DoraNos anos 80 a cantora Dora chegou ao estrelato com o super hit “Não sejas Mau para Mim”. Era provavelmente a cantora pop com mais mercado em Portugal na altura, mas tomou a decisão de parar uns anos para ser mãe a tempo inteiro. Uma decisão de louvar.

Recentemente, e provavelmente com o pé de meia ganho na sua altura de fama bem mais vazio, resolve voltar ao seu mercado de trabalho. Tentou fazer tudo aquilo que hoje os artistas tentam fazer para voltar à notoriedade, desde participações em músicas de outros até posar nua para revistas.

Não resultou. O público dela ou já não existia ou já não estava com hipótese de comprar a sua música.

E nestas coisas o mercado é soberano, e ela ficou com duas opções, ou mudar de ramo, ou emigrar. No entanto deve ter pensado que o mercado para a sua carreira de musical também não era famoso lá fora, e por isso tomou a opção lógica: mudar de ramo. Encontrou um emprego no McDonald’s, um trabalho honesto e que paga a tempo e horas. Nada de mais correcto.

Poderemos ver rapidamente as semelhanças com outro caso muito falado dos últimos tempos, o fim de algumas das bolsas de investigação. Especialmente nas áreas ciências sociais.Tentemos fazer uma comparação com o caso da Dora então:

  • O passado: Tinham um público fiel (o mercado no caso da Dora, e o governo a pagar estes estudos).
  • O problema: Fim do seu público alvo (no caso da Dora porque a sua paragem o motivou, no caso dos bolsistas porque o estado deixou de ter dinheiro para financiar estudos não rentáveis nem interessantes para a maioria do país).
  • A tentativa frustrada: tentar arranjar novos mercados (a Dora juntando-se a outros artistas, ou até despindo-se para revistas. Os bolsistas a sondar o mercado privado, que não tem mínimo interesse no que eles estudam).
  • A outra alternativa: Emigrar, mas também sem público. (No caso da Dora, a sua música tem pouco poder internacional. E os antropologistas especializaram-se em coisas que o mercado internacional também não quer).

A diferença foi no que fizeram. Enquanto que a Dora foi procurar outro trabalho honesto que pudesse e seguiu em frente. Os ex-bolseiros ficaram a protestar pelas redes sociais o mau que o estado é por não lhes pagar o que na realidade era apenas interessante para eles…

Posso dizer que da atitude da Dora, revela-se alguém de carácter e de valor. Dos outros… não.

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