Amazon UK acaba com envio gratuito para PT, Alternativas e Problemas

A Amazon UK,  onde e eu e tantos portugueses somos fieis compradores, acabou com os envios gratuitos para Portugal. Foi assim, de forma crua e rápida que soubemos desta má novidade.

Posso dizer que já comprei um pouco de tudo nesta loja. A maioria das compras foram claramente DVD’s e livros, mas de resto, até brinquedos para a minha cadela já vieram dali.

Existem alternativas, das quais eu sou cliente até, como o Play (www.play.com), que manterá o envio gratuito para Portugal.

Mas compensa sempre usar as alternativas?

Vamos tomar como exemplo a caixa de DVD’s das primeiras três temporadas de Game of Thrones. Esta caixa de 15 DVD’s está disponível tanto na Amazon UK como no Play. Sendo que no segundo caso está com envio gratuito para Portugal.

Neste caso será melhor comprar no Play certo?

Vamos fazer as contas. No Play.com o custo da caixa são 62.94€. Preço directo e final. Basta pagar esse valor e é nosso. Na Amazon UK por seu lado, teremos de pagar as £44.97 (54.21€ ao cambio de hoje) e ainda lhe somar os gastos de envio. A questão aqui é, quanto fica com estes gastos de envio? 61.66€.

Apesar de termos de pagar à parte o envio, continua mais barato comprar na Amazon UK. Claro que existem produtos que compensarão comprar no Play, por isso continuarei cliente de ambos. Vai dar ligeiramente mais trabalho a fazer as contas, mas o mundo continua a girar.

Em ambos os casos existe no entanto uma verdade. Fica bem mais barato do que comprar em Portugal.

Para livros há ainda o Book Depository por exemplo. Para séries e jogos temos o Zavvi também. Agora teremos é de fazer mais contas.

Vantagens de ler em formato digital?

Ler é uma fonte de evolução pessoal. Ler também é uma forma de lazer. Mas será que o formato onde se lê é relevante?

Desde a invenção da imprensa os livros impressos têm sido a forma primordial de leitura. Um livro impresso é algo facilmente transportável, de fácil maneio, e normalmente até bastante agradável à vista.

No entanto nos últimos anos, e com as evoluções tecnológicas, começaram a aparecer com muita força os livros em formato digital (ebooks).

Que vantagens existem nesta forma de ler?

  1. Não ocupam espaço físico. Logo não necessitam de um grande espaço para arrumar as centenas, ou milhares de livros, que possui.
  2. Podem ser transportados facilmente. Basicamente toda a biblioteca pode andar atrás com uma pessoa no bolso ou mala.
  3. Não se degradam com o tempo. Um livro em formato digital é informação pura. Esta não se vai deteriorando com o manuseamento ou com o tempo.
  4. Basta ter uma ligação à Internet para ter um novo livro. As lojas estão abertas 24 horas por dia, sete dias por semana.
  5. Os stocks das lojas de ebooks são ilimitados. Nunca existe um livro que está temporariamente esgotado.
  6. São mais baratos. Claro que algumas editoras, especialmente nacionais, tendem a abusar e não baixar o preço.
  7. Existem milhares de livros gratuitos, e de forma legal, online. Qualquer texto que já tenha expirado os direitos de autor, poderá ser utilizado sem custos. Em formato físico, tem de se pagar sempre a impressão do mesmo.
  8. Possibilidade de alterar tipos de letra, tamanho e espaçamento. Não se tem de cingir às escolhas do editor caso não sejam ao gosto do leitor.
  9. Contêm normalmente dicionários, e mesmo enciclopédias, incluídas nos dispositivos. Útil tanto para descobrir algo mais sobre um local como para saber o significado de uma palavra estrangeira.
  10. Pode pesquisar-se uma palavra directamente. Basta digitar a mesma, e aparece todas as suas ocorrências. Isto é especialmente útil em livros técnicos, ou outros de não-ficção.
  11. Grande facilidade em tomar notas, e sublinhados, que depois são automaticamente agrupados.
  12. São discretos. Quem nunca viu alguém no metro a ler um livro forrado com um qualquer papel? Com esta forma o que está a ler fica apenas para si.
  13. Nenhuma árvore será abatida para a sua produção. Nem tinta será gasta na impressão do livro.

