Novas vitimas de terrorismo Islâmico na Europa

Ontem em Copenhaga mais um ataque fatal protagonizado por um atirador Islâmico. Conseguiu fugir e hoje repetiu o feito, em termos de mortalidade. O único facto positivo no meio disto tudo foi que pelo menos desta vez a polícia conseguiu neutraliza-lo.

Desde que me lembro de ter um pensamento politico e moral que me considero plenamente contra a pena de morte. Mas nestes casos não consigo de deixar de sentir que foi feita alguma justiça quando são abatidos estes terroristas.

O seu objectivo é limitar as liberdades dos outros pelo medo. E quando não o conseguem pela morte. Sem respeito qualquer pela vida dos outros, e de quem está na mesma zona.

A sociedade não pode aceitar esta gente.

Atitude vergonhosa de Obama

Fez hoje 70 anos da libertação do campo de concentração de Auschwitz. Um dia comemorado de forma particularmente cerrada a cada dez anos. E que poderá ter sido o último a contar com sobreviventes desta tragédia.

Normalmente os lideres de todo o mundo, e em especial daqueles que tiveram um papel relevante na Segunda Guerra Mundial, reúnem-se para lembrar ao mundo o que se passou, e honrar os que sofreram e morreram nos campos da morte.

Hoje Barack Obama faltou a este compromisso. Achou mais importante a coroação de um seu aliado seu cheio de petróleo do que lembrar para não deixar esquecer nunca um dos actos mais vis cometidos pela humanidade na história contemporânea.

Há valores que nunca se devem vender. E este Barack Obama vendeu. Um dia triste para Obama, e para os Estados Unidos.

Uma ideia brilhante do PS

A época de gripe deste ano está mais forte do que tem acontecido nos últimos anos. Como tal, consequência imediata, muita gente se dirige aos hospitais, centro de saúde e sap’s para encontrar forma de tratamento.

A isto junte-se todos os doentes normais para a época do ano, e o sistema nacional de saúde fica entupido. Falta de médicos, falta de especialistas, faltas dadas por médicos, motivos são muitos e conhecidos.

No entanto o PS deu uma ideia brilhante: suspender as taxas moderadoras neste período. Como é que ninguém tinha tido ainda esta brilhante ideia.

Basta pensar um pouco, quem está com gripe forte, vai procurar assistência com esta medida. Bem, na realidade iria com esta medida, ou sem ela. Mas o que mudaria então caso tão brilhante ideia fosse aplicada?

Mais gente nos serviços de saúde. Para pedir aquela receita do medicamento do mês, já que isso custa uma taxa moderadora. Ou para pedir uma declaração, para tirar a carta ou outra afim, já que assim se poupava uns cobres.

Esta medida conseguiria a proeza brilhante de levar ainda mais gente para os serviços de saúde. Serviços estes já sobrelotados nesta altura por causa de um surto de gripe mais forte que o comum.

Conseguir piorar uma coisa com uma medida simples é obra. Nem todos conseguem esta proeza genial. Mas o PS nisso é mestre!

7 de Janeiro de Negro na Cidade da Luz

Ainda estou em choque com as noticias que chegam de Paris. Vários homens armados entraram na redacção do Jornal Satírico Charlie Hebdo. Entraram gritando que estavam a vingar o Profeta Maomé. E começaram a matar sem piedade durante dez minutos.

Doze pessoas foram assassinadas, e mais algumas feridas. Tudo isto por terem um jornal que fazia sátiras que os assassinos não gostaram.

Por algumas vezes os cartoonistas deste jornal satírico publicaram cartoons jocosos com Maomé e outras figuras islâmicas. Claro está ridicularizando as mesmas.

Mas não se pense que este é o alvo único do periódico. Marcadamente de extrema esquerda, anti-clerical e ateu, dá o mesmo tratamento aos católicos. E aos judeus, e a toda a gente que não alinha na sua visão de extrema esquerda do mundo.

