Miró – A arte como um investimento, um gasto ou uma necessidade

joanmiro1O estado Português tentou vender em leilão, via a gigante leiloeira Christies em Londres, as obras de Juan Miró que detém em seu poder. Estala de imediato a polémica, e entre petições e pedidos de intervenção judicial, a venda foi suspensa, e a polémica aumenta de tom. Mas ao certo que obras são estas, porque é que o estado as tem, e porque as quer vender?

Estas para mim são as grandes questões, e para as analisar, vamos ter em conta algumas questões.

Quem foi Juan Miró, e quem relevância tem ele para Portugal?

Miró foi um grande artista plástico, provavelmente um dos maiores do século XX, catalão de nascimento, viveu quase toda a sua vida entre Espanha e França. Não tem ascendentes nem descendentes Portugueses conhecidos e/ou relevantes.

A sua obra também não aborda temas Portugueses, nem é influenciada por Portugal.

Se não é um autor Português, nem com relevância para Portugal, como é que o estado adquiriu estas obras?

O estado Português, governado pelo governo do Socialista José Sócrates, resolveu nacionalizar um banco que deveria ter falido para ajudar amigos e conhecidos. Entre o espólio desse banco estavam, entre outras coisas, uma colecção de pintura de Joan Miró, artista apreciado pelo antigo Presidente desse banco.

Ok, então esta obra apenas está em posse do Estado por mero acaso, mas tem sido útil para a divulgação da arte em Portugal, e traz prestigio para o país, certo?

Errado. Estas obras nunca estiveram expostas ao público, e até à noticia de que iriam ser vendidas nem sequer tinham sido faladas. Tendo em conta que não estão expostas, nem são faladas, não servem para divulgação, nem trazem qualquer tipo de prestigio.

Mas podiam ser rentabilizadas, fazendo com que os 36 Milhões de euros (a base de licitação, poderia atingir valores mais altos) fossem números demasiado baixos.

Talvez não. O museu do país com mais visibilidade para este tipo de obras, o Museu Berardo no CCB, é uma fonte de despesa gigantesca, pagando o estado valores elevados pelo seu aluguer, e tendo visitas razoáveis visto ser gratuito. Colocar isto nesse museu, teria retorno financeiro zero, visto ser uma exposição que não trás receitas directas.

O Joe Berardo indignou-se contra esta venda, dizendo que até que seria preferível ser ele a comprá-la, para a colocar na sua exposição.

Num leilão qualquer pessoa que tenha os fundos para tal, pode comprar. Se o Joe Berardo os tem, ao contrário dos rumores que correm, é livre de o fazer, e comprar. Mais, acho que o estado num caso destes até lhe pode vender directamente pelo preço presumível da venda em hasta, desde que ele pague a pronto e não com acções do BCP claro.

E o que fazer ao dinheiro desta venda? Para que serviria?

Atenuar o dinheiro que o estado gastou, dos contribuintes, para a nacionalização do BNP patrocinada pelo PS seria sempre uma hipótese, até porque foi dinheiro que veio de um orçamento que não o da cultura. Outra hipótese, e considerando que seria para gastar dinheiro para a cultura, seria um reinvestimento inteligente, algumas hipóteses:

  • Compra de obras de autores Portugueses relevantes;
  • Compra de obras de autores influenciados fortemente pela cultura Portuguesa;
  • Criação de estruturas de apoio físicas a um roteiro cultural (passando pelo Museu Nacional de Arte Antiga, Baixa Pombalina, e até Museu Berardo) a partir do porto de cruzeiros de Lisboa;
  • Finalização do Museu dos Coches;

Mas muitas outras hipóteses podiam ser dadas a este dinheiro, por exemplo uma que deve ser chocante para muita gente por cá: poupá-lo.

Em suma, a arte pode e deve ser um investimento, mas um investimento é planeado. Tentar ficar com tudo aquilo que nos caiu nas mãos, e de forma bastante cara, e tentar fazer disso um investimento real, é apenas pateta.

Angola – fim de uma parceria, e as questões que se impõem fazer

400px-José_Eduardo_dos_Santos_2Hoje, com pompa e circunstancia, o Presidente da Republica de Angola, José Eduardo dos Santos, anunciou que acabou a parceria estratégica entre este país e Portugal. O que me levanta de imediato algumas questões:

– O que era afinal esta parceria estratégica, e o que é que ela rendeu para Portugal até hoje?

– Que vantagens tinham as empresas portuguesas com esta parceria?

– O que muda para as empresas portuguesas com esta mudança?

– Os benefícios que foram dados a angolanos, nomeadamente na compra de participações em empresas Portuguesas, serão mantidos, continuados ou devolvidos?

– O que significa isto para os milhares de cidadãos portugueses que se encontram a trabalhar em Angola?

– E o que significa para os turistas de Angola, carregados de dinheiro enquanto no seu país se vive fome extrema, que vêm gastar dinheiro em marcas de luxo em Lisboa?

