FeiraMafraQuando por ordem da autarquia foi suspenso o mercado mensal em Mafra, muita gente publicamente protestou, e muita gente ficou em surdina satisfeito. É um exercício interessante pensar em quais seriam as reacções a uma suspensão destas num momento como o actual, em que as redes sociais agregam muitos mais sectores da população, e em que tudo parece servir para organizar um protesto.

Muita gente na altura era frequentadora deste mercado (comummente designado de feira), e podemos dizer que continuava a ser um caso de sucesso. Vinham pessoas de várias localidades limítrofes, e nunca deixou de atrair uma grande quantidade de comerciantes, e de compradores.

As críticas, de alguns sectores da população, e mais fortemente de Comerciantes locais, existiam variando na sua forma e motivo.

Muitas vezes ouvíamos pessoas ligadas a associações de comerciantes a queixarem-se dos vendedores ambulantes. Estas queixas iam desde as suspeitas de que estes fugiriam aos seus impostos, até coisas bem mais graves e perigosas como a xenofobia contra os indivíduos de etnia cigana.

Sobre estas tenho obviamente duas posições distintas. No que toca a qualquer tipo de xenofobia, repudio-a de imediato sobre toda e qualquer pessoa. Quanto à legalidade e à falta de tributação, só peço num mercado aquilo que peço em todo o lado, que as autoridades fiscalizem.

Outra crítica que este grupo de pessoas recorrentemente fazia, e que acho alguma graça, de tal forma a entendo pateta, é a que estas pessoas retiravam clientes às lojas da vila, mormente de vestuário e calçado. Claramente que as lojas tradicionais da vila nada tinham a temer sobre isto, visto as gamas de preços praticadas por estas e a feira eram completamente díspares. Claro que se agora colocarmos na equação as lojas  chinesas aí poderemos estar a encontrar conflitos, mas não eram estas que se queixavam.

De uma coisa no entanto também se ouviam queixas, sendo eu um dos que as propagava: a localização e a limpeza do espaço. A lateral e a frente de um edifício Património da Humanidade (seja reconhecido ou não pela UNESCO ainda), com um valor histórico incalculável, não deve estar ocupada por um arraial de compras destes, ainda para mais num dia turístico por excelência como o Domingo.

Para juntar a isso, a quantidade de detritos que ficavam espalhados no chão durante pelo menos um dia, era inqualificável por vezes, sendo um espectáculo que nada trazia de positivo ao centro histórico de Mafra.

Recebi, e recebemos todos porventura, a notícia que o Mercado iria voltar a 16 de Março e o local definido. Deixou de ser um rumor, e agora é um facto, e sobre factos pode e deve opinar-se!

Primeiro que tudo o retorno de algo a que a população adere, frequenta em massa e tem até um certo afecto, é sempre algo de salutar.

Depois o sítio escolhido para mim parece ser uma excelente escolha. Fora do centro histórico, mas no entanto junto a bons acessos, tanto públicos como privados, e perto de uma zona residencial, sem ser colado a esta. O espaço em si também me parece mais fácil de limpar, e esperemos que isso aconteça de forma célere sempre.

A feira será nos moldes do mercado mensal anterior com vestuário, calçado, animais  vivos, frutas e legumes, flores, etc…

No entanto, se conseguirem atrair os vendedores de roupa ambulantes do passado, com preços muito competitivos, penso que os velhos hábitos  de muita gente voltem. E a crise actual pode até ser um factor relevante para isso. As feiras e mercados pelo país fora não têm perdido a força, e esta voltando agora, caso consiga atrair quem já teve, é possível que seja um verdadeiro sucesso.

Vamos é ver se os cafés da zona envolvente se irão adaptar bem, e retirar dividendos desta aposta.

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