É essa a beleza maior da sociedade ocidental. Se alguém quer escrever, desenhar ou de qualquer forma expressar uma opinião, é livre de o fazer. E o que hoje estes terroristas fizeram foi matar para impedir a liberdade de expressão.

Isto é triste, condenável a todos os níveis, e nada de bom trás ao mundo. Uma cidade como Paris, com a sua luz e cultura, devia ser palco de tudo menos de um caso como este.

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McDonald’s Mafra – O que irá acontecer?

Há muitos anos que volta e meia surgem rumores da abertura de um McDonald’s em Mafra. No entanto parece que desta vez vai mesmo acontecer. O que podemos esperar disto?

Bem antes demais, que seja um sucesso. Muita gente gosta. Muita gente odeia. Pouca gente nunca provou. No entanto o McDonald’s provou já inúmeras vezes que ganha as apostas que faz. Muito disto se deve a uma longa tradição em estudos de mercado, e um marketing muito forte e consolidado.

Em Mafra a localização que se fala, perto do Parque Desportivo Eng. Ministro dos Santos, com excelentes acessos, e perto de escolas e parques industriais, parece perfeita para isso.

Questões sobre a taxa de obesidade infantil na bela Vila, parecem-me infundadas. As crianças têm opções tão calóricas como o McDonald’s já disponíveis. E já muitos pais cediam aos desejos das crianças levando-as a McDonald’s situados noutros concelhos. Não será provável que seja por aí que algo de mal ocorra.

No entanto as consequências para a vida económica em Mafra serão reais. Para começar a mais positiva de todas, será a criação de postos de trabalho. Certo que a maioria não serão empregos de sonho e remunerados acima da média, mas serão empregos.

A segunda é para a restauração local. O caso que salta logo à vida será o do Mr. Burger. Essa grande instituição Mafrense terá os seus dias contados para muitos dos que ouvi falar deste assunto.

Não poderia discordar mais no entanto. Numa fase em que os hambúrgueres estão mais na moda que nunca, e em que as receitas alternativas e diferentes são procuradas, uma casa com tradição como o Mr. Burger nada tem a temer, desde que continue igual a si próprio.

Claro que passará a ser a solução mais rápida e fácil para muitos desenrasques. Mais será uma solução procurada para quem vai para a noite da Ericeira, ou dependendo das horas de fecho, para quem volta.

Para mim parece ser algo positivo, a confirmar-se o rumor, apenas tenho um pedido: Façam uma versão em Pão de Mafra com umas rodelas de chouriço Saloio!

 

Tozé (In)Seguro – Um exemplo de (in)coerência

O Partido Socialista, liderado pelo caro Tozé Seguro, foi o partido mais votado nas eleições europeias de passado Domingo. Foi o vencedor,  isso é um facto.

Com isso acha que a margem, nem quatro por cento, com que ganhou ao partido que ocupa o governo, é motivo para este ser retirado do seu lugar por via de eleições antecipadas.

António Costa, membro do seu PS, acha que face a esta magra vitória (quando da última vez em que esteve na oposição o PS teve 44% em europeias) é motivo para esta direcção do partido cair. Dando lugar a eleições antecipadas.

Do alto da sua coerência Tozé Seguro acha que o primeiro é um argumento lógico, mas o segundo não. É grande esta coerência do Tozé.

Uma sujeira criada pelo PS e uma saída limpa

O estado desastroso em que as finanças do país se encontravam com o PS ao leme obrigaram Portugal a pedir ajuda financeira. Não fosse esta ajuda, e não havia dinheiro para pagar aos funcionários públicos dentro de dois meses.

jose_socrates_e_antonio_jose_seguro_zorateO PS assinou um duro acordo com a última instituição que nos aceitou emprestar dinheiro, a Troika, e hoje finalmente, e com muito custo, deixamos de estar dependentes desse acordo. É isso a saída limpa. Não precisamos mais de mais dinheiro da Troika, mas ainda teremos muitos anos para pagar esta sujeira criada pelo PS.