E a mais importante de todas:

– Faria algum sentido tentar censurar ou de outra qualquer forma limitar, a nossa liberdade de imprensa, para satisfazer um regime pouco democrático que é nosso amigo?

Autárquicas – Serão a maior expressão democrática em Portugal?

EleiçõesMuito se em discutido nos últimos tempos sobre as autárquicas. Desde os casos dos dinossauros, aos casos das inaugurações de última hora ou adiadas para mais perto das eleições. Muita gente a mexer-se nas redes sociais, nas ruas, e pelos vistos em todo o sítio menos na televisão. Mas para mim as autárquicas são apesar de tudo um pequeno oásis neste nosso regime político, porque apesar de tudo, me parecem ser as mais democráticas entre as nossas eleições.

Nas eleições legislativas votamos num partido qualquer, que coloca depois um sem número de deputados no parlamento para decidir por nós. Não conhecemos a maioria deles, e provavelmente se os conhecêssemos, não votaríamos neles. Filhos de antigos políticos, jovens que nunca na vida fizeram nada que não fosse entrar nos quadros de uma jota aos quinze anos, e outros que tais. Amigos a quem se devem favores, e gente de credibilidade duvidosa. Junta-se a este grupo três ou quatro académicos bem-falantes, e uns ex-ocupantes de cargos governativos, e temos as únicas listas em quem podemos votar.

E quanto ao governo? Bem, é o partido mais votado nas legislativas, que acabei de descrever, com o pequeno extra que normalmente o líder desse partido é o novo Primeiro-Ministro. Podemos dizer que ao menos escolhemos o senhor, mas na realidade escolhemos sem saber nada sobre quem serão os seus ministros.

E a eleição do Presidente da Republica. Bem essa é uma escolha directa, claro que o sistema de assinaturas e de campanha que existe torna difícil qualquer independente, ou movimento, colocar lá alguém, mas apesar de tudo é muito mais viável de acontecer.

As eleições europeias? Penso que poucos portugueses se ralam sequer com elas, e vão votar apenas no partido que votariam se as legislativas fossem nesse dia, uma espécie de barómetro involuntário.

Mas porque digo que as autárquicas são as mais democráticas? Primeiro porque as assinaturas são menos, e quem as recolhe é conhecido normalmente das populações onde as pede. E com isto se vê o número de candidaturas independentes com hipótese de ganhar, em relação a todas as outras eleições. Como isto acontece, os aparelhos dos partidos, muitas vezes apesar de tentarem forçar um qualquer notável do partido, aceitam a decisão de quem a concelhia acha melhor para o seu concelho. O sistema de escolha do “governo” local é bem mais honesto. Os vereadores (correspondentes aos ministros) são eles também sufragados directamente, e vão nas listas como tais, e não apresentados como surpresa.

Isto leva a um muito maior grau de envolvimento, e no que ultima por ser votos em pessoas em vez de partidos, visto muita gente votar nas autárquicas em partidos que nunca votaria numa eleição legislativa. Porque conhecem quem são os reais candidatos, e é sobre eles que opinam.

Claro que nas eleições legislativas isto não acontece. Baixaria em muito o poder dos partidos os círculos uninominais, e as pessoas escolherem quem querem lá. Se isso acontecesse era muito mais difícil arranjar tachos de deputados para família e amigos, e isso, nós sabemos que não querem…

Limitação de Mandatos – Será mesmo a melhor coisa?

imagesMuita da tinta que tem corrido na imprensa, e tinta virtual por esta Internet fora, tem sido sobre a questão da limitação de mandatos, e sobre qual deve ser a sua real implementação.

Muitos defendem que deve ser como o Tribunal Constitucional decidiu, impedindo apenas de alguém se voltar a candidatar ao mesmo cargo pela quarta, ou mais, vez.

Por outro lado a quase totalidade das restantes opiniões colocam-se na posição que ninguém deve poder ocupar um cargo do mesmo tipo mais de três mandatos consecutivos.

Duas opiniões válidas a meu ver, e condizentes com tantas outras opções para limitar a democracia, e a vontade popular. E porque é que digo isto? Não me conseguem vender a lógica que em democracia o povo não deve ser soberano, e para mim claramente que nada é mais soberano do que deixar o povo decidir. Se quiserem manter quarenta anos a mesma pessoa à frente de um qualquer cargo político, goste eu ou não dessa pessoa, é a decisão do povo.

Claro que os partidos, e os jotinhas que os circundam, acham isto uma aberração, segundo eles por causa dos vícios do poder e afins. No entanto é algo bem mais grave do que isso. Se quem faz bons trabalhos num cargo continua lá ad eternum, pode começar a haver o risco de depois não haver os belos tachos para as gerações de malta do partido que se seguem.

Preocupa-me mais sinceramente os partidos políticos tentarem limitar as escolhas de quem a população pode eleger, do que a continuidade no poder de quem a população vota.

Para mim a democracia deve ser suprema, mesmo quando o povo toma opções com as quais não concordo!

