Quando me lançaram o desafio para integrar a equipa da Revista 1906 nem hesitei. O Pedro Varela é um amigo de longa data e um projecto com as características da Revista 1906 faz todo o sentido no panorama desportivo nacional, e é claramente diferenciado tanto pela sua postura como ideologia aberta.

Ao mesmo tempo sabendo que era um projecto que iria exigir mais de mim a nível de IT do que propriamente escrita deu-me a facilidade de articular um tempo após o jantar a cada dia até isto estar pronto para conseguir levar isto a bom porto numa fase inicial, e a partir do momento que esteja tudo sobre rodas será mais uma manutenção pontual do que trabalho constante.

Uma equipa foi formada por 18 pessoas de vários perfis profissionais e pessoais, e de repente um grupo de Sportinguistas está a fazer um trabalho que, faltando a modéstia da qual não tenho grande apreço, está ao nível do melhor que se faz em Portugal pelo menos.

Lembro uma troca de mensagens com o Pedro logo nos primeiros dias do projecto. Disse-lhe que este projecto em si era um pouco estranho pela maneira como estava a ser montado. Nos meus tempos de faculdade, e primeiros anos profissionais, participei em alguns projectos amadores, ou voluntários, e era sempre muito boa vontade e por vezes muita desorganização. Na Revista 1906 havia relatórios, mapas de planeamento, tarefas e uma miríada de documentos que estou habituado a ver no dia a dia empresarial, mas nunca tinha visto num projecto destes.

A resposta estava na realidade no perfil de muitos dos integrantes do projecto. Muita gente na Revista 1906, para não dizer a maioria, estará neste momento num ponto alto da sua carreira. Pessoas com formação, empregadas em diversas áreas lideres dos seus segmentos a juntarem ao talento que têm. Quanto custa isto? Nada, pelo menos para esta Revista.

Lembro-me das palavras sábias de um professor meu aquando a explicação sobre o pagamento do nosso trabalho e empreendedorismo.

Aceitem apenas dois tipos de pagamento. O justo, ou nenhum.

Aceitar um valor baixo pelo vosso trabalho é sempre um mau principio, isto é especialmente relevante em termos freelancing. Vão ficar agarrados a um preço que deram apenas por ser para amigos, ou porque estavam enrascados, e acabarão sempre por ser tabelados por baixo.

Se é para amigos, se é para fazer algo que querem apenas por paixão, façam por isso mesmo, mas não cobrem. Quando estiverem a fazer algo por dever profissional, seja freelancing ou não, cobrem o valor que acham justo, nada menos que isso, e que essa seja a vossa bitola.

Como é possível um projecto voluntário bater os profissionais? É a pergunta clara que deriva do que foi escrito até aqui, porque há muita qualidade envolvida em cada um dos presentes, mesmo que não se esteja a pagar por isso. Cada um apenas está a doar o seu tempo em prol do que entendem como o Sportinguismo militante de que todos sofremos.

Se fosse a ser cobrada em custo homem-hora esta revista a cada um dos profissionais envolvidos estaríamos facilmente a falar de uma revista que teria alguns milhares largos de euros de custo só nesta edição.

Só o trabalho gráfico desenvolvido pelo Daniel teria um custo incomportável para a maioria dos projectos amadores que há por aí, dai dizer claramente que isto é um projecto voluntário, mas de longe não é algo amador. E já agora, se alguém precisar de um designer corporativo top, entrem em contacto com o Daniel, a sério.

No fundo acaba por ser uma prova que as pessoas ainda estão dispostas a trabalhar voluntariamente em prol de causas comuns. E isto tanto é verdade no desporto, como na cultura como na acção social. E também fixar sempre a máxima, aceitem ou o valor justo, ou façam como voluntariado. Os valores no meio só vos trarão problemas a longo prazo.

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