E agora o PS queixa-se de que se está a fazer uma saída limpa. Ou seja queria outra. E se queria outra, significava pedir mais dinheiro emprestado. Mais dinheiro para ter de pagar, e ainda mais anos de austeridade.

E quando se fala de que isto tudo é limpar a sujeira que o PS fez, pessoas ligadas a este partido diz que andar a apontar culpas não é bom para o país. Se calhar apontar mais culpas, e até criminalizar quem fez o país cair quase na bancarrota, é que devia ser feito para isto não acontecer…

Camarate: O que quer a RTP esconder?

Atentado Camarate

Em Camarate, faz este Dezembro 34 anos, morreu um Primeiro Ministro de Portugal, tal como outras figuras de estado. Todo este tempo passado, e continua a haver mais dúvidas do que certezas. E a RTP parece preferir que assim fique.

Na semana passada esta estação de televisão submeteu um recurso ao Supremo Tribunal de Justiça para não ter de enviar as imagens que recolheu em bruto a uma comissão de inquérito. Esta estação que foi a única que cobriu todo o caso, acidente ou atentado, desde o seu inicio.

Choca-me esta recusa em entregar as imagens em bruto sobre Camarate.  Uma comissão no passado teve acesso às mesmas, ou pelo menos parte delas. Podem ser importantes para descobrir o que realmente se passou ali. Foi um evento que vitimou entre outros Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa. Ou seja um chefe de governo e um ministro da defesa. Tudo aquilo que possa ajudar a trazer alguma luz sobre este caso deveria ser feito.

As perguntas…

Será que a suposta liberdade jornalística deve opor-se à justiça e à descoberta sobre este trágico evento? A quem interessará esta negação de entrega das imagens? E o que conterão as mesmas?

Grandes Frases XVI – Francisco Sá Carneiro

Sá Carneiro e Snu Abecasis

“Não há futuro económico e social possível quando o problema principal não é o excesso de consumo privado, com o que nos querem convencer, mas o excesso de consumo público, a monstruosidade das despesas públicas.”

Francisco Sá Carneiro

Mais liberdade para se ser não fumador

Houve uma medida do governo de José Sócrates que foi realmente boa. Maior liberdade de escolha em ser ou não fumador.

Passaram seis anos com esta lei em vigor. Muita gente fez orelhas moucas. A fiscalização poderia ter sido mais forte. Mas na verdade esta lei vigora. Fazendo o balanço deste tempo o governo apresentou uma proposta de melhoramento da mesma. Esta proposta de alteração vem dar mais liberdade ao não fumador. Algo louvável a meu ver.

Sei que muitos fumadores consideram um atentado à sua liberdade. Para eles fumar onde quiserem é o correcto. Esquecem-se de um pequeno facto. Um não fumador, ao não fumar, não está a intoxicar ninguém. Fumadores ao fumarem estão efectivamente a forçar o próximo a fazê-lo.

Não quero ser fundamentalista. Na rua o sistema de extracção de fumo do planeta terra funciona lindamente. Como tal deve ser permitido fumar na rua. E isto incluí obviamente as esplanadas.

Na casa de cada um, a opção é do proprietário. Esta parte é óbvia também.

Nos espaços interiores a extracção funciona mal. Mesmo com os sistemas de extracção actuais. E considerar que funcionam mal é ser brando.

O que é comum em todos os bares onde é permitido fumar? Todos tresandam! Em restaurantes o caso é apenas ligeiramente melhor. Ainda assim bem longe do aceitável.

Os espaços para fumadores dos centros comerciais? Mais um foco de fumo. E para piorar ainda espalham fumo pelas zonas adjacentes.

Os riscos para a saúde de fumadores e não fumadores são evidentes.

A actual legislação permite que se fume em espaços interiores. Mas levanta logo a ressalva: estes terão de estar munidos de sistemas eficazes de extracção de fumo de tabaco eficazes. O problema está aí. Seis anos desta lei vieram provar que os sistemas não funcionam.