Obama, Putin, Síria e as hipocrisias

Barack Obama, Vladimir Putin

Quando Barack Obama foi eleito o mundo, e em especial a Europa, exaltaram de satisfação. Chegava com um discurso inflamado em defesa dos direitos humanos, o fim das guerras, um sistema de saúde para todos, e igualdade acima de tudo. Tanta era a esperança neste discurso que de pronto lhe entregaram um Nobel da Paz, antes sequer ter tempo de decidir entre a paz e a guerra. Claro que evitou mandar mais gente para Guantánamo, como tinha prometido, usando antes a tática de os mandar assassinar usando Drones, mas isso é um pormenor.

Já quanto Putin foi eleito toda a gente, especialmente na Europa, ficou cabisbaixa, por este senhor que restaurou alguma força à Rússia pós soviética é tudo menos uma figura querida dos que não seus nacionais. Claro que muito disto se deve à sua postura algo belicista, se bem que só conta com uma acção militar na Geórgia, e às dúvidas que existem sobre a liberdade de opinião e imprensa que realmente existe na Rússia.

Apareceu agora a guerra civil na Síria, um estado que tradicionalmente foi um dos apoiantes da União Soviética no Médio Oriente. Não se consegue perceber se o tirano presidente Assad é melhor ou pior que os Islamitas rebeldes, nem quem comete mais crimes de guerra. No entanto é traçada uma linha pelo presidente Obama, que se forem usadas armas químicas ou biológicas, intervirá.

Quando surgem rumores desta utilização, sem grandes provas nem de quem as terá usado, este diz que irá intervir, sem colocar em risco vidas americanas no entanto, e pede ao congresso uma autorização para atacar a Síria. Sendo que no entanto não precisa mesmo da autorização, mas pede na mesma para juntar os Republicanos aos nomes que apoiaram esta nova guerra.

No entanto Putin, numa jogada de mestre, apanha toda a gente desprevenida, e sugere que se o problema é o arsenal químico, então que se deixe a guerra manter o status quo, desde que a Síria entregue todo este armamento. Com Obama, nas suas indecisões, aliadas no entanto à sempre presente vontade de gastar armamento americano, encurralado caso a Síria aceite terá de aceitar não atacar. Fez mais pela Paz o sempre militarista e imperialista Putin que o sempre simpático e pacífico Obama.

Mas o Obama é um Nobel da Paz, não nos esqueçamos.

Troika – Uma história para pensar

dinheiro

Muito se tem escrito e falado sobre a Troika, mas parece-me que ainda muita gente não entendeu bem quem é esta Troika, o que veio cá fazer, e como cá chegou.

Podia muito bem tentar agora começar a tentar discutir sobre a constituição desta Troika formada pelo FMI, BCE e CE, e em tudo o que a fez cá chegar. Mas ao bom estilo português, ou provavelmente ao estilo Ocidental Judaico-Cristão, ficar-me-ei por uma pequena história.

Numa aldeia no interior vivia o senhor Anacleto, um industrial de meia idade que se orgulhava de ser uma pessoa criativa e bem na vida. Tudo o que fazia era para o bem da sua extensa família e rede de amigos e colaboradores.

Em casa nada podia faltar aos seus filhos e mulher. Uma casa grande e com um enorme jardim. Filhos a estudar na faculdade, para a qual iam de carros desportivos e onde tinham apartamentos de três assoalhadas para cada um. A sua esposa, devota senhora com a qual partilhava uma vida já há tantos anos, tinha direito a ser mimada. As constantes idas ao estrangeiro para comprar roupa, tal como as idas quase diárias ao cabeleireiro eram algo que lhe era devido. Claro que tais coisas lhe roubavam o tempo para as lides da casa, mas o seu esposo sempre à altura cedo lhe retirou esse problema contratando duas senhoras para fazerem esses serviços.

Na empresa, tudo era pelo melhor. A firma tinha muitos funcionários, especialmente na parte dos escritórios mesmo sendo uma indústria de transformação, todos eles bem pagos para os manter felizes. Claro que alguns recebiam menos, e até eram que mais trabalhava, mas esses eram os empregados da parte produtiva da firma, e que não eram conhecidos do senhor Anacleto quando lá chegaram.

Nos escritórios da firma era onde se via que realmente o senhor Anacleto era amigo do seu amigo. Eram funcionários do escritório os seus amigos da escola, e claramente recebiam o justo para que tivessem uma vida boa e com todas as regalias que deviam. Eram lá empregados também familiares seus e da sua esposa, claro que também bem pagos, visto a família estar sempre em primeiro lugar. Quem também era funcionária lá era Gertrudes, a sua companhia nas alturas em que a sua mulher se tinha de ausentar para o estrangeiro para se dedicar às suas compras. E claro está, também bem paga para poder cuidar bem de si e do menino que o Anacleto lhe tinha feito.

