascimento, viveu quase toda a sua vida entre Espanha e França. Não tem ascendentes nem descendentes Portugueses conhecidos e/ou relevantes.

A sua obra também não aborda temas Portugueses, nem é influenciada por Portugal.

Se não é um autor Português, nem com relevância para Portugal, como é que o estado adquiriu estas obras?

O estado Português, governado pelo governo do Socialista José Sócrates, resolveu nacionalizar um banco que deveria ter falido para ajudar amigos e conhecidos. Entre o espólio desse banco estavam, entre outras coisas, uma colecção de pintura de Joan Miró, artista apreciado pelo antigo Presidente desse banco.

Ok, então esta obra apenas está em posse do Estado por mero acaso, mas tem sido útil para a divulgação da arte em Portugal, e traz prestigio para o país, certo?

Errado. Estas obras nunca estiveram expostas ao público, e até à noticia de que iriam ser vendidas nem sequer tinham sido faladas. Tendo em conta que não estão expostas, nem são faladas, não servem para divulgação, nem trazem qualquer tipo de prestigio.

Mas podiam ser rentabilizadas, fazendo com que os 36 Milhões de euros (a base de licitação, poderia atingir valores mais altos) fossem números demasiado baixos.

Talvez não. O museu do país com mais visibilidade para este tipo de obras, o Museu Berardo no CCB, é uma fonte de despesa gigantesca, pagando o estado valores elevados pelo seu aluguer, e tendo visitas razoáveis visto ser gratuito. Colocar isto nesse museu, teria retorno financeiro zero, visto ser uma exposição que não trás receitas directas.

O Joe Berardo indignou-se contra esta venda, dizendo que até que seria preferível ser ele a comprá-la, para a colocar na sua exposição.

Num leilão qualquer pessoa que tenha os fundos para tal, pode comprar. Se o Joe Berardo os tem, ao contrário dos rumores que correm, é livre de o fazer, e comprar. Mais, acho que o estado num caso destes até lhe pode vender directamente pelo preço presumível da venda em hasta, desde que ele pague a pronto e não com acções do BCP claro.

E o que fazer ao dinheiro desta venda? Para que serviria?

Atenuar o dinheiro que o estado gastou, dos contribuintes, para a nacionalização do BNP patrocinada pelo PS seria sempre uma hipótese, até porque foi dinheiro que veio de um orçamento que não o da cultura. Outra hipótese, e considerando que seria para gastar dinheiro para a cultura, seria um reinvestimento inteligente, algumas hipóteses:

  • Compra de obras de autores Portugueses relevantes;
  • Compra de obras de autores influenciados fortemente pela cultura Portuguesa;
  • Criação de estruturas de apoio físicas a um roteiro cultural (passando pelo Museu Nacional de Arte Antiga, Baixa Pombalina, e até Museu Berardo) a partir do porto de cruzeiros de Lisboa;
  • Finalização do Museu dos Coches;

Mas muitas outras hipóteses podiam ser dadas a este dinheiro, por exemplo uma que deve ser chocante para muita gente por cá: poupá-lo.

Em suma, a arte pode e deve ser um investimento, mas um investimento é planeado. Tentar ficar com tudo aquilo que nos caiu nas mãos, e de forma bastante cara, e tentar fazer disso um investimento real, é apenas pateta.