Mas existem vantagens na forma tradicional de ler!

  1. Um livro em formato digital não é passível de empréstimos. Mas até isso muita gente não verá como desvantagem.
  2. Também não serve como objecto decorativo. Em revistas como o Circulo de Leitores os livros até vinham com as suas dimensões para quem quisesse fazer estantes bonitas.
  3.  Não têm valor para coleccionismo. Um livro em formato digital terá sempre o seu valor mais ou menos constante. Até tenderá mais a perder valor. Uma boa edição em papel de uma boa obra, é sempre um objecto de valor.
  4. Um leitor de ebooks (dedicado ou não) pode ficar sem bateria. O livro estará sempre pronto a ser lido.
  5. Não têm cheiro a papel. Para mim não é importante, mas muita gente tem prazer no manusear um livro e sentir o seu cheiro.
  6. Se se estragar um livro, como por exemplo nas mãos de uma criança, apenas se estraga esse livro. Num livro digital estraga-se o dispositivo que se estava a usar para a leitura. E isto tanto pode ser um leitor dedicado de cinquenta euros, como um portátil topo de gama de dois mil….

Com tudo isto, entre prós e contras, a verdade é que cada vez mais leio em formato digital. Continuo a gostar muito do livro como objecto físico, até por muita da minha família ter feito da sua vida profissional a sua criação, mas a vertente prática dos ebooks tem-me conquistado. Claro que um livro que goste realmente muito, será sempre uma compra a fazer. Já não será o primeiro livro que terei em mais que um formato.

Camarate: O que quer a RTP esconder?

Atentado Camarate

Em Camarate, faz este Dezembro 34 anos, morreu um Primeiro Ministro de Portugal, tal como outras figuras de estado. Todo este tempo passado, e continua a haver mais dúvidas do que certezas. E a RTP parece preferir que assim fique.

Na semana passada esta estação de televisão submeteu um recurso ao Supremo Tribunal de Justiça para não ter de enviar as imagens que recolheu em bruto a uma comissão de inquérito. Esta estação que foi a única que cobriu todo o caso, acidente ou atentado, desde o seu inicio.

Choca-me esta recusa em entregar as imagens em bruto sobre Camarate.  Uma comissão no passado teve acesso às mesmas, ou pelo menos parte delas. Podem ser importantes para descobrir o que realmente se passou ali. Foi um evento que vitimou entre outros Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa. Ou seja um chefe de governo e um ministro da defesa. Tudo aquilo que possa ajudar a trazer alguma luz sobre este caso deveria ser feito.

As perguntas…

Será que a suposta liberdade jornalística deve opor-se à justiça e à descoberta sobre este trágico evento? A quem interessará esta negação de entrega das imagens? E o que conterão as mesmas?

Grandes Frases XVI – Francisco Sá Carneiro

Sá Carneiro e Snu Abecasis

“Não há futuro económico e social possível quando o problema principal não é o excesso de consumo privado, com o que nos querem convencer, mas o excesso de consumo público, a monstruosidade das despesas públicas.”

Francisco Sá Carneiro

Mais liberdade para se ser não fumador

Houve uma medida do governo de José Sócrates que foi realmente boa. Maior liberdade de escolha em ser ou não fumador.

Passaram seis anos com esta lei em vigor. Muita gente fez orelhas moucas. A fiscalização poderia ter sido mais forte. Mas na verdade esta lei vigora. Fazendo o balanço deste tempo o governo apresentou uma proposta de melhoramento da mesma. Esta proposta de alteração vem dar mais liberdade ao não fumador. Algo louvável a meu ver.

Sei que muitos fumadores consideram um atentado à sua liberdade. Para eles fumar onde quiserem é o correcto. Esquecem-se de um pequeno facto. Um não fumador, ao não fumar, não está a intoxicar ninguém. Fumadores ao fumarem estão efectivamente a forçar o próximo a fazê-lo.

Não quero ser fundamentalista. Na rua o sistema de extracção de fumo do planeta terra funciona lindamente. Como tal deve ser permitido fumar na rua. E isto incluí obviamente as esplanadas.

Na casa de cada um, a opção é do proprietário. Esta parte é óbvia também.