Com o infortuno da crise internacional, a empresa do senhor Anacleto, montada e mantida à custa de dinheiro oferecido por estrangeiros para ele se modernizar, começou a não ter tanto dinheiro oferecido, e a ter de viver do que realmente produzia. Mas numa empresa familiar é normal algumas pessoas não produzirem tanto, mas também merecem o seu salário condigno e que lhes possibilite uma boa vida. Lá por apenas uma em cada dez realmente produzir, isso não devia ser um problema.

Mas o senhor Anacleto sabia como resolver o seu problema, bastava ir falar com os bancos, e as coisas resolveriam. Enquanto um banco emprestava, era o seu melhor amigo, mas mal este via que era empréstimo atrás de empréstimo, lá acabavam por lhe fechar a porta. A coisa foi correndo bem, enquanto havia um novo banco para ele ir pedir a seguir, mas até isso acabou, quando a porta do último banco se fechou.

Havia o risco sério de os salários entrarem em atraso. E os seus funcionários, especialmente os amigos, familiares e a Gertrudes, nunca iriam arranjar um trabalho, ou melhor um emprego, que lhes pagasse o mesmo que ganhavam ali. Ou pior, além de lhes pagarem menos poderiam mesmo obrigá-los a trabalhar realmente! E eles andavam naquilo à tantos anos que claro que não estavam preparados física e psicologicamente para o mercado real. E a casa? A sua esposa não poderia ficar privada dos seus luxos para os quais tinha real direito. E os filhos? A faculdade ainda ficava a quase meia hora de viagem, isto nos carros deles, porque se fossem de transportes públicos podia chegar quase a quarenta minutos. O que fazer?

Lembrou-se de pedir ajuda a todos os que conseguia lembrar-se e finalmente um grupo de três investidores resolveu que o iria ajudar. Emprestar-lhe-ia dinheiro, a juros de mercado, mas com a condição que eles passariam a vistoriar as suas contas, e a ter uma opinião sobre o que deveria ser feito. E claro, o senhor Anacleto teria de fazer uma reestruturação à sua empresa, especialmente livrando-se de carga não produtiva, e colocando os vencimentos à altura da realidade e da sua produção. Da sua família, e dos gastos elevados e talvez excessivos que tinha com ela, os investidores falaram pouco, porque também tinham casos desses nas suas famílias, mas também deveria ser visto. Para mais, o dinheiro que lhe emprestariam, seria entregue em parcelas, e só seria entregue a próxima parcela, se estivesse finalmente a endireitar-se e a mudar de vida.

Claro que nas primeiras vezes que foram avaliar a evolução, muito pouco tinha mudado. Alguns empregados tinham-se reformado, e um ou outro dos que trabalhavam realmente viram que isto estava a começar a correr mal e foram para outro país. Quando finalmente os investidores começaram a pressionar, e a pedir para que algo fosse feito, ou então cortariam o dinheiro, lá o senhor Anacleto foi forçado a falar com alguns dos amigos e familiares. Claro que nenhum deles aceitou começar a trabalhar a sério ou a baixar o seu rendimento. Isto para além da Gertrudes ter ameaçado que se ele voltava a falar do assunto iria falar com a esposa do senhor Anacleto. E no fim foram todos começar a fazer greve, sendo que pouca diferença se notou na produção da empresa… E ainda está neste ponto.

Agora substituam o senhor Anacleto pelo estado Português, a sua empresa pela função pública, os investidores pela Troika, e a família pelo corpo político Português.

Irão ver algumas semelhanças….

Uma greve que não prejudica quem não deve

imagesCorria o mês de Junho de 2011 e estava eu muito feliz de lua de mel, acabado de casar, a descobrir uma cidade que aprendi a amar Florença.

Como turista que gosto de ser, aproveitei, juntamente com a minha mulher, para apanhar um autocarro para ver a parte central da cidade. Qual o meu espanto quando vou a tentar pagar os bilhetes, já dentro do autocarro, o motorista me rejeita o pagamento, e depois de alguma confusão derivado à diferença linguística, me aponta para um cartaz que tinha colocado ao seu lado: estava de greve! Ou seja na greve, continuava a trabalhar para cumprir o seu dever para com quem precisa do seu serviço, mas sem recolher o dinheiro para o seu empregador.

Qual o conceito que este trabalhador, e as suas organizações sindicais, aplicam à greve? Colocar alguma pressão sobre quem lhes paga os ordenados, e lhes dita as regras, mas sem atingir quem usufruiu do seu trabalho.

Parece-me bem melhor, do que causar danos colaterais, em toda a gente que precisa de si, sem realmente fazer qualquer mossa contra quem deveriam lutar…

Mas ficar a descansar é tão melhor. Ou então deve ser mais fácil apenas atingir os mais fracos. Mas fica apenas esta nota sobre o mundo para pensar.

Margaret Thatcher – Mais que uma grande mulher, uma grande pessoa

ThatcherProfileMuita gente tem escrito muita coisa após a morte de Margaret Thatcher ocorrida ontem. Mensagens de pesar são expressas, mas ,por mais incrível que pareça, muitas mensagens de ódio à senhora e de regozijo com a sua morte são expressas.