Foi bom ter-se tentado o caminho intermédio. O que mostra este caminho intermédio? Que não é suficiente.  Como ajudar a saúde pública? Como zelar pela liberdade de não ser fumador?

Fumar em espaços públicos fechados deve ser proibido.

Claro que isto é uma proposta de alteração à lei. Quem se oporá? O lobby das tabaqueiras é óbvio. Muitos fumadores egocêntricos também. Alguns estabelecimentos nocturnos também. Tal como os Casinos. Esperemos que não consigam travar a lei. Mas nunca fiando…

Dora a trabalhar no McDonald’s e os Investigadores em Antropologia

DoraNos anos 80 a cantora Dora chegou ao estrelato com o super hit “Não sejas Mau para Mim”. Era provavelmente a cantora pop com mais mercado em Portugal na altura, mas tomou a decisão de parar uns anos para ser mãe a tempo inteiro. Uma decisão de louvar.

Recentemente, e provavelmente com o pé de meia ganho na sua altura de fama bem mais vazio, resolve voltar ao seu mercado de trabalho. Tentou fazer tudo aquilo que hoje os artistas tentam fazer para voltar à notoriedade, desde participações em músicas de outros até posar nua para revistas.

Não resultou. O público dela ou já não existia ou já não estava com hipótese de comprar a sua música.

E nestas coisas o mercado é soberano, e ela ficou com duas opções, ou mudar de ramo, ou emigrar. No entanto deve ter pensado que o mercado para a sua carreira de musical também não era famoso lá fora, e por isso tomou a opção lógica: mudar de ramo. Encontrou um emprego no McDonald’s, um trabalho honesto e que paga a tempo e horas. Nada de mais correcto.

Poderemos ver rapidamente as semelhanças com outro caso muito falado dos últimos tempos, o fim de algumas das bolsas de investigação. Especialmente nas áreas ciências sociais.Tentemos fazer uma comparação com o caso da Dora então:

  • O passado: Tinham um público fiel (o mercado no caso da Dora, e o governo a pagar estes estudos).
  • O problema: Fim do seu público alvo (no caso da Dora porque a sua paragem o motivou, no caso dos bolsistas porque o estado deixou de ter dinheiro para financiar estudos não rentáveis nem interessantes para a maioria do país).
  • A tentativa frustrada: tentar arranjar novos mercados (a Dora juntando-se a outros artistas, ou até despindo-se para revistas. Os bolsistas a sondar o mercado privado, que não tem mínimo interesse no que eles estudam).
  • A outra alternativa: Emigrar, mas também sem público. (No caso da Dora, a sua música tem pouco poder internacional. E os antropologistas especializaram-se em coisas que o mercado internacional também não quer).

A diferença foi no que fizeram. Enquanto que a Dora foi procurar outro trabalho honesto que pudesse e seguiu em frente. Os ex-bolseiros ficaram a protestar pelas redes sociais o mau que o estado é por não lhes pagar o que na realidade era apenas interessante para eles…

Posso dizer que da atitude da Dora, revela-se alguém de carácter e de valor. Dos outros… não.

Politica em Portugal é o clubismo do futebol

partidos_politicosUm dos maiores problemas que temos em Portugal são os partidos políticos. Isto é culpa da forma como estão organizados, e como o próprio sistema eleitoral os beneficia e permite que seja difícil mudar o status quo. O outro problema e grande, é a forma como as pessoas escolhem os partidos que apoiam ou integram.

Por muito ridículo que seja eu acredito piamente que uma grande fatia do nosso eleitorado escolhe um partido como quem escolhe um clube de futebol, e a partir daí fica o seu clube, nas boas e más horas.

Se alguém escolhe como seu partido o PS, neste momento como está na oposição, tenta por todos os meios denegrir o governo PSD+CDS que está em vigor, para o PS voltar ao poder. Depois, e caso se tenha um governo tão desastroso de José Sócrates, ficará bem calado, como no caso de um clube de futebol quando perde, enquanto este toma medidas obviamente erradas. E mal chegar a altura de votar claramente que irá, cegamente pois claro, votar no seu partido.