Nos espaços interiores a extracção funciona mal. Mesmo com os sistemas de extracção actuais. E considerar que funcionam mal é ser brando.

O que é comum em todos os bares onde é permitido fumar? Todos tresandam! Em restaurantes o caso é apenas ligeiramente melhor. Ainda assim bem longe do aceitável.

Os espaços para fumadores dos centros comerciais? Mais um foco de fumo. E para piorar ainda espalham fumo pelas zonas adjacentes.

Os riscos para a saúde de fumadores e não fumadores são evidentes.

A actual legislação permite que se fume em espaços interiores. Mas levanta logo a ressalva: estes terão de estar munidos de sistemas eficazes de extracção de fumo de tabaco eficazes. O problema está aí. Seis anos desta lei vieram provar que os sistemas não funcionam.

Foi bom ter-se tentado o caminho intermédio. O que mostra este caminho intermédio? Que não é suficiente.  Como ajudar a saúde pública? Como zelar pela liberdade de não ser fumador?

Fumar em espaços públicos fechados deve ser proibido.

Claro que isto é uma proposta de alteração à lei. Quem se oporá? O lobby das tabaqueiras é óbvio. Muitos fumadores egocêntricos também. Alguns estabelecimentos nocturnos também. Tal como os Casinos. Esperemos que não consigam travar a lei. Mas nunca fiando…

Sushi Fashion Riviera – Carcavelos – Valerá a pena?

Situado no Centro Comercial anexo ao Hotel Riviera em Carcavelos, situa-se o Sushi Fashion Riviera. Numa recente noite de sexta feira, com vontade de comer um Sushi de boa qualidade, mas sem ter de ir até Lisboa, resolvemos voltar a este espaço, onde já não íamos há quase um ano.

Ficou sempre na lista dos sítios a voltar, por causa da boa qualidade que nos lembrávamos, mas o preço não era dos mais simpáticos. No entanto vi-mos na página do Facebook do mesmo que já dispunham de Menus “All you can eat”, e assim se tomou a opção de lá ir.

Chegados ao restaurante um simpático funcionário logo nos indicou a mesa, e passados cinco minutos perguntou-nos o que seria. Escolhida a opção menu, com preço fixo de 20€/pessoa excluindo a bebida, fomos informados que além do Sushi à descrição, também teríamos acesso a uma variedade de grelhados em chapa.

O sushi, e sashimi, seria então trazido em pratos escolhidos pelo Chef, sem intervenção da nossa parte, até nos sentir-mos saciados. Quanto à parte de chapa, existia uma mesa com vários produtos por cozinhar (frango, vaca, cogumelos, camarão, courgette, etc….) e deveríamos fazer o nosso prato, e entregar para ser grelhado.

Fizemos o nosso prato de grelhados, e praticamente nesse mesmo momento foi-nos trazido as bebidas escolhidas, juntamente com uns palitos de cenoura acompanhados de um molho para aperitivo.

O prato que tínhamos pedidos na chapa surgiu em poucos minutos já cozinhado à nossa frente, e cozinhado com boa qualidade. No entanto o sushi, que tinha sido o motivo da nossa visita, demorou meia hora até dar o ar da sua graça.

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E a sua graça era boa! Todo o sushi que veio era de elevada qualidade, destacando pessoalmente os Nigiris com dose generosa de bom salmão, e um sashimi de salmão, com um ligeiro toque braseado. Tão irrepreensível era o Sushi, que foi devorado rapidamente e fez a espera de meia hora passar deixar de ser relevante. Ou pelo menos parecia…

Após terminado este primeiro prato, ou cinco minutos depois disso, chegou-nos ao pé uma funcionária a perguntar se tudo estava bom, e se queríamos algo mais. Após uma pequena confusão sobre o que estaria ou não incluído, por falta de experiência da funcionária, veio outra pessoa que prontamente nos disse que viria então mais um prato. Pedimos para não ser muito grande, para controlar melhor as doses, e poder parar mais facilmente.

E mais meia hora se esperou até novo prato, com sushi maioritariamente frito, de elevada qualidade mais uma vez, mas que chegou já demasiado tarde. Esperar meia hora, comer, voltar a esperar meia hora, pelo menos a mim corta-me um pouco o apetite. Até pode ajudar na dieta, mas foi um pouco decepcionante e acabou por piorar a experiência no seu todo.

