O atentando que ninguém fala cometido ontem no Estádio do Dragão

Hoje ao ver os noticiários da hora de almoço deparei-me com gratulações de várias pessoas ligadas ao desporto, jornalistas e comentadores sobre como ontem tinha decorrido o jogo no Estádio do Dragão. Isto no que toca ao controlo da pandemia de COVID-19, porque sinceramente o jogo em causa para mim me dizia pouco visto os intervenientes não me interessarem particularmente.

Nas peças lá surgia a congratulação porque estiveram presentes no estádio mais de quarenta e cinco mil pessoas, todas testadas.  E de repente mostravam que seis mil desses testes tinham sido feitos em tendas à porta do Estádio do Dragão.

Destes apenas vinte e três deram casos positivos diziam os jornalistas em modo de festa. Toda a gente a falar disto como vitória, e a mente analítica, ou psicótica como poderão dizer outros, que possuo a começar a disparar sinais de alerta por todo o lado.

Eu sou adepto de futebol, sei como as pessoas vão à bola, e a forma de grupo como seguem. Mesmo em tempos de pandemia. Destes vinte e três indivíduos estiveram provavelmente com amigos durante a tarde, e até nos dias anteriores. Até é provável que tenham ido ser testados em grupos de quatro ou cinco, senão mais.

Acreditam que num grupo de quatro ou cinco amigos que estiveram a virar uns finos, como se diz pelo Porto, ao ver um deles com teste negativo se foram todos embora para casa? Não acredito muito.

Ou seja, é bastante provável que algumas dezenas de adeptos, com testes negativos, mas com contactos com positivos acabados de diagnosticar, tivessem ido para o jogo.

Também sei, e sabemos a apesar de muitos se fazerem agora esquecidos, que os contágios se dão durante um período em que muitas vezes ainda não é presente em testes o vírus. Especialmente nestes testes antigénio.

Temos de assumir, quem não for desonesto intelectualmente, que neste durante cerca de duas horas, houve umas dezenas de infectados que estiveram a um metro de distância de pelo menos umas 8 pessoas. Num estádio com mais de 45 mil pessoas lá dentro é o que acontece.

Enquanto se mete um travão a alguns sectores da nossa economia por força de um bem comum e de um controlo da pandemia, mantemos uma irresponsabilidade, não lhe chamem liberdade, para fazer ajuntamentos desta forma enquanto no mesmo dia se registam quase 13 mil novos casos registados.

Hoje deveria ser um dia apenas para desejar bom Natal a todos, mas olhando para como o (des)Governo cede a pressões para permitir atentados à saúde pública desta forma, e é amparado pela subserviente comunicação social, a revolta é grande demais para escrever de outra forma.

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