E isto é válido para o PSD+CDS, que tinham muitos apoiantes a trazer a lume cada nova caldeirada em que José Sócrates se metia, cada parceria publico-privada criada para ajudar os seus amigos. E que agora quando o governo toma alguma decisão errada, ou se fazem de mortos, ou apenas sabem dizer que a culpa é dos que vieram antes, porque o clube deles “só perde quando o árbitro rouba”.

Apoiantes do Bloco e do PCP não têm mudado em Portugal conforme estão ou não no governo. Isto porque nunca estes partidos foram delegados pelos portugueses para tal. Mas continuam a protestar de forma o mais ruidosa que conhecem, seguindo a sua já antiga cassete gravada, sem pensar se o que propõe poderia ser algum dia feito no mundo real.

É isto que me chateia, e chateia muito. Muitas pessoas em Portugal olham para os partidos como algo que se escolhe, e se mantém assim. Diz-se bem do que o seu partido se propõe, e mal das coisas dos outros partidos. E se estiverem no arco governativo, tentar chegar ao governo, fazendo sempre os possíveis para o governo actual falhar.

E são estas pessoas que votam recorrentemente sem pensar, porque estão a votar no seu partido. Como o adepto do clube de futebol que quer este jogue bem ou mal, vai continuar a torcer pelas suas cores. E não acho isto mal, mas apenas no futebol…

A Azeitona e o Azeite estão a ajudar Portugal a sair da crise?

azeitonaNas alturas de crise, que em Portugal têm sido recorrentes e cíclicas, um assunto que se fala que se tem de mudar algo, mas muitas vezes nada é feito. Uma das coisas que se refere nestas alturas é que Portugal devia produzir mais, e que se tem perdido a capacidade produtiva, mas desta vez parece que uma boa noticia surge, estamos a produzir mais azeitona.

Quem me conhece sabe que a azeitona é dos poucos alimentos que não gosto, e de todos os que desgosto, o que desgosto com mais força. No entanto sou obrigado a reconhecer o seu valor.

Apenas é produzida em quantidade na bacia do mediterrâneo, e o seu valor comercial, muito devido ao seu uso na produção do Azeite, a gordura da moda a nível mundial, não para de aumentar. Desde à uns anos que se tem investido com alguma intensidade para poder aumentar a produção deste bem, e parece que agora trouxe dividendos.

Segundo a noticia de hoje do INE (podem ler a mesma aqui ) a produção de azeitona para azeite em Portugal irá ser a maior desde a década de 70.

Ou seja desde que a reforma agrária, e as loucuras dos anos 80-90 em que se pensou que agora Portugal seria apenas empregos de colarinho branco e turismo, nunca se tinha produzido tanta azeite, um produto valioso e útil tanto para o nosso consumo, como para a venda ao exterior.

Boas notícias são sempre de valorizar, e de divulgar!

Retorno do Mercado Mensal de Mafra – Uma noticia boa ou nem por isso?

FeiraMafraQuando por ordem da autarquia foi suspenso o mercado mensal em Mafra, muita gente publicamente protestou, e muita gente ficou em surdina satisfeito. É um exercício interessante pensar em quais seriam as reacções a uma suspensão destas num momento como o actual, em que as redes sociais agregam muitos mais sectores da população, e em que tudo parece servir para organizar um protesto.

Muita gente na altura era frequentadora deste mercado (comummente designado de feira), e podemos dizer que continuava a ser um caso de sucesso. Vinham pessoas de várias localidades limítrofes, e nunca deixou de atrair uma grande quantidade de comerciantes, e de compradores.

As críticas, de alguns sectores da população, e mais fortemente de Comerciantes locais, existiam variando na sua forma e motivo.

Muitas vezes ouvíamos pessoas ligadas a associações de comerciantes a queixarem-se dos vendedores ambulantes. Estas queixas iam desde as suspeitas de que estes fugiriam aos seus impostos, até coisas bem mais graves e perigosas como a xenofobia contra os indivíduos de etnia cigana.