Possivelmente este atraso também se poderá dever ao Chef/Sushiman estar também a fazer comida para for a no mesmo período. Mas isso não servirá como desculpa, visto num espaço destes, e com preços já acima da média, deveria haver staff suficiente para cumprir ambas as funções do restaurante.

Pedimos então os cafés a conta, ignorando as sobremesas por causa de toda a demora, e os café estavam bons, e tirados a tempo. Quanto à conta… Estava lá tudo o que tinhamos pedido e consumido, mas também as cenouras que não tínhamos pedido.

Estes truques, especialmente no de preço fixo, caem-me extremamente mal. Desta feita não reclamei, apesar de pela lei tudo o que for colocado na mesa sem ter sido pedido não poder ser cobrado, e a conta foi paga.

Veredito Final

Entre o episódio das cenouras, e a demora entre os pratos, fica um pouco abalada a boa experiência de um sítio em que o Sushi é realmente de qualidade, e a um preço justo. Justo, se não perderem a fome com as cenouras pagas à parte, ou com o enorme tempo de espera entre pratos de sushi.

Outro ponto negativo é o espaço. A decoração é bastante agradável, mas a iluminação é demasiado fraca, ao ponto de prejudicar a refeição. Para isto acresce uma das paredes/porta ser vidrada, e virada para um espaço do centro comercial com muita iluminação, o que aumenta o efeito da fraca luz.

Quanto à pergunta da praxe: Valerá a pena? Se não se tiver grande fome, sim. Se não gostarem de esperar, não.

Grandes Frases XV – P.J. Proudhon

P.J. PROUDHON

Ironia, verdadeira liberdade! És tu que me livras da ambição do poder, da escravidão dos partidos, da veneração da rotina, do pedantismo das sciencias, da admiração das grandes personagens, das mystificações da politica, do fanatismo dos reformadores, da superstição d’este grande universo, e da adoração de mim mesmo.

P.J. Proudhon

A ortografia usada segue as normas pré-reforma republicana, visto ter usado uma tradução de Eça de Queiroz nas Farpas.

Pai da Blogosfera 2014 – Pais de Quatro

Hoje é dia do Pai, e como tal um bom dia para falar de um Pai que para mim é o melhor Pai da blogosfera nesta momento.  

João Miguel Tavares, conhecido jornalista e comentador, em conjunto com a sua mulher Teresa Mendonça, criou o Blog Pais de Quatro em Setembro de 2012 e desde aí que sigo as lides desta família.  

Uma família dinâmica, divertida, jovem e  grande. Sim nos tempos em que os filhos únicos abundam (e muito mal fazem…) ter quatro filhos, e mais que isso criá-los, é realmente uma tarefa para uma grande família.  

Tanto ele como a sua esposa Teresa falam de vários assuntos da vida quotidiana do casal, e da família, e até se queixam um do outro, em apontamentos sempre divertidos e carregados de humor, mas também de muito carinho.  

 Mas o que me faz olhar para ele como um grande Pai, e um grande Pai nos dias que correm, é que não é apenas um Pai. Vivemos num mundo muito dual, e acabo por ver demasiados pais que são pais a cem por cento, dedicando todo o tempo da sua vida aos filhos, passando a viver em exclusividade através deles. Temos depois os outros, que acham que colocando dinheiro suficiente à disposição dos filhos, seja directamente seja em colégios de topo e prendas perfeitas, se tornam automaticamente bons pais, estando a parte humana automaticamente compensada.  

Depois como sabe ser um Pai babado, sem o ser. Em vez de andar constantemente a elogiar o que os filhos fazem, e a meter fotos com legendas “o bebé mais bonito” do mundo, mostra cenas e atitudes do quotidiano que nos fazem pensar, e acreditar que realmente está a fazer o melhor por formar excelentes seres humanos. Os textos em que ele revela um enorme carinho pela forma como um dos seus filhos, o Tomás, está a tornar-se uma pessoa realmente boa, mas ao mesmo tempo revela uma preocupação sobre o que o mundo lhe pode fazer, são uma delicia de ler.  