Não foi uma personalidade fácil, foi conflituosa apenas e só porque tinha ideias, ideais e sempre lutou para os conseguir. Tentou sempre impor a sua opinião, e seguir o seu caminho, e isso irrita muita gente. Soube levar um país numa ruptura económica a uma situação de crescimento, ganhando respeito de muita gente, e o ódio de muitos que a confrontaram.

Foi eleita democraticamente, e democraticamente teve de deixar o seu cargo.

E sem dúvida que foi uma grande mulher, a qual muito admiro, mas mais ainda, foi uma grande pessoa. Foi uma mulher poderosa, provavelmente a primeira mulher realmente poderosa na modernidade, mas sem usar o seu sexo como parte do seu poder. O seu sexo foi indiferente, foi apenas e só uma grande pessoa, e isso é a maior conquista que poderia querer.

Que descanse em paz.

Sair da Crise – As Freguesias podem ajudar

Muita gente fala que o poder local pode e muito ajudar o país. Muita gente chorou com a fusão de umas quantas freguesias, mas se calhar não olhámos bem o suficiente para o quão estas podem ajudar o país.

Depois do chumbo das medidas do Orçamento de Estado, poderíamos voltar a olhar para elas, e se calhar encontrar a solução para parte desta crise. E como? Extinguindo as freguesias como entidades políticas independentes.
A proposta: acabar com vereadores e presidentes da junta, mantendo a assembleia de freguesia como órgão consultivo da câmara municipal.

Na realidade todas as funções de apoio à população local seriam mantidas, e a opinião democrática dos munícipes continuaria a escalar via assembleia de freguesia.
A pergunta chave? E quanto se ganharia com esta medida? Ora, Portugal tem 4026 freguesias, e o ordenado mensal do presidente da junta, dependendo da população, oscila entre um mínimo de 1.220,85 € a 1.907,58 €. Caso seja parcial recebe metade deste valor.

Indo para o mínimo dos mínimos, e contando que todos os presidentes da junta exerçam o cargo a tempo parcial, teremos uma poupança de 34.405.938,34 €! Líquida. Fora menos custos com secretárias, carros, e outros serviços.
Tendo em conta que a maioria dos presidentes é a tempo inteiro, e que usei para o cálculo os valores mínimos sempre, este valor facilmente é superior a 50 milhões de euros/ano!

Claro que nunca será feito nada neste campo, pois as juntas de freguesias, enquanto órgãos políticos, são sítios onde os partidos metem os amigos a ganhar uns trocos, de forma extremamente bem paga, a tomar opções políticas que poderiam ser feitas pelos outros serviços já existentes.
Existem muitas coisas onde cortar, e esta claramente seria uma que seria cortada antes de cortar na saúde ou educação. Mas nenhum partido aceitaria reduzir a sua base de apoio, ou os “tachinhos” que dão aos seus militantes de carreira. É pena…

Serviço Militar Obrigatório (Conscrição) – Uma solução para a crise?

exercitoNuma altura de crise como a actual muito se discute, e muitas soluções ou paradigmas são reapresentados. Recentemente foi falado por alguns militares que o Serviço Militar Obrigatório (a conscrição) deveria ser reintroduzido, como uma das formas de reestruturar as nossas forças armadas. Devemos pensar sobre isso?

Primeiro que tudo, e ponto de real importância: para que queremos as forças armadas? Deveria existir uma larga discussão sobre isto, e perceber realmente para que se quer. Neste momento temos uma estrutura demasiado desequilibrada. Com muito treino é certo, mas cada vez com uma proporção de oficiais para cada operacional demasiado inflacionada. E depois saber que funções podem desempenhar para a sociedade, especialmente a nível do exército, que poderia dar um impulso ao controlo e limpeza florestal, e mesmo apoio a nível de salvação pública, em cooperação com os bombeiros. Ambas estas funções são feitas hoje em dia, mas poderiam ser alargadas, e institucionalizadas de forma mais segura.

Mas depois existe outra função que por vezes pouco se fala: o ensino de valores. Vivemos em tempos complicados, ninguém já duvida disso. A crise de valores, juntamente com o desemprego, é um dos grandes responsáveis por isso. Nos idos anos oitenta e noventa, ao chegar aos dezoito anos a maioria das pessoas ou ia trabalhar, ou continuava os estudos. Hoje em dia cada vez mais existe um limbo, em que nem uma coisa nem outra, apenas andam por aí. E este andar por aí tem custos gravíssimos a nível do estado.

Tanto não ajuda ninguém, como gera cada vez mais pessoas que não gostam especialmente de fazer nenhum. Sim, bem sei que o desemprego actual não ajuda, e que muitos destes gostariam de trabalhar, mas a maioria se lhes propuserem algum trabalho real, simples mas honesto, não vai gostar.