Sobre estas tenho obviamente duas posições distintas. No que toca a qualquer tipo de xenofobia, repudio-a de imediato sobre toda e qualquer pessoa. Quanto à legalidade e à falta de tributação, só peço num mercado aquilo que peço em todo o lado, que as autoridades fiscalizem.

Outra crítica que este grupo de pessoas recorrentemente fazia, e que acho alguma graça, de tal forma a entendo pateta, é a que estas pessoas retiravam clientes às lojas da vila, mormente de vestuário e calçado. Claramente que as lojas tradicionais da vila nada tinham a temer sobre isto, visto as gamas de preços praticadas por estas e a feira eram completamente díspares. Claro que se agora colocarmos na equação as lojas  chinesas aí poderemos estar a encontrar conflitos, mas não eram estas que se queixavam.

De uma coisa no entanto também se ouviam queixas, sendo eu um dos que as propagava: a localização e a limpeza do espaço. A lateral e a frente de um edifício Património da Humanidade (seja reconhecido ou não pela UNESCO ainda), com um valor histórico incalculável, não deve estar ocupada por um arraial de compras destes, ainda para mais num dia turístico por excelência como o Domingo.

Para juntar a isso, a quantidade de detritos que ficavam espalhados no chão durante pelo menos um dia, era inqualificável por vezes, sendo um espectáculo que nada trazia de positivo ao centro histórico de Mafra.

Recebi, e recebemos todos porventura, a notícia que o Mercado iria voltar a 16 de Março e o local definido. Deixou de ser um rumor, e agora é um facto, e sobre factos pode e deve opinar-se!

Primeiro que tudo o retorno de algo a que a população adere, frequenta em massa e tem até um certo afecto, é sempre algo de salutar.

Depois o sítio escolhido para mim parece ser uma excelente escolha. Fora do centro histórico, mas no entanto junto a bons acessos, tanto públicos como privados, e perto de uma zona residencial, sem ser colado a esta. O espaço em si também me parece mais fácil de limpar, e esperemos que isso aconteça de forma célere sempre.

A feira será nos moldes do mercado mensal anterior com vestuário, calçado, animais  vivos, frutas e legumes, flores, etc…

No entanto, se conseguirem atrair os vendedores de roupa ambulantes do passado, com preços muito competitivos, penso que os velhos hábitos  de muita gente voltem. E a crise actual pode até ser um factor relevante para isso. As feiras e mercados pelo país fora não têm perdido a força, e esta voltando agora, caso consiga atrair quem já teve, é possível que seja um verdadeiro sucesso.

Vamos é ver se os cafés da zona envolvente se irão adaptar bem, e retirar dividendos desta aposta.

Miró – A arte como um investimento, um gasto ou uma necessidade

joanmiro1O estado Português tentou vender em leilão, via a gigante leiloeira Christies em Londres, as obras de Juan Miró que detém em seu poder. Estala de imediato a polémica, e entre petições e pedidos de intervenção judicial, a venda foi suspensa, e a polémica aumenta de tom. Mas ao certo que obras são estas, porque é que o estado as tem, e porque as quer vender?

Estas para mim são as grandes questões, e para as analisar, vamos ter em conta algumas questões.

Quem foi Juan Miró, e quem relevância tem ele para Portugal?

Miró foi um grande artista plástico, provavelmente um dos maiores do século XX, catalão de nascimento, viveu quase toda a sua vida entre Espanha e França. Não tem ascendentes nem descendentes Portugueses conhecidos e/ou relevantes.

A sua obra também não aborda temas Portugueses, nem é influenciada por Portugal.

Se não é um autor Português, nem com relevância para Portugal, como é que o estado adquiriu estas obras?

O estado Português, governado pelo governo do Socialista José Sócrates, resolveu nacionalizar um banco que deveria ter falido para ajudar amigos e conhecidos. Entre o espólio desse banco estavam, entre outras coisas, uma colecção de pintura de Joan Miró, artista apreciado pelo antigo Presidente desse banco.