E mesmo com tudo isto não deixa de mostrar que apesar de ser um Pai a sério por vezes precisa de tempos para ele, para as suas coisas e para a sua vida. E em qualquer uma das facetas revela uma liberdade e uma independência de pensamento que me agrada sobejamente.

Um bom exemplo, um excelente escritor, e sem dúvida uma das minhas leituras obrigatórias da blogosfera.

Podem segui-lo em http://paisdequatro.blogs.sapo.pt/ entre outros sítios (http://joaomigueltavares.blogs.sapo.pt/ e o Público, e ver até no Governo Sombra) onde está não como Pai, pelo menos não tanto a tempo inteiro.

Turista indignado por existirem outros – Coisas que me irritam I

Uma pessoa tem umas férias, gosta de história, de ver outras culturas, ou passear, e decide viajar para uma qualquer cidade estrangeira.

Mas como o tempo e o dinheiro não são ilimitados, para quase ninguém, essa pessoa perde tempo a analisar qual será a sua cidade ideal a visitar desta vez.

Quando finalmente decide passa das palavras aos actos e reserva a viagem. Perde horas a fio a pesquisar sobre as melhores coisas que pode ver na cidade que escolheu.

Mas quando chega à sua tão estudada cidade, e aos sítios que tão arduamente descobriu, depara que estão cheios de turistas.

O que faz o nosso indignado turista? Vai para as redes sociais, quiçá para o seu blog caso o tenha, reclamar da vida, pois os sítios estavam cheios de turistas!

Praga de turistas! O que fará estas pessoas a irem encher o sitio que o nosso turista descobriu, e que pelos vistos pensava mais ninguém poderia descobrir…

Citações dignas de Menção I

«Podia-se pôr na lei que um candidato a Presidente da República, ou a Presidente de Câmara, ou a um cargo público importante tivesse de fazer testes médicos e psicotécnicos antes de ser candidato. Estou convencido que tivemos governantes em Portugal que teriam chumbado nos testes psicotécnicos, alguns bem recentes. Fazer testes de cultura geral também é muito importante. Criou-se em Portugal clubes políticos, no qual não é muito fácil ser-se sócio, é muito difícil subir lá dentro, e só aquela elite que lá está é que escolhe os candidatos. E, aí, cria-se a distorção do que é realmente a democracia».

D. Duarte de Bragança

Sabores da Tapada Real 2014 – O retorno da gastronomia sustentável

1891089_10201436314779606_932247038_nDizem que as coisas boas são para manter, e a mostra gastronómica Sabores da Tapada Real são claramente um desses exemplos. Com a mesma força de sempre, e para quem gostar de provar comida diferente da do dia à dia, mas ao mesmo tempo tradicional e sustentável, tem aqui uma excelente hipótese. A aproveitar em  Mafra de 1 a 16 de Março.

Para quem não conhece (e já falei mais extensamente deste tema aqui), esta é uma mostra das carnes nobres da Tapada Real de Mafra, o Veado, o Gamo e o Javali, mas caçados de forma sustentável. Ou seja estes animais viveram e cresceram em liberdade, e tiveram de ser abatidos por motivos de controlo populacional.

Os restaurantes aderentes desta feita são:

  • Convento da Cerveja (Mafra)
  • João da Vila Velha (Mafra)
  • O Azeiteiro (Mafra)
  • O Brasão (Mafra)
  • Os Três Irmãos (Mafra)
  • Retiro do Volante (Mafra)
  • Sete Sóis (Mafra)
  • Restaurante Saloio (Malveira)
  • Casa dos Caracóis (Malveira)
  • Pingo na Brasa (Gradil)
  • Portal do Moinho (Ervideira)

Quanto a mim, lá estarei no Sete Sóis, a degustar umas belas costeletas de Gamo, ou caso já não haja a excelente alternativa sempre presente das costeletas de Javali.

 

Dora a trabalhar no McDonald’s e os Investigadores em Antropologia

DoraNos anos 80 a cantora Dora chegou ao estrelato com o super hit “Não sejas Mau para Mim”. Era provavelmente a cantora pop com mais mercado em Portugal na altura, mas tomou a decisão de parar uns anos para ser mãe a tempo inteiro. Uma decisão de louvar.