Seria de todo estúpido pensar que pessoas entre os 18 e os 23 anos, desempregados, ficassem sujeitos a um regime de serviço militar obrigatório? Onde teriam trabalho honesto, uma formação cívica e nos valores da nossa gente? Muitas vezes ouvi dizerem que se fizeram Homens na tropa, será que numa altura em que atravessamos uma crise de desemprego, falta de valores e falta de pessoas operacionais nas forças militares, esta não seja uma opção óbvia para parte do problema? Ou é melhor continuar a financiar pessoas, que ficam paradas, sem pedir nada em troca?

Atrasado, Bruto e feio, eis 2013

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Como é tradição neste meu espaço, os textos vêm tarde, mas espero que não a más horas. Normalmente começasse o ano com um pequeno texto de preparação para o que aí vem, cheio de esperança num ano que vai ser em grande. Este ano infelizmente pouca gente neste caminho à beira mar plantado pensou dessa forma.

Somos um povo antigo, resiliente, mas normalmente esperançoso. É típico do português quando lhe acontece algo negativo descobrir que afinal podia ter sido bem pior. Desta vez não é isso que vejo acontecer. Estamos mais cinzentos que nunca, nem as festividades natalícias parecem ter trazido o mesmo calor habitual.

E nem foi o pior, pois esse veio com o fim de Janeiro, e o vencimento ser pago. Fazendo contas por alto a maioria das pessoas perdeu cerca de dez porcento do seu rendimento. Isto, aliado à taxa de desemprego histórica leva a um mau estar geral e palpável.

Podia estar aqui durante horas a escrever sobre o que considero ter levado a esta crise. E seriam horas mesmo, pois erros com desde à cinquenta anos, de governantes, empresários e população em geral, foram-se acumulando e parece que estoiraram todos de uma vez. Mas o que quero vir dizer é que ainda acredito neste pais e na sua magnifica gente. Por muito que me custe ver amigos a seguirem para o o estrangeiro, outros no desemprego ou com empregos precários, ainda consigo ver algumas coisas a mudarem para melhor.

Sejam os hábitos a serem corrigidos, os mercados a voltarem a ser um local onde muita comida fresca é transaccionada, até ao surgimento de algumas startups interessantes como a Padaria Portuguesa ou o Mercado Saloio.

Como disse Fernando Pessoa:

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
define com perfil e ser
este fulgor baço da terra
que é Portugal a entristecer –
brilho sem luz e sem arder,
como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,
nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ância distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…

É a Hora!

Cão – Um investimento até em tempo de crise

Polly, a nossa companhia canica
Polly, a nossa companhia canina

Vivemos uma altura de crise. Por muito que esta frase seja um chavão, não deixa de ser uma das mais tristes realidades, e temos de saber viver com ela. Numa altura de crise no entanto podemos tentar apenas olhar para os rendimentos que temos, e sobreviver com eles, ou tentar transformar alguns neles em retorno. E uma boa oportunidade de negócio nesta fase é um Cão.

Como em todos os investimentos, antes de olhar para o retorno temos de observar com atenção os custos.

Primeiro que tudo existe o custo de aquisição. Aqui um cão é barato, visto poder ser até gratuito, visto que o que não falta é pessoas a tentarem doar animais para adopção, e canis a precisar do mesmo. Claro que este é apenas o primeiro, visto também terem de ter as instalações para o mesmo animal. Deve ser adequado ao espaço para o animal, o tamanho do mesmo. Cães de tamanho muito grande em apartamentos pequenos é um péssimo investimento. Tanto para os seus objectos pessoais, como para o animal em si.

Depois vêm as despesas de legalização, chip, vacinas e todos estes tramites. Não podem nem devem ser ignorados, pois são custos iniciais e devem ser cumpridos por diversos motivos.

E claro, existem as despesas regulares. Um cão precisa de ser alimentado, e isso custa dinheiro. Mais uma vez o tamanho do animal implica também a quantidade de comida que ele ingere. Se a vossa disponibilidade financeira para manter um animal não é a mais prospera, será melhor investimento um animal de dimensão mais pequena. Isto na parte financeira, visto ser necessário também investimento de tempo. Um animal precisa de passeio, actividade física e algum treino. O cão não nasce ensinado, e vai fazer asneiras, e coisas que você não quer obviamente até aprender.

Mas como em qualquer investimento existe a parte do retorno. E esta é onde os custos parecem mesmo muito baixos em comparação com os ganhos. Um cão é um animal sociável, que dá carinho sem pedir nada em troca, fica feliz cada vez que recebe algo, e está sempre pronto a tentar mimar de volta quem lhe quer bem.

Será isso suficiente em tempo de crise? Se analisarmos bem trocamos dinheiro, que em alturas de crise é indispensável, por algo que não trás retorno financeiro. Para mim claramente que é um enorme retorno, visto ser alguém que se junta à família, e que sabemos que estará lá nos bons e nos maus momentos. Não quer saber quanto a pessoa ganha nem os bens que a pessoa possuí. Quando se chega do trabalho chateado, pesado e cansado, um abanar de cauda efusivo por nos ver faz repensar o quão as pequenas coisas da vida são simplesmente maravilhosas. São momentos destes que muitas vezes nos ajudam a enfrentar os abismos do dia a dia com melhor animo, e sempre com os pés assentes no chão.