Ok, então esta obra apenas está em posse do Estado por mero acaso, mas tem sido útil para a divulgação da arte em Portugal, e traz prestigio para o país, certo?

Errado. Estas obras nunca estiveram expostas ao público, e até à noticia de que iriam ser vendidas nem sequer tinham sido faladas. Tendo em conta que não estão expostas, nem são faladas, não servem para divulgação, nem trazem qualquer tipo de prestigio.

Mas podiam ser rentabilizadas, fazendo com que os 36 Milhões de euros (a base de licitação, poderia atingir valores mais altos) fossem números demasiado baixos.

Talvez não. O museu do país com mais visibilidade para este tipo de obras, o Museu Berardo no CCB, é uma fonte de despesa gigantesca, pagando o estado valores elevados pelo seu aluguer, e tendo visitas razoáveis visto ser gratuito. Colocar isto nesse museu, teria retorno financeiro zero, visto ser uma exposição que não trás receitas directas.

O Joe Berardo indignou-se contra esta venda, dizendo que até que seria preferível ser ele a comprá-la, para a colocar na sua exposição.

Num leilão qualquer pessoa que tenha os fundos para tal, pode comprar. Se o Joe Berardo os tem, ao contrário dos rumores que correm, é livre de o fazer, e comprar. Mais, acho que o estado num caso destes até lhe pode vender directamente pelo preço presumível da venda em hasta, desde que ele pague a pronto e não com acções do BCP claro.

E o que fazer ao dinheiro desta venda? Para que serviria?

Atenuar o dinheiro que o estado gastou, dos contribuintes, para a nacionalização do BNP patrocinada pelo PS seria sempre uma hipótese, até porque foi dinheiro que veio de um orçamento que não o da cultura. Outra hipótese, e considerando que seria para gastar dinheiro para a cultura, seria um reinvestimento inteligente, algumas hipóteses:

  • Compra de obras de autores Portugueses relevantes;
  • Compra de obras de autores influenciados fortemente pela cultura Portuguesa;
  • Criação de estruturas de apoio físicas a um roteiro cultural (passando pelo Museu Nacional de Arte Antiga, Baixa Pombalina, e até Museu Berardo) a partir do porto de cruzeiros de Lisboa;
  • Finalização do Museu dos Coches;

Mas muitas outras hipóteses podiam ser dadas a este dinheiro, por exemplo uma que deve ser chocante para muita gente por cá: poupá-lo.

Em suma, a arte pode e deve ser um investimento, mas um investimento é planeado. Tentar ficar com tudo aquilo que nos caiu nas mãos, e de forma bastante cara, e tentar fazer disso um investimento real, é apenas pateta.

Angola – fim de uma parceria, e as questões que se impõem fazer

400px-José_Eduardo_dos_Santos_2Hoje, com pompa e circunstancia, o Presidente da Republica de Angola, José Eduardo dos Santos, anunciou que acabou a parceria estratégica entre este país e Portugal. O que me levanta de imediato algumas questões:

– O que era afinal esta parceria estratégica, e o que é que ela rendeu para Portugal até hoje?

– Que vantagens tinham as empresas portuguesas com esta parceria?

– O que muda para as empresas portuguesas com esta mudança?

– Os benefícios que foram dados a angolanos, nomeadamente na compra de participações em empresas Portuguesas, serão mantidos, continuados ou devolvidos?

– O que significa isto para os milhares de cidadãos portugueses que se encontram a trabalhar em Angola?

– E o que significa para os turistas de Angola, carregados de dinheiro enquanto no seu país se vive fome extrema, que vêm gastar dinheiro em marcas de luxo em Lisboa?

E a mais importante de todas:

– Faria algum sentido tentar censurar ou de outra qualquer forma limitar, a nossa liberdade de imprensa, para satisfazer um regime pouco democrático que é nosso amigo?