Recentemente, e provavelmente com o pé de meia ganho na sua altura de fama bem mais vazio, resolve voltar ao seu mercado de trabalho. Tentou fazer tudo aquilo que hoje os artistas tentam fazer para voltar à notoriedade, desde participações em músicas de outros até posar nua para revistas.

Não resultou. O público dela ou já não existia ou já não estava com hipótese de comprar a sua música.

E nestas coisas o mercado é soberano, e ela ficou com duas opções, ou mudar de ramo, ou emigrar. No entanto deve ter pensado que o mercado para a sua carreira de musical também não era famoso lá fora, e por isso tomou a opção lógica: mudar de ramo. Encontrou um emprego no McDonald’s, um trabalho honesto e que paga a tempo e horas. Nada de mais correcto.

Poderemos ver rapidamente as semelhanças com outro caso muito falado dos últimos tempos, o fim de algumas das bolsas de investigação. Especialmente nas áreas ciências sociais.Tentemos fazer uma comparação com o caso da Dora então:

  • O passado: Tinham um público fiel (o mercado no caso da Dora, e o governo a pagar estes estudos).
  • O problema: Fim do seu público alvo (no caso da Dora porque a sua paragem o motivou, no caso dos bolsistas porque o estado deixou de ter dinheiro para financiar estudos não rentáveis nem interessantes para a maioria do país).
  • A tentativa frustrada: tentar arranjar novos mercados (a Dora juntando-se a outros artistas, ou até despindo-se para revistas. Os bolsistas a sondar o mercado privado, que não tem mínimo interesse no que eles estudam).
  • A outra alternativa: Emigrar, mas também sem público. (No caso da Dora, a sua música tem pouco poder internacional. E os antropologistas especializaram-se em coisas que o mercado internacional também não quer).

A diferença foi no que fizeram. Enquanto que a Dora foi procurar outro trabalho honesto que pudesse e seguiu em frente. Os ex-bolseiros ficaram a protestar pelas redes sociais o mau que o estado é por não lhes pagar o que na realidade era apenas interessante para eles…

Posso dizer que da atitude da Dora, revela-se alguém de carácter e de valor. Dos outros… não.

Politica em Portugal é o clubismo do futebol

partidos_politicosUm dos maiores problemas que temos em Portugal são os partidos políticos. Isto é culpa da forma como estão organizados, e como o próprio sistema eleitoral os beneficia e permite que seja difícil mudar o status quo. O outro problema e grande, é a forma como as pessoas escolhem os partidos que apoiam ou integram.

Por muito ridículo que seja eu acredito piamente que uma grande fatia do nosso eleitorado escolhe um partido como quem escolhe um clube de futebol, e a partir daí fica o seu clube, nas boas e más horas.

Se alguém escolhe como seu partido o PS, neste momento como está na oposição, tenta por todos os meios denegrir o governo PSD+CDS que está em vigor, para o PS voltar ao poder. Depois, e caso se tenha um governo tão desastroso de José Sócrates, ficará bem calado, como no caso de um clube de futebol quando perde, enquanto este toma medidas obviamente erradas. E mal chegar a altura de votar claramente que irá, cegamente pois claro, votar no seu partido.

E isto é válido para o PSD+CDS, que tinham muitos apoiantes a trazer a lume cada nova caldeirada em que José Sócrates se metia, cada parceria publico-privada criada para ajudar os seus amigos. E que agora quando o governo toma alguma decisão errada, ou se fazem de mortos, ou apenas sabem dizer que a culpa é dos que vieram antes, porque o clube deles “só perde quando o árbitro rouba”.

Apoiantes do Bloco e do PCP não têm mudado em Portugal conforme estão ou não no governo. Isto porque nunca estes partidos foram delegados pelos portugueses para tal. Mas continuam a protestar de forma o mais ruidosa que conhecem, seguindo a sua já antiga cassete gravada, sem pensar se o que propõe poderia ser algum dia feito no mundo real.

É isto que me chateia, e chateia muito. Muitas pessoas em Portugal olham para os partidos como algo que se escolhe, e se mantém assim. Diz-se bem do que o seu partido se propõe, e mal das coisas dos outros partidos. E se estiverem no arco governativo, tentar chegar ao governo, fazendo sempre os possíveis para o governo actual falhar.