Por tudo isto não tenho dúvidas, mesmo em tempos de crise, um cão é um excelente investimento. Mas mais que um investimento é um amigo e um membro da família.

Evite se puder – Sensei Lounge em Carcavelos – Sushi

Um casal chega a casa Domingo à noite, e resolve encomendar um sushi para o jantar. Existindo um restaurante que tem serviço de entrega ao domicilio, e ainda por cima com dose dupla ao Domingo, as coisas ficam decididas rápido. Até aqui tudo perfeito. Aponta-se o jantar para as oito e meia, e telefona-se para o Sensei Lounge em Carcavelos. Sou informado que o transporte só é feito às oito, ou às nove, não podendo ser no período intermédio. Aceito, e fica tudo assente.

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Sushi ainda na caixa, mas já a denotar o estado em que vinha…

Para ajudar à questão, os pauzinhos e o molho de soja, que são parte integrante deste tipo de serviço, desta feita, ao contrário das outras vezes que tinha encomendado, não vieram.

Passadas as nove e meia, resolvo telefonar só para saber se houve algum problema. A senhora que me atendeu disse que não sabia, visto o estafeta ter saído ainda antes das 21, e que lhe iria ligar, voltando depois a informar-me. Ligou-me pouco depois a dizer que tinha sido um engano do estafeta, que foi fazer outras entregas primeiro, mas que tinha levado a nossa também, e que dentro de dez minutos estaria em nossa casa. Assim foi, mais coisa menos coisa.

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Sushi depois de aberto, ensopado e mole…

O problema ficaria resolvido por aqui, mas o sushi não vinha em grande estado. Eram três embalagens, umas por cima das outras envolvidas em papel celofane. A de cima era Sushi quente, que vinha apenas morno e ensopado no molho no qual esteve demasiado tempo por via da espera de quarenta minutos adicionais. As duas embalagens de baixo, de sushi normal, vinham também mornas. Isto é, o sushi que deve ser fresco, até porque é na suma peixe cru, veio quarenta minutos sem refrigeração, e com uma fonte de calor por cima.

O que uma pessoa que até se acha bem educado, mas minimamente exigente faz? Informa o prestador do serviço do que se acabou de suceder. Aqui fica o mail que lhes enviei para o mail, que está tanto no site como no Facebook, e pelo qual também aceitam encomendas:

Boa noite,

Sou vosso cliente há já algum tempo, tendo ido ao vosso espaço em Carcavelos diversas vezes, e também já por várias vezes pedi entrega em casa. Até agora não tinha tido qualquer razão de queixa, mas hoje infelizmente tenho.

O serviço demorou 40 minutos em relação ao esperado, coisa que após contacto telefónico convosco foi justificado com o ser um novo colaborador que estaria a fazer a entrega.

Em relação ao sushi em si, uma das embalagens, estava meio amassada (sushi quente), e completamente ensopada devido à espera. Mais, com tanto tempo fora, todo o sushi estava meio quente, e claramente abaixo dos vossos padrões.

Outra coisa que me desagradou, e que também não era esperado, foi não terem sido enviados nem pauzinhos nem molho de soja.

Sendo vosso cliente já de algum tempo, e tendo até hoje sido um cliente bem servido e satisfeito, fico um pouco triste com esta situação, e espero que tenha sido apenas algo pontual, no vosso normalmente excelente serviço.

Com os melhores cumprimentos,

Bruno Jacinto

Não esperava muito, um simples pedido de desculpa deixar-me-ia satisfeito, ou pelo menos aumentaria a probabilidade de me manterem como cliente. Mas para meu espanto, não obtive, pelo menos em três dias, qualquer tipo de resposta. Ainda tentei colocar no facebook do Sensei Lounge uma questão sobre se era este o mail correcto, e se estava em condições operacionais, mas foi prontamente apagada, sem qualquer resposta. Nesse mesmo facebook verifiquei que algumas pessoas tiveram queixas, e até períodos de quatro horas de espera, sobre o serviço do Sensei Lounge recentemente. É sem dúvida uma pena, vindo de uma casa da qual já me considerava cliente.

Será que é este o tipo de serviço que numa altura de crise fixa clientes para permitir um negócio subsistir? Será que tentar manter um cliente satisfeito, ou pelo menos ter a humildade de saber pedir desculpas quando não se consegue, custa assim tanto?

Nota: este texto foi escrito no seguimento de um péssimo atendimento decorrido no dia onze de Março de 2012. Tinha ficado no limbo, apesar de pronto, porque no fundo pensei: se calhar foi apenas um caso isolado. Depois de ter visto que não é nada disto (como se pode ver numa resposta no minimo arrogante por parte deste restaurante no seu facebook) resolvi tirá-lo da caixa dos pensamentos, e passá-lo a publicado.