E são estas pessoas que votam recorrentemente sem pensar, porque estão a votar no seu partido. Como o adepto do clube de futebol que quer este jogue bem ou mal, vai continuar a torcer pelas suas cores. E não acho isto mal, mas apenas no futebol…

A Azeitona e o Azeite estão a ajudar Portugal a sair da crise?

azeitonaNas alturas de crise, que em Portugal têm sido recorrentes e cíclicas, um assunto que se fala que se tem de mudar algo, mas muitas vezes nada é feito. Uma das coisas que se refere nestas alturas é que Portugal devia produzir mais, e que se tem perdido a capacidade produtiva, mas desta vez parece que uma boa noticia surge, estamos a produzir mais azeitona.

Quem me conhece sabe que a azeitona é dos poucos alimentos que não gosto, e de todos os que desgosto, o que desgosto com mais força. No entanto sou obrigado a reconhecer o seu valor.

Apenas é produzida em quantidade na bacia do mediterrâneo, e o seu valor comercial, muito devido ao seu uso na produção do Azeite, a gordura da moda a nível mundial, não para de aumentar. Desde à uns anos que se tem investido com alguma intensidade para poder aumentar a produção deste bem, e parece que agora trouxe dividendos.

Segundo a noticia de hoje do INE (podem ler a mesma aqui ) a produção de azeitona para azeite em Portugal irá ser a maior desde a década de 70.

Ou seja desde que a reforma agrária, e as loucuras dos anos 80-90 em que se pensou que agora Portugal seria apenas empregos de colarinho branco e turismo, nunca se tinha produzido tanta azeite, um produto valioso e útil tanto para o nosso consumo, como para a venda ao exterior.

Boas notícias são sempre de valorizar, e de divulgar!

Gonçalo – Um Saloio à conquista do Oriente

DSCN1440Muita gente viaja para descansar, muitos outros viajam para crescer como pessoas e experimentar o que o mundo tem de diferente. Pessoalmente gosto mais da segunda hipótese, mas até agora tenho-me mantido sempre por percursos mais ou menos conhecidos e turísticos. Num entanto um amigo meu, Gonçalo França de seu nome, Mafrense e Saloio de gema, resolveu sair da sua zona de conforto, e tentar uma viagem digna de registo.

Depois de analisar vários possíveis destinos, optou pelo extremo Oriente, desde Hong Kong até à Malásia, passando por inúmeros lugares desde o Cambodja ao Vietname, e uniu-se ao seu primo, e partiram em viagem.

Para relatar a sua viagem, o Gonçalo resolveu fazer um blog, onde tenta actualizar a cada dia as aventuras, e desventuras dos seus dias. Fazendo disto uma opção tanto para guardar as suas recordações para mais tarde, como também para ir mostrando à família e amigos como está e o que está a experienciar.

Com uma boa qualidade dos seus textos, e uma leitura fluída e coesa, já era um motivo para ir lendo o Blog. Junte-se a isto uma boa quantidade de fotografias, e o que ele fala nem sempre ser semelhante ao que se encontra em qualquer guia turístico, aguça ainda mais o gosto em seguir esta jornada.

Mas não se fica por aqui. Muita gente não viaja por falta de dinheiro, mas também não fazem por colocar os valores que pensa em gastar muito acima do que na realidade podem ser. Alguns dos textos mais lidos e comentados do Gonçalo são sobre esse tema. Usando planeamento, e inteligência, ele descreve os seus gastos com a viagem, cuidadosamente anotados, e mostra que se podem fazer viagens exóticas e longínquas, por valores muito inferiores aqueles que se supõe.

Noutra vertente da organização que demonstra, temos a escolha minuciosa do que levar, e o que é realmente necessário para fazer uma super viagem destas. Mesmo que perdendo algum conforto como é claro. Tudo isto ele detalha com pormenor, e deixa muito conhecimento para quem sonhar um dia fazer uma viagem destas.

Outro dado curioso é que o Gonçalo profissionalmente está ligado à culinária, e além de falar muito das experiências gastronómicas que vai tendo, tem feito questão de tentar ao máximo fazer pequenos cursos sobre a culinária local de diversos países. Um excelente exemplo de quem aproveita as férias não só para viajar, mas também para conseguir evoluir profissionalmente.

Pode não ser um roteiro daqueles que se vêm nas revistas cor de rosa, apenas com praias de areia branca e cocktails na piscina, mas é uma viagem magnifica, e uma experiência de vida única que podem ir acompanhando a par e passo. Sigam o meu conselho, e vão a http://viajometro.blogspot.pt/ vale mesmo a pena.

Um grande abraço Gonçalo, e primo, e boa sorte para o resto da viagem!

 

Retorno do Mercado Mensal de Mafra – Uma noticia boa ou nem por isso?

FeiraMafraQuando por ordem da autarquia foi suspenso o mercado mensal em Mafra, muita gente publicamente protestou, e muita gente ficou em surdina satisfeito. É um exercício interessante pensar em quais seriam as reacções a uma suspensão destas num momento como o actual, em que as redes sociais agregam muitos mais sectores da população, e em que tudo parece servir para organizar um protesto.

Muita gente na altura era frequentadora deste mercado (comummente designado de feira), e podemos dizer que continuava a ser um caso de sucesso. Vinham pessoas de várias localidades limítrofes, e nunca deixou de atrair uma grande quantidade de comerciantes, e de compradores.

As críticas, de alguns sectores da população, e mais fortemente de Comerciantes locais, existiam variando na sua forma e motivo.

Muitas vezes ouvíamos pessoas ligadas a associações de comerciantes a queixarem-se dos vendedores ambulantes. Estas queixas iam desde as suspeitas de que estes fugiriam aos seus impostos, até coisas bem mais graves e perigosas como a xenofobia contra os indivíduos de etnia cigana.

Sobre estas tenho obviamente duas posições distintas. No que toca a qualquer tipo de xenofobia, repudio-a de imediato sobre toda e qualquer pessoa. Quanto à legalidade e à falta de tributação, só peço num mercado aquilo que peço em todo o lado, que as autoridades fiscalizem.

Outra crítica que este grupo de pessoas recorrentemente fazia, e que acho alguma graça, de tal forma a entendo pateta, é a que estas pessoas retiravam clientes às lojas da vila, mormente de vestuário e calçado. Claramente que as lojas tradicionais da vila nada tinham a temer sobre isto, visto as gamas de preços praticadas por estas e a feira eram completamente díspares. Claro que se agora colocarmos na equação as lojas  chinesas aí poderemos estar a encontrar conflitos, mas não eram estas que se queixavam.

De uma coisa no entanto também se ouviam queixas, sendo eu um dos que as propagava: a localização e a limpeza do espaço. A lateral e a frente de um edifício Património da Humanidade (seja reconhecido ou não pela UNESCO ainda), com um valor histórico incalculável, não deve estar ocupada por um arraial de compras destes, ainda para mais num dia turístico por excelência como o Domingo.

Para juntar a isso, a quantidade de detritos que ficavam espalhados no chão durante pelo menos um dia, era inqualificável por vezes, sendo um espectáculo que nada trazia de positivo ao centro histórico de Mafra.

Recebi, e recebemos todos porventura, a notícia que o Mercado iria voltar a 16 de Março e o local definido. Deixou de ser um rumor, e agora é um facto, e sobre factos pode e deve opinar-se!

Primeiro que tudo o retorno de algo a que a população adere, frequenta em massa e tem até um certo afecto, é sempre algo de salutar.

Depois o sítio escolhido para mim parece ser uma excelente escolha. Fora do centro histórico, mas no entanto junto a bons acessos, tanto públicos como privados, e perto de uma zona residencial, sem ser colado a esta. O espaço em si também me parece mais fácil de limpar, e esperemos que isso aconteça de forma célere sempre.

A feira será nos moldes do mercado mensal anterior com vestuário, calçado, animais  vivos, frutas e legumes, flores, etc…

No entanto, se conseguirem atrair os vendedores de roupa ambulantes do passado, com preços muito competitivos, penso que os velhos hábitos  de muita gente voltem. E a crise actual pode até ser um factor relevante para isso. As feiras e mercados pelo país fora não têm perdido a força, e esta voltando agora, caso consiga atrair quem já teve, é possível que seja um verdadeiro sucesso.

Vamos é ver se os cafés da zona envolvente se irão adaptar bem, e retirar dividendos desta aposta.