Democracia, Liberdade, Propriedade, Vandalismo e Violência

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Foram convocadas para dia 25 de Abril uma série de manifestações pela liberdade e democracia, pelo grupo Anonymous , com o lema: “resistência pacífica mas não passiva” e o nome de código #OP 25 Abril.  Eu sou daquelas pessoas que acha que a Democracia e a Liberdade são das coisas mais fortes que temos, e pelas quais devemos lutar.

Já me manifestei, durante o Verão Quente da Educação, e não tenho problema nenhum de o volta a fazer quando o achar justo e necessário. Sei que nem sempre têm algum efeito, ou até mesmo raramente o têm, mas fazem parte dos meus direitos cívicos e não abdico de os poder exercer.

Outro direito que acho essencial, e do qual também não abdico, é o de propriedade. Se me esfolo a trabalhar para conseguir comprar coisas, tenho todo o direito de as querer manter intactas, e não destruídas por um grupo de pessoas sem qualquer noção do que é a propriedade. E falo de propriedade porque? Durante as manifestações do mês passado no Chiado, onde a polícia, e bem, carregou os manifestantes, a manifestação tinha-se tornado apenas e só uma acção de selvajaria e vandalismo. A polícia ao ver montras a serem partidas, cadeiras a ser atiradas contra si, e contra carros e propriedade de pessoas que trabalharam para os comprar, resolveu avisar que em cinco minutos iria carregar, caso não parassem com os actos de vandalismo e dispersassem.

Este tipo de actuação da polícia é para mim não só justificada como correcta. Desculpas como “as pessoas que sofreram a carga não eram quem estava a fazer os distúrbios” não são válidas, até porque desrespeitaram uma ordem da autoridade, que avisou com tempo que iria efectuar a carga. E a carga era contra o grupo onde estavam os vândalos em acção. Será possível fazer uma acção destas, necessária para parar os actos de vandalismo? Penso que não, por isso terão de ser aceites.

Será que este tipo de violência e vandalismo ajuda a causa dos manifestantes? Não, claramente até prejudica a sua imagem e a sua mensagem.

Por isso caros Anonymous, antigos activistas de sofá que agora descobriram a rua, manifestem-se, exerçam o vosso direito, mas pacificamente. Caso de novo se tornarem uma acção de vandalismo, que sejam parados com toda a violência necessária, e depois presos e julgados (de preferência de forma célere ao contrário ao hábito), e condenados.

Subsídio de Natal e de Férias – Será benéfico para quem recebe?

Nestes dias que correm volta a surgir com frequência a questão dos cortes salariais, e do fim do subsídio de férias e natal para a função pública. Mas para mim a questão mais importante é mesmo o porque destes subsídios, e para que servem. Primeiro gostaria de salientar que não acho legítimo, nem viável, qualquer tipo de redução salarial por esta via, o que quero focar mesmo é a forma de pagamento.

Vamos pensar, uma pessoa que receba o salário médio em Portugal, 700 €/mês, recebe catorze parcelas deste valor, e é assim que cá se negoceia o ordenado. Na maioria dos países negoceia-se logo o valor anual, o que é bem mais visível, ou deveria ser. Ou seja uma pessoa em média em Portugal aufere 9800 €/ano. Perderia dinheiro se recebesse em prestações mensais como na maioria do mundo? Todos os meses seriam-lhe entregues 816€, contra os 700€ que lhe entregam agora, sempre certo, e sem complicações acrescidas. Se formos mais longe ainda para o caso do Reino Unido, em que pagam à semana, seria entregue todas as semanas um valor de 188€, que seria o seu orçamento semanal.

Um dos argumentos que me dão logo mal refiro estes dados é que assim os Portugueses deixariam de gozar férias ou comprar prendas no Natal. Isto até pode ser verdade para muita gente, mas é no entanto passar um atestado de incompetência na gestão das suas contas aos Portugueses. Se uma pessoa quiser pode tirar a parte que seria do subsídio de férias/natal para um plano qualquer de poupança (os bancos até o fazem de forma automática, no meu caso tenho um no Montepio), e que até ganham alguns juros. Se pensarem bem, este dinheiro, junto de todos os funcionários de uma empresa/estado, que fica acumulado no lado do empregador, e que é libertado duas vezes por ano, é colocado por eles em poupanças, recebendo eles o juro. Ou seja, aquilo que as pessoas pensam que está feito para as proteger, está sim a favorecer o empregador.

Mais, este tipo de sistema de pagamento também favorece o consumo, visto ser colocado estrategicamente em alturas do ano que facilitam o gasto, em vez da poupança.

Será que estes subsídios, que são considerados quase sagrados pela nossa sociedade, ao contrário do resto do mundo, são mesmo bons para quem recebe? Será que não ficaríamos melhor em receber ao mês (em 12 prestações maiores que as 14 actuais), ou mesmo à semana?